Mais de 10 mil atendimentos em um ano: telemedicina avança no Tocantins e amplia acesso a especialistas
O Tocantins registrou 10.232 teleinterconsultas em 2025 por meio do projeto de Assistência Médica Especializada nas Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil, iniciativa que utiliza a telemedicina para ampliar o acesso da população da rede pública a consultas especializadas. Os atendimentos ocorreram em unidades de saúde de mais de 35 municípios, conectando pacientes e equipes da atenção básica a médicos especialistas de diferentes áreas.
O volume expressivo de atendimentos evidencia a consolidação da telemedicina como ferramenta estratégica para reduzir desigualdades regionais no acesso à saúde, especialmente em estados com grandes distâncias territoriais e concentração de especialistas nos principais centros urbanos.
Municípios com maior volume de atendimentos
Entre os municípios com maior número de teleinterconsultas em 2025, Guaraí lidera o ranking, com 1.799 atendimentos, seguido por Araguatins (1.290), Taguatinga (981) e Gurupi (804). Também se destacam Pindorama do Tocantins (577) e Dianópolis (575), municípios-polo que atendem demandas regionais.
Na capital, Palmas, foram registradas 274 consultas na unidade SF e 188 na unidade Q403N, demonstrando que a telemedicina também complementa o atendimento especializado mesmo em cidades com maior estrutura de saúde.
Distribuição das teleinterconsultas no estado
O levantamento mostra que a telemedicina alcançou municípios de diferentes portes e regiões. Além dos maiores volumes, os atendimentos foram distribuídos da seguinte forma:
Aguiarnópolis (98), Aliança do Tocantins (16), Araguacema (230), Araguaína (242), Arapoema (18), Arraias (282), Couto Magalhães (128), Dianópolis (575), Dueré (65), Filadélfia (111), Formoso do Araguaia (402), Itacajá (17), Juarina (215), Monte do Carmo (106), Nova Olinda (32), Novo Alegre (12), Palmeirópolis (96), Pedro Afonso UBS III (210), Pedro Afonso UBS Tenente (436), Peixe (350), Ponte Alta do Bom Jesus (14), Ponte Alta do Tocantins (139), Presidente Kennedy (257), Riachinho (9), Rio Sono (20), Rio da Conceição (40), Silvanópolis (31), São Bento do Tocantins (91), Tocantinópolis (56) e Tupirama (21).
A presença do serviço em localidades de menor porte indica avanço no objetivo central do projeto: descentralizar o acesso a especialistas e fortalecer a atenção primária à saúde.
Redução de deslocamentos e apoio à atenção básica
Um dos principais impactos da telemedicina no Tocantins é a redução da necessidade de deslocamento de pacientespara cidades maiores ou para a capital, o que historicamente gerava custos adicionais ao sistema de saúde e atrasos no diagnóstico e no início do tratamento.
O modelo de teleinterconsulta permite que médicos da atenção básica discutam casos clínicos com especialistas, recebam orientações diagnósticas e definam condutas terapêuticas de forma mais ágil. Isso contribui para maior resolutividade das unidades locais e diminui a sobrecarga em hospitais de referência.
Contexto nacional e regional
O avanço da telemedicina no Tocantins acompanha uma tendência nacional, intensificada nos últimos anos, especialmente após a pandemia de Covid-19. Estados das regiões Norte e Centro-Oeste têm apostado na tecnologia como alternativa para enfrentar a escassez de especialistas e as longas distâncias geográficas.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a telemedicina tem potencial para reduzir filas de espera, otimizar recursos públicos e ampliar o alcance da assistência especializada em áreas remotas.
Avaliação e perspectivas
O Diário Tocantinense irá ouvir especialistas em saúde pública, gestores e médicos envolvidos no projeto para avaliar os impactos do serviço, os principais gargalos operacionais e as perspectivas de ampliação da telemedicina no estado. Entre os pontos em análise estão a infraestrutura tecnológica, a capacitação das equipes locais e a integração do serviço com a rede de atenção à saúde.
Com mais de 10 mil atendimentos em um único ano, a experiência do Tocantins reforça o papel da telemedicina como instrumento de política pública voltada à equidade no acesso à saúde e à melhoria da qualidade do atendimento prestado à população.