A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a nova indicação do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para a prevenção do HIV-1 por meio da profilaxia pré-exposição (PrEP). A decisão amplia as opções disponíveis no país e introduz um esquema de prevenção com aplicação a cada seis meses, considerado um avanço em relação aos modelos que exigem uso diário de medicamentos.
O lenacapavir atua impedindo a replicação do vírus no organismo. O tratamento começa com a administração por via oral e, posteriormente, passa a ser feito por injeção subcutânea semestral. O intervalo prolongado entre as doses é apontado como um fator que pode aumentar a adesão ao tratamento e reduzir falhas na prevenção.
Os estudos clínicos avaliados pela Anvisa mostraram resultados expressivos. Em mulheres cisgênero, o medicamento apresentou 100% de eficácia na prevenção do HIV-1. Em outras análises, houve redução de 96% da incidência do vírus em comparação ao risco de base e desempenho 89% superior ao da PrEP oral diária. A indicação aprovada contempla adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam sob risco de infecção. Antes do início do uso, é obrigatória a realização de teste com resultado negativo para HIV-1.
Apesar da aprovação sanitária, o medicamento ainda não está disponível para a população. A definição do preço máximo depende da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). A eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e pelo Ministério da Saúde.
A PrEP integra a política de prevenção combinada adotada no Brasil, que inclui testagem regular para HIV, uso de preservativos, tratamento antirretroviral, profilaxia pós-exposição e acompanhamento específico de gestantes que vivem com o vírus. Em 2025, o país alcançou a eliminação da transmissão vertical do HIV, quando ocorre da mãe para o bebê, com incidência inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos e cobertura superior a 95% em pré-natal, testagem e tratamento.
O reconhecimento internacional veio com a certificação concedida pela **Organização Pan-Americana da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde, colocando o Brasil em posição de destaque no cenário global da saúde pública. A aprovação do lenacapavir reforça essa trajetória e sinaliza uma nova etapa na prevenção do HIV, com foco em tecnologias de longa duração e maior alcance populacional.