Acromegalia: a doença silenciosa que muda o corpo e onde buscar tratamento

Acromegalia: a doença silenciosa que muda o corpo e onde buscar tratamento
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de janeiro de 2026 12

A acromegalia é uma doença rara, crônica e de evolução lenta, causada pelo excesso do hormônio do crescimento (GH) no organismo. Por se desenvolver de forma progressiva e com sinais que surgem ao longo dos anos, o diagnóstico costuma ser tardio, quando as alterações físicas já estão estabelecidas e complicações clínicas começam a aparecer.

Especialistas alertam que a falta de informação e o subdiagnóstico ainda são desafios no Brasil, apesar da existência de tratamento eficaz e da oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), inclusive no Tocantins.

O que é acromegalia

A acromegalia ocorre, na maioria dos casos, devido a um adenoma hipofisário, um tumor benigno localizado na hipófise — glândula responsável por regular diversos hormônios do corpo. Esse tumor leva à produção excessiva de GH, que estimula o aumento do IGF-1, substância diretamente envolvida no crescimento de ossos e tecidos.

Diferentemente do gigantismo, que se manifesta na infância, a acromegalia surge na vida adulta, quando o crescimento ósseo já está completo, provocando aumento de extremidades e alterações em tecidos moles.

Doença rara e subdiagnosticada

A acromegalia é considerada uma doença rara, com incidência estimada de 3 a 4 novos casos por milhão de habitantes ao ano. No entanto, estudos indicam que muitos pacientes convivem com a doença por até 10 anos antes do diagnóstico definitivo.

O atraso ocorre porque os sintomas iniciais são sutis e frequentemente atribuídos ao envelhecimento natural ou a outras condições clínicas.

Principais sinais e sintomas

As mudanças físicas costumam ser progressivas e nem sempre percebidas pelo próprio paciente. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Aumento das mãos e dos pés

  • Mudança no formato do rosto, com mandíbula e nariz mais proeminentes

  • Espaçamento entre os dentes

  • Espessamento da pele

  • Dor nas articulações

  • Sudorese excessiva

  • Fadiga

  • Dores de cabeça frequentes

Além das alterações físicas, a acromegalia pode causar hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, apneia do sono e aumento do risco de mortalidade quando não tratada.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico envolve avaliação clínica e exames laboratoriais. O principal marcador é a dosagem do IGF-1 no sangue, que costuma estar elevado. Exames de imagem, como a ressonância magnética da hipófise, são utilizados para identificar a presença do tumor.

Endocrinologistas ressaltam que o reconhecimento precoce dos sinais é fundamental para evitar complicações irreversíveis.

Formas de tratamento

O tratamento da acromegalia depende do perfil do paciente e do tamanho do tumor. As principais abordagens incluem:

  • Cirurgia para retirada do adenoma hipofisário

  • Tratamento medicamentoso, com fármacos que reduzem a produção ou os efeitos do hormônio do crescimento

  • Radioterapia, em casos específicos

O objetivo é normalizar os níveis hormonais, controlar os sintomas e reduzir o risco de complicações a longo prazo.

Tratamento pelo SUS no Tocantins

No Brasil, o tratamento da acromegalia é ofertado pelo SUS, conforme protocolos clínicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O Tocantins disponibiliza medicamentos de alto custo para o controle da doença, mediante acompanhamento especializado e critérios clínicos definidos.

Pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado devem procurar a rede pública de saúde, iniciar o acompanhamento com endocrinologista e, quando indicado, ser encaminhados para centros de referência e programas de dispensação de medicamentos especializados.

Onde buscar ajuda

O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que pode realizar o encaminhamento para avaliação especializada. Hospitais públicos com serviço de endocrinologia são responsáveis pelo acompanhamento, diagnóstico e solicitação do tratamento adequado.

Especialistas reforçam que não há indicação de automedicação ou atraso na investigação diante de sinais persistentes.

Informação é chave para o diagnóstico precoce

Por ser uma doença silenciosa, a acromegalia exige atenção aos sinais clínicos e acesso à informação de qualidade. O diagnóstico precoce amplia as chances de controle da doença, melhora a qualidade de vida e reduz complicações.

Apesar de rara, a acromegalia tem tratamento disponível no sistema público de saúde. O desafio segue sendo reconhecer a doença a tempo e garantir o acompanhamento contínuo dos pacientes.

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