Em São Félix: “Ele conspirou contra o meu governo, minha pessoa e minha família. Eu não convivo”: Wanderlei endurece discurso no Jalapão, manda recado a Laurez e à oposição

Em São Félix: “Ele conspirou contra o meu governo, minha pessoa e minha família. Eu não convivo”: Wanderlei endurece discurso no Jalapão, manda recado a Laurez e à oposição
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 16 de janeiro de 2026 46

O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), fez nesta semana uma das declarações mais duras desde o início da crise política interna do governo. Durante agenda oficial em São Felix do Tocantins, no Jalapão, o chefe do Executivo citou diretamente Laurez Moreira, falou em conspiração e afirmou publicamente que não há mais convivência política.

“Ele conspirou contra o meu governo, contra a minha pessoa e contra a minha família. Eu não convivo. Eu não quero conviver no mesmo lugar com uma pessoa que eu não gosto”, afirmou o governador, diante de lideranças políticas e moradores que acompanhavam o evento.

Na sequência, Wanderlei reforçou que a separação dos espaços administrativos é uma decisão de comando. “O Palácio é o lugar do governador trabalhar. A vice-governadoria é outro espaço administrativo. Ele trabalha no canto dele, eu trabalho no meu”, declarou.

Discurso duro e afirmação de autoridade

A fala foi feita ao lado do prefeito Gaguim, da secretária Professora Cleizenir (SETAS), da deputada Vanda Monteiro, da ex-vice-governadora e atual deputada estadual Cláudia Lelis e de outras lideranças regionais.

Nos bastidores, o discurso foi interpretado como um marco público da ruptura e, ao mesmo tempo, como um gesto de afirmação de autoridade do governador sobre o comando do Executivo estadual.

Wanderlei também usou comparações institucionais para sustentar o posicionamento. “Vai na Prefeitura de Palmas, vai no Palácio do Planalto. Quem ocupa é o chefe do Executivo. É assim”, disse.

Aliados avaliam que o governador buscou encerrar qualquer ambiguidade sobre quem conduz o centro das decisões do governo e deixar claro que não haverá convivência política forçada nem dupla condução do poder.

Leitura política e recado ampliado

Para interlocutores do Palácio Araguaia, a declaração vai além da relação pessoal com Laurez. O discurso é visto como um recado amplo ao meio político, inclusive à oposição, no sentido de que o comando do governo está definido e não admite tutelas, pressões externas ou articulações paralelas.

A avaliação interna é de que Wanderlei tenta consolidar um novo momento da gestão, com maior centralização das decisões, reorganização interna e foco nas agendas administrativas, em um cenário em que o ambiente político já se movimenta de olho em 2026. “O Palácio é do governador” passou a ser tratado, nos bastidores, como frase-síntese desse novo ciclo.

Presenças políticas reforçam peso do ato

A presença de Vanda Monteiro e Cláudia Lelis no ato foi vista como sinal de prestígio político e alinhamento, em um momento em que o governo busca reorganizar sua base e reduzir ruídos internos.

A agenda em Mateiros envolveu compromissos institucionais e ações voltadas ao Jalapão, mas acabou ganhando repercussão estadual diante do tom adotado pelo governador.

O que muda no cenário

Após a fala, aliados passaram a tratar como praticamente descartada qualquer recomposição política. A leitura é de que o governador decidiu tirar o conflito dos bastidores, assumir publicamente a ruptura e reposicionar o governo.

O episódio deve impactar diretamente as articulações partidárias, a montagem de alianças e o desenho do tabuleiro político nos próximos meses.

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