Mortalidade infantil no Tocantins: 5 dados oficiais, causas e o que dizem especialistas

Mortalidade infantil no Tocantins: 5 dados oficiais, causas e o que dizem especialistas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 16 de janeiro de 2026 12

A mortalidade infantil permanece como um dos principais indicadores da qualidade da saúde pública no Tocantins. Dados oficiais mais recentes apontam que o estado registra taxas acima da média nacional em parte da série histórica, revelando desigualdades regionais, desafios no acesso ao pré-natal e limitações na estrutura hospitalar, especialmente fora dos grandes centros.

Especialistas avaliam que o cenário exige leitura técnica cuidadosa, considerando fatores sociais, demográficos e a capacidade da rede de atenção à saúde.

O que os números mostram

Em 2023, o Tocantins registrou aproximadamente 12,7 óbitos infantis a cada mil nascidos vivos, com cerca de 294 mortes de crianças menores de um ano. A taxa reflete a soma de óbitos ocorridos tanto no período neonatal — que compreende os primeiros 28 dias de vida — quanto no período pós-neonatal.

A mortalidade infantil é considerada um indicador sensível porque responde rapidamente à qualidade do pré-natal, às condições do parto, ao cuidado neonatal e às condições de vida das famílias.

Desigualdade regional influencia os índices

A análise por município exige cautela. Em cidades de pequeno porte, variações mínimas no número absoluto de óbitos podem provocar oscilações significativas nas taxas. Por isso, técnicos e sanitaristas recomendam a análise por médias de três anos, além da observação da estrutura de saúde disponível em cada região.

No Tocantins, especialistas apontam que municípios mais distantes dos polos regionais enfrentam maiores dificuldades de acesso a maternidades de referência, transporte sanitário adequado e atendimento especializado para gestantes de alto risco e recém-nascidos.

Principais causas de mortalidade infantil

As causas mais frequentes de mortes infantis no estado seguem o padrão observado nacionalmente, com predominância de:

  • Afecções do período perinatal, como complicações no parto e prematuridade

  • Malformações congênitas

  • Infecções neonatais

  • Complicações respiratórias

Grande parte desses óbitos ocorre nos primeiros dias de vida, o que reforça a importância da qualidade do parto e do atendimento imediato ao recém-nascido.

Causas evitáveis ainda são desafio

Especialistas ressaltam que uma parcela significativa das mortes infantis está relacionada a causas potencialmente evitáveis, sobretudo aquelas associadas a falhas no pré-natal, atraso no diagnóstico de riscos gestacionais e dificuldade de acesso a serviços de maior complexidade.

A ausência de acompanhamento adequado durante a gestação, o início tardio do pré-natal e a falta de leitos especializados para atendimento neonatal são apontados como fatores que impactam diretamente os indicadores.

Estrutura de saúde e determinantes sociais

Além da assistência médica, fatores sociais seguem como determinantes importantes. Baixa renda, escolaridade materna reduzida, insegurança alimentar, saneamento básico precário e dificuldade de acesso a serviços públicos influenciam diretamente os desfechos da primeira infância.

Sanitaristas destacam que a mortalidade infantil não pode ser analisada apenas sob a ótica hospitalar, mas como resultado de um conjunto de condições sociais e estruturais.

O que dizem os especialistas

Pediatras e obstetras ouvidos pela reportagem avaliam que o Tocantins avançou na ampliação da atenção primária e na cobertura do pré-natal, mas ainda enfrenta gargalos na regionalização da assistência e na integração entre os níveis de cuidado.

Para eles, a redução consistente da mortalidade infantil depende da qualificação contínua do pré-natal, do fortalecimento da rede de urgência obstétrica, da melhoria no transporte de gestantes e recém-nascidos e da ampliação do acesso a unidades de terapia intensiva neonatal quando necessário.

Papel do SUS e das políticas públicas

O Sistema Único de Saúde é responsável pela maior parte do atendimento materno-infantil no Tocantins. Programas de acompanhamento da gestação, vigilância de óbitos infantis e comitês de prevenção são considerados fundamentais para identificar falhas e orientar políticas públicas.

Especialistas defendem que o monitoramento permanente dos dados e a investigação de cada óbito são instrumentos essenciais para reduzir os índices ao longo do tempo.

Desafio permanente

A mortalidade infantil segue como um desafio estrutural para o Tocantins. Embora os números não indiquem retrocessos abruptos, a manutenção de taxas elevadas em comparação com regiões mais desenvolvidas do país evidencia a necessidade de investimentos contínuos em saúde, infraestrutura e políticas sociais.

Para especialistas, reduzir a mortalidade infantil exige integração entre saúde, assistência social, educação e saneamento, com foco na proteção da gestação e da primeira infância.

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