Por que o Tocantins segue em alerta mesmo com a nova vacina brasileira contra a dengue

Por que o Tocantins segue em alerta mesmo com a nova vacina brasileira contra a dengue
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de janeiro de 2026 13

Mesmo com o avanço representado pela primeira vacina 100% nacional, de dose única, contra a dengue, o Tocantins permanece em estado de atenção epidemiológica. A explicação está em um conjunto de fatores técnicos, climáticos e operacionais que mantêm elevado o risco de transmissão da doença no estado.

O novo imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, é considerado um marco para a saúde pública brasileira. A vacina, chamada Butantan-DV, protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue, apresenta eficácia global de 74%, reduz em 91% os casos graves e oferece 100% de proteção contra hospitalizações, segundo dados dos estudos clínicos.

Apesar do avanço, a vacina ainda não está disponível no Tocantins. A estratégia adotada pelo Ministério da Saúde prevê, neste primeiro momento, a aplicação do imunizante em municípios-piloto de outros estados, escolhidos com base em critérios como perfil populacional, capacidade da rede assistencial e histórico epidemiológico. A ampliação para todo o país depende da avaliação dos resultados dessa fase inicial e da disponibilidade de novas doses.

Clima e histórico mantêm risco elevado

Outro fator que mantém o alerta no Tocantins é o perfil climático. Altas temperaturas combinadas a períodos prolongados de chuva criam condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Mesmo em anos de redução nacional dos casos, especialistas alertam que essas características podem acelerar novos surtos regionais.

O histórico epidemiológico do estado também pesa. Nos últimos anos, o Tocantins registrou altas taxas de casos prováveis, incluindo ocorrências de formas graves da doença. A circulação simultânea de diferentes sorotipos do vírus aumenta o risco de reinfecção e de evolução clínica mais severa, especialmente entre adultos e idosos.

Cobertura vacinal ainda limitada

Atualmente, o Sistema Único de Saúde mantém a vacinação contra a dengue apenas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com um imunizante de duas doses. Adultos e idosos — faixa etária que concentra grande parte das hospitalizações e óbitos — ainda não estão contemplados pela estratégia no estado.

Esse cenário reforça a necessidade de vigilância contínua, mesmo diante da expectativa gerada pela nova vacina do Butantan. Especialistas destacam que o imunizante é uma ferramenta importante, mas não elimina o risco imediato, especialmente em regiões onde a vacina ainda não foi incorporada à rotina.

Combate ao mosquito segue como prioridade

Diante desse contexto, o Ministério da Saúde e a Secretaria Estadual da Saúde reforçam que, enquanto a nova vacina não chega ao Tocantins, o enfrentamento da dengue depende principalmente do combate ao mosquito. Ações como eliminação de criadouros, vigilância epidemiológica ativa e mobilização da população continuam sendo fundamentais para reduzir a transmissão da doença.

A expectativa é que, com a ampliação gradual da vacinação nos próximos anos, o Brasil avance no controle da dengue. Até lá, estados como o Tocantins seguem em alerta, combinando prevenção, monitoramento e resposta rápida aos casos suspeitos.

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