Equatorial Goiás completa três anos de concessão com investimentos históricos após assumir um sistema elétrico em colapso estrutural
A distribuição de energia em Goiás passou por três fases que ajudam a explicar o peso do marco atual: a Celg-D, estatal que operou o sistema por décadas; a privatização em 2016, quando a Enel arrematou a concessão e assumiu a operação; e, mais recentemente, a transferência de controle para o Grupo Equatorial, aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no fim de 2022 e efetivada no início de 2023.
A privatização de 2016 levou a Enel ao comando da antiga Celg-D. A concessão envolvia um mercado amplo — 237 municípios, rede extensa e desafios urbanos e rurais — e vinha de um histórico de fragilidades operacionais. Em 2022, a saída da Enel começou a ser desenhada em meio ao não cumprimento de metas de atendimento, e a Aneel optou por autorizar a transferência de controle societário para o Grupo Equatorial como alternativa à caducidade, avaliando que a medida preservava a continuidade do serviço e criava condições para novos investimentos.
É nesse contexto que a Equatorial Goiás completa três anos de concessão apresentando um volume de investimentos classificado como histórico: mais de R$ 6 bilhões aplicados desde 2023 em reconstrução e modernização do sistema elétrico estadual. O pacote inclui obras estruturantes, ampliação de rede, reforço de infraestrutura e adoção de tecnologias, com foco em confiabilidade do fornecimento e segurança operacional, acompanhando o crescimento urbano, o agronegócio e os polos de comércio e serviços.
Segundo o superintendente técnico da Equatorial Goiás, Roberto Vieira, a estratégia priorizou intervenções de longo prazo para elevar a capacidade do sistema. “Esses três anos foram dedicados à reconstrução do sistema elétrico goiano. Investimos em obras robustas, planejamento técnico e modernização da rede para garantir mais confiabilidade, segurança e capacidade de atendimento”, afirmou. O avanço, de acordo com a companhia, se traduz no fortalecimento da rede de distribuição, redução de sobrecargas, expansão de atendimento em áreas de crescimento acelerado e melhora de indicadores operacionais, apoiada por engenharia, manutenção e gestão de ativos.
Obras e entregas por região
Na Grande Goiânia, o pacote de intervenções concentra reforços de potência e modernização, com destaque para a ampliação da Subestação Aeroporto, a Linha Carajás e a implantação de novos alimentadores — Riviera, Atlântico e Real — em áreas de expansão urbana. A agenda inclui também automação e reforços estruturais da rede de distribuição.
No Norte, a reconstrução da Subestação Pirenópolis, com duplicação de potência e operação em 138 kV, aparece como obra-chave, acompanhada de reforços de rede em municípios estratégicos para turismo e logística e ampliação da capacidade do sistema em áreas de crescimento populacional.
No Nordeste, um dos projetos centrais é o alimentador expresso de Alto Paraíso, com cerca de 71 km e mais de 900 postes, apontado pela empresa como medida para garantir maior estabilidade do fornecimento. A lista regional inclui reforços estruturais, modernização de equipamentos e ampliação da confiabilidade do sistema.
No Sudoeste, a Equatorial destaca a Subestação Fazenda Canadá, com investimento superior a R$ 100 milhões, e a implantação de bancos capacitores em Britânia, Iporá, Piranhas e Jussara para melhoria da qualidade da energia, além de expansão da capacidade voltada a demandas do agronegócio e polos produtivos.
No Sul, constam novos transformadores em Paranaiguara e São Simão, além de reforços estruturais e manutenção preventiva em municípios com perfil industrial e logístico.
Transparência: “Trabalhômetro” para acompanhar obras
Como ferramenta de transparência, a Equatorial Goiás informa que disponibiliza o Trabalhômetro, plataforma digital para acompanhamento em tempo real do andamento das obras por região e período, reunindo dados de intervenções em execução e concluídas.
Atualmente, a distribuidora atende cerca de 3,5 milhões de unidades consumidoras em 237 municípios, abrangendo 98,7% do território estadual, em uma área de 336.871 km². A empresa integra o Grupo Equatorial, descrito como o 3º maior grupo de distribuição de energia do país, com sete concessionárias e atendimento a mais de 56 milhões de pessoas.