Hora da Fama | Exclusivo: “Yan é um anti-herói, não é vilão nem herói”, diz Lucas Amorim sobre De Volta Pra Casa

Hora da Fama | Exclusivo: “Yan é um anti-herói, não é vilão nem herói”, diz Lucas Amorim sobre De Volta Pra Casa
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 21 de janeiro de 2026 18

Em entrevista exclusiva ao Diário Tocantinense, o ator Lucas Amorim falou sobre o personagem que protagoniza no filme De Volta Pra Casa e sobre os desafios criativos e emocionais do projeto, que aborda temas como família, pertencimento, vício, perdão e reconciliação. No longa, Amorim interpreta Yan, um músico que retorna para casa após a terceira passagem por reabilitação.

Para o ator, o personagem foge de classificações simples. “Eu vejo muito o Yan como um anti-herói. Ele não é um herói, mas também não é um vilão. É um ser humano comum, com defeitos, falhas, ideias e ideais. E uma das características mais fortes dele é a fidelidade aos próprios princípios”, afirmou.

A narrativa se desenvolve em um ambiente familiar fragilizado. O pai, Álvaro, interpretado por Marcelo Campos, abandonou a família. A mãe, Maria Augusta, vivida por Martha Meola, enfrenta um quadro de depressão e os primeiros sinais de Alzheimer. Já o irmão mais velho, Yago, interpretado por Lucas Tors, assume a responsabilidade de manter a casa enquanto Yan tenta se reconstruir após anos de ausência.

Segundo Lucas Amorim, o retorno do personagem não se limita à busca por recuperação pessoal. Yan tenta reparar danos, apoiar a mãe e lidar com o abandono do pai, movimento que culmina em um confronto direto entre pai e filho. De acordo com o ator, essa cena foi a mais complexa do projeto. “É um embate que expõe escolhas, ausências e feridas que nunca foram tratadas. Foi, sem dúvida, o momento mais desafiador da minha carreira”, relatou.

De Volta Pra Casa transita entre comédia e drama, equilibrando leveza e densidade emocional. A narrativa utiliza elementos de mockumentary, com interações diretas com a câmera, criando situações de humor sem esvaziar o peso humano da história. Ian surge como um personagem imprevisível, capaz de provocar riso e desconforto, despertando empatia justamente pela imperfeição.

Além de atuar, Lucas Amorim assina o filme como produtor, roteirista e diretor, ao lado de Duda Vedoi, que divide a direção e a produção e também integra o elenco. O projeto se insere no circuito do cinema independente brasileiro, sustentado por um trabalho coletivo que envolveu equipe técnica, amigos e moradores da cidade onde o longa foi gravado.

O filme dialoga com conflitos recorrentes em muitas famílias: irmãos criados sob o mesmo teto, mas que reagiram de maneiras distintas às ausências, responsabilidades e frustrações. Sem abordar diretamente o campo político, a narrativa trata de diferenças de valores, visões de mundo e da dificuldade de convivência em contextos de ruptura.

Mais do que uma história sobre retorno, De Volta Pra Casa aborda o movimento de sair para se reconhecer e voltar para encarar o que ficou para trás. Para Lucas Amorim, o filme propõe um olhar sobre convivência, cuidado e permanência. “É um convite a tentar ficar, mesmo quando ficar parece mais difícil do que ir embora”, resume o ator.

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