Quem é Marcelo Martins: do hit “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” ao cantor-compositor que reposiciona a carreira solo
Durante a primeira metade da década de 2010, poucas músicas simbolizaram tanto a virada digital do sertanejo quanto “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”. A canção, gravada por João Lucas & Marcelo, deixou de ser apenas um sucesso radiofônico e passou a circular em estádios, programas de televisão e redes sociais, ajudando a transformar o gênero em produto pop de alcance nacional. No centro desse movimento estava Marcelo Martins, cantor que se projetou como uma das vozes da dupla e que, anos depois, iniciou um processo de reconstrução artística em carreira solo.
A música ganhou força quando jogadores de futebol passaram a comemorar gols com a coreografia do refrão, o que ampliou a visibilidade da faixa e levou o nome da dupla para fora do circuito tradicional do sertanejo. O episódio marcou uma mudança na lógica de consumo musical no Brasil: hits começaram a nascer da viralização e não apenas da programação de rádio. A partir dali, Marcelo Martins passou a ser associado a uma geração que levou o sertanejo para o centro da cultura pop digital.
O início: cantor, intérprete e compositor
Antes de alcançar o grande público, Marcelo Martins construiu trajetória ligada à composição e à interpretação dentro do sertanejo universitário. Ao lado de João Lucas, participou de um repertório que transitava entre músicas festivas e românticas, acompanhando a expansão do gênero em todo o país. Embora “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha” tenha autoria atribuída a outros compositores, a carreira de Marcelo inclui participação direta em processos criativos de novas músicas ao longo dos anos, especialmente após o início da fase solo.
Essa transição de intérprete para cantor-compositor se torna mais evidente quando ele passa a apostar em projetos autorais e em letras com abordagem mais pessoal. A mudança acompanha um movimento maior do mercado: artistas formados em duplas buscam identidade própria em um cenário dominado por streaming e redes sociais.
O auge com João Lucas & Marcelo
Além do hit que virou fenômeno cultural, o período com João Lucas & Marcelo inclui outros títulos que ampliaram o alcance da dupla e consolidaram presença em festas, programas de TV e plataformas digitais. Músicas como “Louquinha” e participações em faixas ligadas ao universo eletrônico e ao funk ajudaram a construir uma identidade sonora associada à celebração e ao entretenimento de massa.
A estética visual dos clipes também foi decisiva. Produções com coreografias simples e ambientes festivos dialogavam com tendências internacionais e reforçavam a ideia de um sertanejo conectado à linguagem pop. Esse formato abriu caminho para que artistas do gênero competissem em audiência com produções de outros estilos musicais.
A ruptura e o início de uma nova narrativa
Com as mudanças no consumo musical a partir do final da década de 2010, vários artistas do sertanejo universitário enfrentaram o desafio de redefinir suas carreiras. Marcelo Martins iniciou então uma fase solo que buscava equilíbrio entre o legado dos grandes hits e a construção de uma identidade própria.
Singles lançados nesse período apostam em arranjos mais intimistas e em estética cinematográfica, sinalizando uma tentativa de reposicionamento dentro de um mercado mais competitivo. O repertório passa a explorar temas românticos e reflexivos, enquanto a produção audiovisual busca aproximar o artista de uma linguagem mais madura.
O compositor em evidência
Na fase solo, Marcelo Martins passa a destacar o papel de compositor dentro do processo criativo. A mudança não ocorre apenas na sonoridade, mas também na narrativa pública do artista, que deixa de ser lembrado apenas pelo refrão viral e passa a ser associado à construção de novas músicas e projetos autorais. Esse movimento acompanha uma tendência observada em artistas que surgiram no auge dos hits digitais e que agora buscam longevidade artística por meio da autoria e da identidade musical.
Entre o passado viral e o futuro autoral
A história de Marcelo Martins pode ser lida como a trajetória de um artista que atravessou duas fases distintas da música brasileira. A primeira, marcada pelo impacto de “Eu Quero Tchu, Eu Quero Tcha”, representa a explosão do sertanejo nas redes sociais e na cultura popular. A segunda aponta para um cantor-compositor em processo de reinvenção, que tenta transformar o reconhecimento inicial em uma carreira de longo prazo.
Esse percurso revela também a própria transformação do sertanejo ao longo dos anos: de trilha sonora das baladas universitárias a um gênero que busca dialogar com estética internacional e narrativa autoral. Marcelo Martins surge, nesse contexto, como um exemplo de artista que precisa equilibrar memória coletiva e inovação para continuar relevante em uma indústria em constante mudança.