Discussão em jogo de sinuca termina em condenação: homem pega nove anos de prisão por assassinato julgado em Guaraí

Discussão em jogo de sinuca termina em condenação: homem pega nove anos de prisão por assassinato julgado em Guaraí
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 6 de fevereiro de 2026 7

Uma discussão iniciada durante um jogo de sinuca terminou mais de uma década depois com uma condenação no Tribunal do Júri da comarca de Guaraí, no Tocantins. O lavrador Marciano Borges de Souza, de 34 anos, foi sentenciado a nove anos de prisão pelo assassinato de Elias Ferreira de Sousa, crime ocorrido em 2010 na zona rural de Tupiratins.

O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (4), das 8h às 11h26, e o Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade do homicídio após análise das provas apresentadas no processo. Segundo os autos, o desentendimento começou dentro de um bar após o acusado insultar a vítima por causa do desempenho em uma partida de sinuca. A discussão se encerrou naquele momento, mas não o conflito.

De acordo com a investigação, Elias deixou o estabelecimento e retornou para casa. Horas depois, o acusado apareceu na residência da vítima e desferiu golpes de faca que provocaram hemorragia grave, levando Elias à morte ainda no local. Para o juiz Fábio Costa Gonzaga, que presidiu o julgamento, o crime apresentou elevado grau de reprovabilidade por ter sido cometido dentro da casa da vítima, espaço onde ela deveria estar segura.

Caso ficou parado por anos até prisão no Pará

O processo permaneceu suspenso por um longo período até ser retomado em 2024, quando o acusado foi localizado e preso no estado do Pará. A retomada do caso reacendeu um episódio que havia ficado marcado na região pela violência inesperada de uma discussão considerada banal.

Inicialmente, a pena foi fixada em 11 anos de reclusão, mas acabou reduzida para nove anos. A diminuição ocorreu após o reconhecimento da confissão espontânea e da menoridade relativa do réu à época do crime, já que ele tinha menos de 21 anos quando o assassinato ocorreu.

Regime fechado e prisão imediata

A decisão do Tribunal do Júri determinou que o cumprimento da pena comece em regime fechado. O magistrado também decretou a prisão imediata do condenado após a leitura da sentença. Apesar da condenação, a defesa ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça.

O caso volta a expor a escalada de violência associada a conflitos interpessoais que começam em situações aparentemente banais e terminam em crimes graves. Para especialistas em segurança pública, episódios como esse mostram como discussões cotidianas podem se transformar rapidamente em tragédias quando há acesso a armas e ausência de mediação de conflitos.

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