Discussão em jogo de sinuca termina em condenação: homem pega nove anos de prisão por assassinato julgado em Guaraí
Uma discussão iniciada durante um jogo de sinuca terminou mais de uma década depois com uma condenação no Tribunal do Júri da comarca de Guaraí, no Tocantins. O lavrador Marciano Borges de Souza, de 34 anos, foi sentenciado a nove anos de prisão pelo assassinato de Elias Ferreira de Sousa, crime ocorrido em 2010 na zona rural de Tupiratins.
O julgamento foi realizado nesta quarta-feira (4), das 8h às 11h26, e o Conselho de Sentença reconheceu a autoria e a materialidade do homicídio após análise das provas apresentadas no processo. Segundo os autos, o desentendimento começou dentro de um bar após o acusado insultar a vítima por causa do desempenho em uma partida de sinuca. A discussão se encerrou naquele momento, mas não o conflito.
De acordo com a investigação, Elias deixou o estabelecimento e retornou para casa. Horas depois, o acusado apareceu na residência da vítima e desferiu golpes de faca que provocaram hemorragia grave, levando Elias à morte ainda no local. Para o juiz Fábio Costa Gonzaga, que presidiu o julgamento, o crime apresentou elevado grau de reprovabilidade por ter sido cometido dentro da casa da vítima, espaço onde ela deveria estar segura.
Caso ficou parado por anos até prisão no Pará
O processo permaneceu suspenso por um longo período até ser retomado em 2024, quando o acusado foi localizado e preso no estado do Pará. A retomada do caso reacendeu um episódio que havia ficado marcado na região pela violência inesperada de uma discussão considerada banal.
Inicialmente, a pena foi fixada em 11 anos de reclusão, mas acabou reduzida para nove anos. A diminuição ocorreu após o reconhecimento da confissão espontânea e da menoridade relativa do réu à época do crime, já que ele tinha menos de 21 anos quando o assassinato ocorreu.
Regime fechado e prisão imediata
A decisão do Tribunal do Júri determinou que o cumprimento da pena comece em regime fechado. O magistrado também decretou a prisão imediata do condenado após a leitura da sentença. Apesar da condenação, a defesa ainda pode recorrer ao Tribunal de Justiça.
O caso volta a expor a escalada de violência associada a conflitos interpessoais que começam em situações aparentemente banais e terminam em crimes graves. Para especialistas em segurança pública, episódios como esse mostram como discussões cotidianas podem se transformar rapidamente em tragédias quando há acesso a armas e ausência de mediação de conflitos.