BRB assume ativos do Master e passa a controlar concessão de cemitérios em São Paulo

BRB assume ativos do Master e passa a controlar concessão de cemitérios em São Paulo
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de fevereiro de 2026 18

O Banco de Brasília (BRB) ampliou sua exposição fora do setor financeiro ao assumir ativos ligados ao Banco Master e se tornar, de forma indireta, controlador de uma concessionária responsável por cemitérios na capital paulista. O movimento ocorre em meio à crise envolvendo o Master e levanta questionamentos sobre risco institucional, estratégia financeira e impacto sobre serviços considerados essenciais.

A operação está ligada à substituição de carteiras avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões, consideradas de alto risco ou sem lastro, que foram repassadas ao BRB durante negociações anteriores com o banco privado.

Como o banco acabou no setor funerário

O controle dos ativos funerários surgiu após a transferência de papéis ligados ao Grupo Maya, empresa que administra cemitérios como Campo Grande, Lapa, Lageado, Parelheiros e Saudade, além de serviços funerários complementares na cidade de São Paulo.

Segundo relatos do mercado, esses ativos foram entregues ao BRB como forma de compensação depois que parte das carteiras adquiridas do Master apresentou alta probabilidade de inadimplência.

O resultado foi um cenário incomum: um banco público regional passou a ter exposição indireta a um segmento sensível, tradicionalmente distante do núcleo financeiro.

Diversificação estratégica ou efeito colateral da crise

A presença do BRB em um setor como o funerário não representa uma estratégia clássica de expansão, mas sim um reflexo da complexidade das operações com o Master. Analistas apontam que o banco recebeu ativos considerados “não líquidos” e busca agora reduzir essa exposição.

Entre os bens herdados estão cemitérios, terrenos imobiliários e outros empreendimentos que fogem do core business bancário.

A estratégia atual inclui a venda desses ativos para recompor capital e reduzir riscos regulatórios, após pressões do Banco Central para provisionamento bilionário.

Impacto regulatório e pressão do mercado

O episódio ocorre sob acompanhamento direto das autoridades financeiras. O Banco Central determinou ajustes relevantes no balanço do BRB após a operação com o Master, exigindo medidas para reforçar a liquidez e reduzir a exposição a ativos considerados problemáticos.

Além do impacto financeiro, especialistas destacam o risco reputacional de uma instituição pública associada à gestão indireta de serviços funerários, sobretudo em uma metrópole como São Paulo.

O caso também passou a ser analisado como exemplo das fragilidades em negociações envolvendo carteiras estruturadas e garantias de difícil mensuração dentro do sistema financeiro nacional.

O que muda para usuários dos cemitérios

Apesar da repercussão, a operação não altera, no curto prazo, o funcionamento dos cemitérios administrados pelo grupo. A gestão operacional permanece sob empresas concessionárias, e os serviços seguem normalmente enquanto o banco avalia alternativas de venda.

Para usuários e famílias, a principal mudança ocorre nos bastidores financeiros: o controlador indireto passa a ser uma instituição bancária que tenta se desfazer dos ativos.

O contexto maior: crise do Banco Master

A situação atual está inserida em uma crise mais ampla envolvendo o Banco Master, investigado por irregularidades e alvo de operações policiais. A liquidação extrajudicial do banco acelerou a transferência de ativos e obrigou o BRB a assumir posições inesperadas dentro do pacote negociado.

O episódio tornou-se símbolo dos riscos de operações complexas envolvendo instituições financeiras regionais e ativos de alta incerteza.

O próximo passo do BRB

A prioridade do banco agora é alienar os ativos considerados fora de sua estratégia principal, incluindo os cemitérios e outros empreendimentos imobiliários. A venda é vista como necessária para reduzir a pressão sobre o balanço e atender às exigências regulatórias.

Enquanto o processo avança, o caso permanece no radar do mercado financeiro e das autoridades, tanto pelo valor envolvido quanto pelo caráter incomum de um banco público ligado a serviços funerários.

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