Deputado italiano contesta cidadania e pressiona por extradição de Carla Zambelli

Deputado italiano contesta cidadania e pressiona por extradição de Carla Zambelli
Renúncia de Carla Zambelli ocorre em meio a condenações judiciais, disputa entre Poderes e enfraquecimento do núcleo bolsonarista no Congresso
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de fevereiro de 2026 14

O caso da ex-deputada brasileira Carla Zambelli ganhou novo capítulo na política italiana após parlamentares questionarem o uso da cidadania italiana para evitar a Justiça brasileira. Diferente do que circula nas redes, a contestação não partiu da primeira-ministra Giorgia Meloni, mas de integrantes da oposição no Parlamento da Itália, que pedem revisão do status jurídico da brasileira e cobram cooperação internacional.

Debate político na Itália expõe pressão por extradição

O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, enviou ofícios ao governo defendendo a extradição da ex-parlamentar e sugerindo até a revisão da cidadania italiana em casos envolvendo condenações por crimes graves. Segundo ele, o país não pode se tornar “refúgio” para pessoas condenadas em outras democracias.

A mobilização ocorre após Zambelli deixar o Brasil depois de condenações judiciais e afirmar que seria “intocável” por possuir dupla cidadania, argumento que gerou reação política e jurídica dentro da Itália.

Bonelli também afirmou ter informado às autoridades italianas o endereço da brasileira, pressionando por ações imediatas das forças de segurança e transparência do governo sobre o caso.

Processo judicial avança enquanto Itália analisa extradição

A ex-deputada está presa desde julho de 2025 após cooperação entre autoridades brasileiras e italianas. Ela foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça e por outros crimes relacionados.

Em fevereiro de 2026, a Justiça italiana concluiu novas audiências sobre o pedido de extradição, e a decisão final deve ser anunciada pelo Tribunal de Apelação de Roma.

Especialistas em direito internacional apontam que a dupla cidadania não impede automaticamente a extradição. A legislação italiana permite cooperação judicial, embora o processo possa se estender por meses ou anos, dependendo de recursos e avaliações políticas.

Governo italiano evita posicionamento direto

Apesar da pressão parlamentar, não há registro de declaração oficial da primeira-ministra contestando pessoalmente a cidadania da brasileira. O debate permanece concentrado em setores do Parlamento e em disputas entre oposição e aliados do governo sobre imigração, segurança jurídica e reputação internacional da Itália.

Caso reacende discussão sobre dupla cidadania

A repercussão política do episódio ampliou o debate sobre limites da dupla cidadania dentro da União Europeia. Parlamentares italianos argumentam que situações como a de Zambelli testam acordos de extradição e a relação diplomática com países parceiros, enquanto a defesa sustenta direitos garantidos pela legislação italiana.

Com a decisão judicial próxima, o desfecho do caso pode estabelecer precedente relevante sobre cooperação internacional e sobre o alcance da cidadania italiana em processos criminais envolvendo cidadãos naturalizados fora do país.

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