Refeição fora de casa chega a R$ 55,81 em Palmas e pressiona vale-refeição

Refeição fora de casa chega a R$ 55,81 em Palmas e pressiona vale-refeição
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de fevereiro de 2026 17

O preço médio da alimentação fora de casa em Palmas chegou a R$ 55,81 e passou a pressionar trabalhadores que dependem do vale-refeição tradicional, segundo levantamento da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT). O valor evidencia um descompasso entre o custo real das refeições e o saldo diário oferecido por muitos benefícios corporativos, cenário que vem provocando mudanças na forma como empresas estruturam seus programas de alimentação.

De acordo com os dados, o gasto pode variar de R$ 41,85 em opções mais simples, como o prato feito, até R$ 92,17 em restaurantes à la carte. Em muitos casos, o valor ultrapassa o limite diário disponibilizado ao trabalhador, o que obriga a complementação com recursos próprios ou a redução do padrão alimentar ao longo do mês.

A pressão inflacionária ajuda a explicar o cenário. Informações do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais apontam que a alimentação fora do lar acumulou alta de 10,14% em 2025. No mesmo período, a cesta básica apresentou recuo de 4,17%, o que indica uma mudança no comportamento dos preços: cozinhar em casa ficou relativamente mais acessível, enquanto comer fora tornou-se mais caro.

Especialistas avaliam que esse movimento evidencia limites do modelo tradicional de vale-refeição, que geralmente restringe o uso a restaurantes e lanchonetes. Quando os preços avançam acima do benefício concedido, o impacto recai diretamente sobre o trabalhador, que precisa reorganizar o orçamento ou alterar hábitos de consumo.

Nesse contexto, empresas têm buscado alternativas consideradas mais flexíveis. Soluções digitais que permitem diferentes modalidades de uso — incluindo gestão por aplicativo e cartões com múltiplas funções — passaram a ganhar espaço no mercado corporativo. A proposta é ampliar o poder de escolha do colaborador e tornar o benefício mais aderente ao custo de vida nas cidades.

Para Antônio Rodrigues de Faria, vice-presidente da Vólus, a tendência reflete uma mudança estrutural na gestão de pessoas. Segundo ele, quando o benefício acompanha a realidade econômica e oferece maior autonomia de utilização, deixa de ser apenas um item operacional e passa a integrar a estratégia de retenção e satisfação dos profissionais.

O aumento contínuo do custo das refeições também reposiciona os benefícios corporativos dentro das organizações. Mais do que um complemento salarial, o vale-refeição passa a influenciar diretamente a percepção de qualidade de vida no trabalho e a competitividade das empresas na atração de talentos, especialmente em mercados regionais onde o preço médio das refeições avança acima da inflação geral

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