Casos de dengue disparam mais de 1.000% no Tocantins em 2026 e acendem alerta sanitário
O Tocantins enfrenta um avanço acelerado da dengue em 2026, com aumento de mais de 1.000% no número de casos prováveis em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde apontam que o estado registrou 3.209 casos prováveis nas primeiras semanas epidemiológicas de 2026, contra apenas 271 no mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 1.084,1%.
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O avanço ocorre em meio ao período chuvoso, considerado crítico para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O aumento expressivo já impacta a rede de saúde e amplia o risco de novos surtos nos próximos meses.
Quase 4 mil casos notificados e aumento superior a 120% em um ano
Até o início de fevereiro de 2026, o estado registrou 3.958 casos notificados, contra 1.785 no mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 121,7%.
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Entre os casos analisados:
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809 foram classificados como dengue
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13 como dengue com sinais de alarme
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3 como dengue grave
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749 foram descartados
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2.384 seguem em investigação ou sem classificação final
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Além disso, o número de casos confirmados saltou de 219 em 2025 para 713 em 2026, um aumento de 225,6%, reforçando a tendência de expansão da doença.
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90 municípios já registraram casos e 38 confirmaram infecções
A dengue já atingiu praticamente todo o território estadual. Segundo o monitoramento oficial, 90 municípios tocantinenses registraram casos suspeitos, e pelo menos 38 cidades confirmaram infecções laboratoriais ou clínicas.
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Entre os municípios com maior concentração de casos estão:
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Araguaína – 1.165 casos prováveis
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Colinas do Tocantins – 206 casos
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Jaú do Tocantins – 105 casos
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Itaporã do Tocantins – 97 casos
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Santa Fé do Araguaia – 90 casos
Esses municípios apresentam incidência classificada como “muito alta”, segundo os critérios epidemiológicos da Secretaria de Saúde.
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Palmas e grandes centros também estão sob risco
A capital Palmas aparece entre os municípios com circulação ativa do vírus, com confirmação da presença do sorotipo DENV-2, considerado um dos principais responsáveis por surtos no Brasil.
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Também há circulação simultânea de diferentes sorotipos, incluindo DENV-2, DENV-3 e DENV-4 em municípios como Gurupi, Araguatins e Aliança do Tocantins, o que aumenta o risco de formas mais graves da doença.
Segundo o infectologista e professor da Universidade Federal do Tocantins, Dr. Marcelo Barros, a circulação múltipla do vírus amplia o risco sanitário.
“Quando há mais de um sorotipo circulando, aumenta a chance de reinfecção e de evolução para formas graves. Isso eleva a pressão sobre o sistema de saúde e exige resposta rápida das autoridades”, explica.
Óbitos sob investigação elevam preocupação
Atualmente, há oito mortes suspeitas por dengue em investigação no Tocantins, sendo cinco relacionadas a casos registrados em 2026 e três referentes ao ano anterior.
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Os casos em investigação foram registrados em municípios como:
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Araguaína
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Palmas
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Porto Nacional
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Cachoeirinha
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Araguanã
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São Bento
A confirmação depende de análise laboratorial e investigação clínica.
Fatores climáticos e urbanos favorecem avanço
Especialistas apontam que o período chuvoso, aliado ao crescimento urbano e à presença de criadouros domésticos, contribui diretamente para o aumento dos casos.
Segundo a epidemiologista Ana Paula Ribeiro, especialista em saúde pública, o cenário atual é típico de surtos em regiões tropicais.
“O mosquito se reproduz em água parada e encontra ambiente ideal durante as chuvas. Sem controle contínuo, o número de casos cresce rapidamente, como estamos observando agora”, afirma.
Ela destaca que mais de 80% dos criadouros estão dentro das próprias residências.
Sistema de saúde entra em alerta
O aumento de casos pressiona unidades de saúde, especialmente nas cidades maiores, como Palmas, Araguaína e Gurupi, que concentram maior densidade populacional.
O crescimento também reflete o padrão observado em outros estados brasileiros, onde a dengue voltou a avançar após redução temporária durante o período da pandemia.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos em 2024, o maior número da série histórica.
População precisa agir para conter avanço
Autoridades de saúde reforçam que a principal forma de combate é eliminar criadouros do mosquito.
Entre as medidas recomendadas estão:
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evitar água parada em recipientes
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limpar caixas d’água e calhas
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manter garrafas e pneus protegidos
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eliminar recipientes que acumulam água
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permitir entrada de agentes de saúde nas residências
Segundo especialistas, o controle doméstico é decisivo.
“O combate ao mosquito depende diretamente da população. Sem eliminar os criadouros, a tendência é de crescimento contínuo dos casos”, alerta o infectologista Marcelo Barros.
Tendência é de aumento nas próximas semanas
Com a continuidade do período chuvoso e a circulação ativa do vírus, a tendência é de manutenção ou aumento no número de casos nas próximas semanas.
O cenário coloca o Tocantins em situação de alerta epidemiológico e exige intensificação das ações de vigilância, controle e conscientização.
Sem intervenção efetiva, o estado pode enfrentar um dos maiores surtos de dengue dos últimos anos.