Casos de dengue disparam mais de 1.000% no Tocantins em 2026 e acendem alerta sanitário

Casos de dengue disparam mais de 1.000% no Tocantins em 2026 e acendem alerta sanitário
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 19 de fevereiro de 2026 38

O Tocantins enfrenta um avanço acelerado da dengue em 2026, com aumento de mais de 1.000% no número de casos prováveis em comparação com o mesmo período do ano passado. Dados oficiais da Secretaria de Estado da Saúde apontam que o estado registrou 3.209 casos prováveis nas primeiras semanas epidemiológicas de 2026, contra apenas 271 no mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 1.084,1%.

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O avanço ocorre em meio ao período chuvoso, considerado crítico para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O aumento expressivo já impacta a rede de saúde e amplia o risco de novos surtos nos próximos meses.

Quase 4 mil casos notificados e aumento superior a 120% em um ano

Até o início de fevereiro de 2026, o estado registrou 3.958 casos notificados, contra 1.785 no mesmo período de 2025, o que representa um crescimento de 121,7%.

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Entre os casos analisados:

  • 809 foram classificados como dengue

  • 13 como dengue com sinais de alarme

  • 3 como dengue grave

  • 749 foram descartados

  • 2.384 seguem em investigação ou sem classificação final

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Além disso, o número de casos confirmados saltou de 219 em 2025 para 713 em 2026, um aumento de 225,6%, reforçando a tendência de expansão da doença.

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90 municípios já registraram casos e 38 confirmaram infecções

A dengue já atingiu praticamente todo o território estadual. Segundo o monitoramento oficial, 90 municípios tocantinenses registraram casos suspeitos, e pelo menos 38 cidades confirmaram infecções laboratoriais ou clínicas.

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Entre os municípios com maior concentração de casos estão:

  • Araguaína – 1.165 casos prováveis

  • Colinas do Tocantins – 206 casos

  • Jaú do Tocantins – 105 casos

  • Itaporã do Tocantins – 97 casos

  • Santa Fé do Araguaia – 90 casos

Esses municípios apresentam incidência classificada como “muito alta”, segundo os critérios epidemiológicos da Secretaria de Saúde.

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Palmas e grandes centros também estão sob risco

A capital Palmas aparece entre os municípios com circulação ativa do vírus, com confirmação da presença do sorotipo DENV-2, considerado um dos principais responsáveis por surtos no Brasil.

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Também há circulação simultânea de diferentes sorotipos, incluindo DENV-2, DENV-3 e DENV-4 em municípios como Gurupi, Araguatins e Aliança do Tocantins, o que aumenta o risco de formas mais graves da doença.

Segundo o infectologista e professor da Universidade Federal do Tocantins, Dr. Marcelo Barros, a circulação múltipla do vírus amplia o risco sanitário.

“Quando há mais de um sorotipo circulando, aumenta a chance de reinfecção e de evolução para formas graves. Isso eleva a pressão sobre o sistema de saúde e exige resposta rápida das autoridades”, explica.

Óbitos sob investigação elevam preocupação

Atualmente, há oito mortes suspeitas por dengue em investigação no Tocantins, sendo cinco relacionadas a casos registrados em 2026 e três referentes ao ano anterior.

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Os casos em investigação foram registrados em municípios como:

  • Araguaína

  • Palmas

  • Porto Nacional

  • Cachoeirinha

  • Araguanã

  • São Bento

A confirmação depende de análise laboratorial e investigação clínica.

Fatores climáticos e urbanos favorecem avanço

Especialistas apontam que o período chuvoso, aliado ao crescimento urbano e à presença de criadouros domésticos, contribui diretamente para o aumento dos casos.

Segundo a epidemiologista Ana Paula Ribeiro, especialista em saúde pública, o cenário atual é típico de surtos em regiões tropicais.

“O mosquito se reproduz em água parada e encontra ambiente ideal durante as chuvas. Sem controle contínuo, o número de casos cresce rapidamente, como estamos observando agora”, afirma.

Ela destaca que mais de 80% dos criadouros estão dentro das próprias residências.

Sistema de saúde entra em alerta

O aumento de casos pressiona unidades de saúde, especialmente nas cidades maiores, como Palmas, Araguaína e Gurupi, que concentram maior densidade populacional.

O crescimento também reflete o padrão observado em outros estados brasileiros, onde a dengue voltou a avançar após redução temporária durante o período da pandemia.

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou mais de 1,6 milhão de casos em 2024, o maior número da série histórica.

População precisa agir para conter avanço

Autoridades de saúde reforçam que a principal forma de combate é eliminar criadouros do mosquito.

Entre as medidas recomendadas estão:

  • evitar água parada em recipientes

  • limpar caixas d’água e calhas

  • manter garrafas e pneus protegidos

  • eliminar recipientes que acumulam água

  • permitir entrada de agentes de saúde nas residências

Segundo especialistas, o controle doméstico é decisivo.

“O combate ao mosquito depende diretamente da população. Sem eliminar os criadouros, a tendência é de crescimento contínuo dos casos”, alerta o infectologista Marcelo Barros.

Tendência é de aumento nas próximas semanas

Com a continuidade do período chuvoso e a circulação ativa do vírus, a tendência é de manutenção ou aumento no número de casos nas próximas semanas.

O cenário coloca o Tocantins em situação de alerta epidemiológico e exige intensificação das ações de vigilância, controle e conscientização.

Sem intervenção efetiva, o estado pode enfrentar um dos maiores surtos de dengue dos últimos anos.

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