Observatório Imobiliário Brasileiro centraliza big data e posiciona o país no cenário global
O Brasil passa a contar com uma nova estrutura nacional de inteligência imobiliária voltada à consolidação e análise de dados estratégicos do setor. O Observatório Imobiliário Brasileiro (OIB), lançado pelo Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), surge com o objetivo de reunir informações sobre produção, vendas e locações em uma única plataforma, ampliando a capacidade de monitoramento e análise do mercado imobiliário nacional com base em critérios científicos e comparáveis internacionalmente.
A iniciativa foi oficialmente estruturada em 5 de fevereiro, quando o comitê gestor do OIB, nomeado pelo Sistema Cofeci-Creci, aprovou em Florianópolis (SC) a plataforma técnica que sustentará o projeto. A operação ficará sob responsabilidade da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas (FEPESE), vinculada à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), instituição com atuação consolidada em projetos de análise econômica e desenvolvimento de sistemas baseados em dados.
O observatório nasce com a proposta de integrar dados historicamente fragmentados em diferentes bases públicas e privadas. Atualmente, o Brasil possui diversas fontes de informação sobre o setor imobiliário, incluindo registros cartoriais, financiamentos habitacionais, lançamentos, vendas e locações, mas essas informações permanecem dispersas e sem padronização. A centralização permitirá leitura mais precisa da dinâmica do setor, ampliando a capacidade de análise para investidores, formuladores de políticas públicas e agentes econômicos.
Segundo dados do próprio setor, o mercado imobiliário representa cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, considerando atividades diretas e indiretas ligadas à construção civil, incorporação, comercialização e serviços associados. Em 2025, o volume de vendas imobiliárias alcançou R$ 254,8 bilhões, com crescimento anual de 5,6%. O desempenho reforça o peso estrutural do segmento na economia nacional, tanto pela geração de empregos quanto pela sua capacidade de atrair investimentos e movimentar cadeias produtivas complementares, como indústria de materiais, serviços financeiros e infraestrutura urbana.
A nova plataforma utilizará metodologias de governança de dados, com processos de anonimização irreversível e aplicação de filtros estatísticos que eliminam distorções, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O objetivo é garantir integridade, segurança e confiabilidade das informações, sem identificação individual de compradores, vendedores ou imóveis específicos.
Além de consolidar informações nacionais, o observatório também permitirá comparações com mercados internacionais. Países como Estados Unidos, Canadá e Espanha operam sistemas semelhantes, que fornecem indicadores atualizados sobre transações, preços médios, volume de negócios e comportamento da demanda. Essas bases servem como referência para investidores institucionais, fundos imobiliários e organismos multilaterais, ampliando a previsibilidade e reduzindo riscos de investimento.
No caso brasileiro, a ausência de uma base integrada limitava a transparência e dificultava análises estruturais. A criação do OIB tende a reduzir essa lacuna, fortalecendo a capacidade de planejamento urbano, formulação de políticas habitacionais e avaliação do desempenho regional do setor.
Outro impacto esperado é o aumento da atratividade do Brasil no mercado internacional. A disponibilização de dados padronizados e comparáveis facilita a análise por investidores estrangeiros, especialmente fundos imobiliários globais e instituições financeiras que utilizam indicadores técnicos como base para decisões de alocação de capital.
O observatório não possui função fiscalizatória ou regulatória. Sua atuação está restrita à produção e análise de inteligência de mercado, com foco na geração de conhecimento estruturado para orientar decisões estratégicas do setor público e privado.
Com a integração entre o Sistema Cofeci-Creci, a UFSC e a FEPESE, o Brasil passa a contar com uma plataforma nacional voltada exclusivamente à leitura estruturada do mercado imobiliário. A iniciativa posiciona o país em linha com economias que utilizam big data como instrumento central de planejamento econômico e desenvolvimento urbano, ampliando a capacidade de análise de tendências e fortalecendo a transparência do setor imobiliário nacional.