44,9% da população de Palmas vive de aluguel, maior índice entre capitais, e expõe nova fase urbana da cidade

44,9% da população de Palmas vive de aluguel, maior índice entre capitais, e expõe nova fase urbana da cidade
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 20 de fevereiro de 2026 17

Quase metade dos moradores de Palmas vive sem imóvel próprio. O dado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que 44,9% da população da capital tocantinense reside em casas ou apartamentos alugados, o maior percentual entre todas as capitais brasileiras em 2024. O índice revela uma transformação estrutural no perfil habitacional da cidade e confirma uma demanda expressiva por acesso à moradia própria, fenômeno típico de centros urbanos em expansão acelerada.

O percentual coloca Palmas em uma posição singular no cenário nacional. Enquanto a média brasileira de moradores em imóveis alugados permanece entre 21% e 25%, segundo séries históricas do IBGE, capitais consolidadas como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam índices entre 30% e 35%. Palmas ultrapassa esse patamar e evidencia uma dinâmica urbana associada ao crescimento recente e à formação patrimonial ainda em consolidação.

Fundada em 1989, Palmas é a capital mais jovem do país e apresenta características típicas de cidades em processo de estruturação urbana. Ao contrário de capitais com ocupação consolidada ao longo de séculos, a cidade atravessa sua primeira fase de formação patrimonial em larga escala. Isso significa que grande parte da população ainda não acumulou patrimônio imobiliário próprio, o que eleva a dependência do mercado de locação.

Segundo o economista urbano Ricardo Valença, especialista em mercado habitacional e desenvolvimento regional, o índice elevado reflete um estágio específico de evolução urbana.“Esse percentual de 44,9% é típico de cidades em expansão recente. Palmas ainda está construindo sua base patrimonial. Isso ocorre quando a população cresce mais rápido do que a capacidade de aquisição imobiliária. O aluguel funciona como etapa intermediária até que essas famílias consigam acessar crédito e migrar para a casa própria”, afirma.

De acordo com ele, o indicador não representa apenas dificuldade de acesso à moradia, mas também sinaliza potencial de expansão do setor imobiliário.“Esse é um dado que interessa diretamente ao mercado. Quanto maior a população vivendo de aluguel, maior é o potencial de crescimento da construção civil e do financiamento habitacional nos anos seguintes. Isso tende a impulsionar novos empreendimentos e ampliar o acesso à propriedade”, explica.

Realidade vivida por moradores confirma cenário apontado pelo IBGE

Para quem vive essa realidade, o aluguel representa uma etapa necessária, mas temporária. A assistente administrativa Juliana Martins, de 34 anos, mora de aluguel há seis anos na região sul de Palmas e afirma que o custo da moradia é um dos principais compromissos do orçamento familiar.“Hoje eu pago R$ 1.200 de aluguel. É um valor que pesa bastante no orçamento, principalmente porque é um dinheiro que não retorna como patrimônio. Meu objetivo é financiar um imóvel, mas ainda estou juntando a entrada”, relata.

Ela afirma que o crescimento da cidade contribuiu para o aumento dos preços.“Palmas cresceu muito nos últimos anos. Novos bairros surgiram, a cidade ficou mais valorizada e isso refletiu no aluguel. Por isso, muita gente está buscando financiamento”, diz.A situação de Juliana representa uma parcela significativa da população local. O aluguel oferece flexibilidade e acesso imediato à moradia, mas não gera patrimônio, o que reforça o desejo de aquisição da casa própria.

Feirão da Casa Própria surge como resposta à demanda habitacional crescente

O cenário ajuda a explicar o fortalecimento de iniciativas voltadas à aquisição imobiliária, como o Feirão da Casa Própria, que chega à segunda edição em Palmas entre os dias 25 de fevereiro e 1º de março, no estacionamento coberto da Havan.

O evento reúne incorporadoras e construtoras que atuam na cidade e apresenta opções que incluem casas, apartamentos e lotes em diferentes regiões da capital. Os imóveis partem de R$ 190 mil e contemplam desde empreendimentos financiáveis até unidades de médio e alto padrão.

Na edição anterior, cerca de 3 mil pessoas participaram do feirão, que movimentou mais de R$ 10 milhões em negociações realizadas durante os dias de evento. O número confirma a existência de uma demanda reprimida por moradia própria na capital.

Segundo o diretor comercial Flávio Oliveira, o índice divulgado pelo IBGE reforça a relevância da iniciativa.“Quando quase metade da população vive de aluguel, fica evidente que há milhares de famílias buscando acesso à casa própria. O feirão reúne imóveis, crédito e negociação no mesmo ambiente, facilitando esse processo e aproximando o comprador da oportunidade”, afirma.

Mercado imobiliário acompanha consolidação econômica da capital

O elevado percentual de moradores em imóveis alugados acompanha o processo de consolidação urbana e econômica de Palmas. O crescimento da cidade, impulsionado pelo setor público, pelo comércio e pela expansão regional, elevou a demanda por moradia e fortaleceu o setor imobiliário.

Segundo especialistas, o índice tende a cair gradualmente à medida que o crédito imobiliário se expande e mais famílias conseguem acessar financiamento habitacional. Esse movimento já ocorreu em outras capitais brasileiras em fases semelhantes de desenvolvimento urbano.

O dado divulgado pelo IBGE, portanto, não apenas revela a atual dependência do aluguel, mas também indica o potencial de crescimento do mercado imobiliário local. A capital tocantinense atravessa uma fase de transição, na qual o aluguel representa a porta de entrada para a formação patrimonial de uma geração que constrói, pela primeira vez, sua base imobiliária própria.

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