Tomate dispara 46% e aperta orçamento das famílias em Palmas
Os preços de frutas, legumes e hortaliças comercializados na Ceasa de Palmas registraram aumentos expressivos nos primeiros meses de 2026, com altas que chegam a 54% em alguns produtos, segundo dados do sistema Prohort, da Companhia Nacional de Abastecimento, atualizados em 23 de fevereiro. O impacto é direto no orçamento das famílias e tem sido sentido principalmente por donas de casa, responsáveis pelas compras diárias de alimentos.
O tomate, um dos itens mais consumidos pelos brasileiros, apresentou uma das maiores oscilações. O produto variou de R$ 3,25 para R$ 4,75 em um intervalo inferior a três meses, o que representa aumento de 46%. Atualmente, aparece cotado a R$ 4,00 no mercado atacadista da capital tocantinense.
Outro destaque é o melão amarelo, que subiu de R$ 3,50 para R$ 5,41 no período analisado. O aumento acumulado é de 54,5%, refletindo redução na oferta e aumento da demanda durante o verão. O alho também permanece entre os produtos mais caros, com preço atual de R$ 16,75, influenciado pelos custos logísticos e pela dependência parcial de importações.
Para a dona de casa Maria Aparecida Lima, moradora da região norte de Palmas, o aumento é perceptível no cotidiano.“O tomate é essencial na alimentação, mas hoje preciso pesquisar mais antes de comprar. O valor subiu muito e a gente acaba levando menos”, afirma.
Situação semelhante é relatada por Ana Paula Martins, que administra o orçamento doméstico de uma família de quatro pessoas.“Antes comprávamos frutas e verduras com mais variedade. Agora precisamos escolher mais e substituir alguns produtos”, diz.
Segundo o economista agrícola Fernando Bastos, especialista em abastecimento e cadeias alimentares, o comportamento dos preços reflete fatores estruturais.
“Produtos hortigranjeiros têm alta volatilidade porque dependem diretamente do clima, da logística e do ciclo produtivo. Pequenas alterações na oferta geram impacto imediato no preço ao consumidor”, explica.
Diferença entre produtos ultrapassa 400%
Os dados mostram que a média geral dos preços é de R$ 5,54. No entanto, a diferença entre os produtos é significativa. Enquanto a cebola aparece cotada a R$ 3,13, o alho supera R$ 16,75. A diferença entre o item mais barato e o mais caro ultrapassa 430%.
Frutas como banana nanica, cotada a R$ 4,00, e mamão formosa, a R$ 5,50, apresentam maior estabilidade. Já produtos como tomate, melão e pimentão registram maior volatilidade devido à sazonalidade e à variação na oferta.
Impacto direto no orçamento familiar
Considerando o consumo médio mensal de hortifrúti de uma família brasileira, uma variação média de 20% pode representar aumento de até R$ 60 por mês no orçamento doméstico. Em um ano, o impacto pode superar R$ 700.
Segundo o economista Carlos Mendes, especialista em inflação e consumo, alimentos frescos têm peso relevante na percepção econômica das famílias.
“O consumidor sente mais o aumento em produtos de compra frequente. Mesmo que a inflação geral esteja controlada, a alta nos alimentos afeta diretamente a sensação de custo de vida”, afirma.
Tendência depende da oferta e do clima
Historicamente, os preços tendem a se estabilizar a partir do segundo trimestre, com a entrada de novas safras. No entanto, fatores como eventos climáticos extremos, custo do transporte e volume de produção continuarão influenciando o comportamento do mercado.
Os dados indicam que, apesar da média geral relativamente estável, a volatilidade interna dos preços permanece elevada. Para o consumidor, o reflexo é imediato, com impacto direto no orçamento e nos hábitos alimentares.