Investimento de R$ 400 milhões na BR-364 reduz custo logístico e fortalece escoamento de grãos pelo Arco Norte

Investimento de R$ 400 milhões na BR-364 reduz custo logístico e fortalece escoamento de grãos pelo Arco Norte
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 24 de fevereiro de 2026 11

O investimento superior a R$ 400 milhões realizado em 2025 na BR-364, em Rondônia, altera a dinâmica logística de uma das principais rotas de exportação agrícola do país e contribui para reduzir um dos maiores entraves estruturais do agronegócio brasileiro: o custo de transporte. O corredor rodoviário, que liga Vilhena, na divisa com Mato Grosso, a Porto Velho, deve viabilizar o escoamento de 6,5 milhões de toneladas de grãos até maio deste ano, segundo estimativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A rodovia é parte do chamado Arco Norte, sistema logístico que conecta a produção do Centro-Oeste e do MATOPIBA aos portos da região amazônica, encurtando distâncias e reduzindo custos em comparação às rotas tradicionais com destino aos portos do Sudeste e Sul.

O aporte, conduzido pela concessionária Nova 364, foi direcionado à recuperação estrutural do pavimento, modernização da sinalização e implantação de bases operacionais com suporte técnico permanente. A medida busca reduzir perdas operacionais associadas à má conservação viária, que historicamente comprometeram a eficiência do transporte na região.

Custo logístico elevado reduz competitividade do agronegócio

A precariedade da infraestrutura rodoviária tem impacto direto sobre o custo final da produção agrícola. Dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT) indicam que o transporte em rodovias com baixa qualidade eleva o custo operacional em até 38,1% em Rondônia, refletindo maior consumo de combustível, desgaste acelerado de veículos e aumento do tempo de viagem.

Em termos financeiros, os prejuízos logísticos associados às condições da malha rodoviária alcançaram R$ 155,6 milhões apenas em 2025, segundo levantamento da CNT. Esse custo é absorvido ao longo da cadeia produtiva e reduz a margem de produtores, transportadores e exportadores.

A logística representa entre 20% e 30% do custo total da soja brasileira exportada, percentual significativamente superior ao observado em países concorrentes como Estados Unidos e Argentina, onde o custo logístico é menor devido à maior participação de ferrovias e hidrovias.

Arco Norte amplia competitividade das exportações brasileiras

O fortalecimento da BR-364 ocorre em um contexto de reconfiguração do sistema logístico nacional. O Arco Norte tem ampliado sua participação nas exportações agrícolas brasileiras ao longo da última década, impulsionado pela expansão da produção no Centro-Oeste e pela busca por rotas mais eficientes.

Segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), os portos do Arco Norte responderam por cerca de 38% das exportações brasileiras de soja e milho em 2024, ante menos de 20% dez anos antes. O crescimento reflete o deslocamento gradual do eixo logístico do Sudeste para a região Norte.

A rota reduz significativamente a distância entre as áreas produtoras e os portos. Enquanto o transporte até Santos pode ultrapassar 2.000 quilômetros, o acesso aos terminais fluviais do Norte reduz esse trajeto em até 30%, com impacto direto sobre o custo do frete.

Esse ganho logístico é considerado estratégico em um cenário de forte concorrência global. O Brasil disputa mercado com Estados Unidos e Argentina, principais exportadores de soja, e a eficiência logística é um dos fatores determinantes para a competitividade.

Corredor conecta maior região produtora do país aos mercados internacionais

A BR-364 é uma das principais rotas de escoamento da produção do Mato Grosso, estado responsável por aproximadamente 30% da soja produzida no Brasil, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A rodovia conecta essa produção aos terminais portuários de Porto Velho, que operam como ponto de integração com o sistema hidroviário amazônico.

O corredor logístico também atende áreas em expansão agrícola em Rondônia, sul do Amazonas e regiões próximas ao MATOPIBA, considerada a última grande fronteira agrícola consolidada do país.

O fortalecimento dessa infraestrutura reduz a dependência histórica dos portos do Sudeste, que operam próximos ao limite de capacidade em períodos de pico da safra.

Infraestrutura rodoviária se torna variável estratégica do crescimento agrícola

A melhoria das condições da BR-364 insere-se em uma estratégia mais ampla de redução do chamado custo Brasil, termo que define o conjunto de ineficiências estruturais que encarecem a produção nacional.

O agronegócio representa cerca de 24% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e mais de 48% das exportações totais, segundo o Ministério da Agricultura. A eficiência logística é um dos fatores centrais para sustentar a expansão do setor.

A modernização da rodovia contribui para reduzir custos operacionais, melhorar a previsibilidade logística e aumentar a capacidade de escoamento, fatores que impactam diretamente a competitividade da produção brasileira no mercado internacional.

O fortalecimento do Arco Norte sinaliza uma mudança estrutural na logística agrícola nacional e consolida a região como eixo estratégico para o escoamento da produção e expansão das exportações nos próximos anos.

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