Casos de dengue quase dobram em nove dias em Araguaína e acendem alerta sanitário

Casos de dengue quase dobram em nove dias em Araguaína e acendem alerta sanitário
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 25 de fevereiro de 2026 8

O município de Araguaína registrou crescimento acelerado nos casos de dengue em fevereiro, com aumento de 84% nas confirmações em apenas nove dias. O número saltou de 502 casos confirmados em 12 de fevereiro para 923 registros até o dia 20, segundo dados da Secretaria Municipal da Saúde. O avanço da doença colocou o sistema de vigilância em alerta e levou à intensificação de ações emergenciais de controle.

No mesmo período, o total de notificações subiu de 1.418 para 2.114 casos suspeitos, evidenciando ampliação da transmissão do vírus na cidade. Atualmente, três mortes já foram confirmadas por dengue, e outras duas permanecem sob investigação.

Crescimento acelerado preocupa autoridades sanitárias

O aumento expressivo das confirmações em curto intervalo é considerado um indicador crítico de circulação ativa do vírus. O crescimento superior a 400 novos casos confirmados em pouco mais de uma semana reforça o risco de agravamento do cenário epidemiológico.

Dados da vigilância apontam que 85% dos bairros de Araguaína já apresentam casos prováveis da doença, enquanto 73% registram transmissão ativa. Entre as regiões com maior incidência estão Araguaína Sul, Monte Sinai, Vila Azul, Nova Araguaína, Setor Carajás e Setor Santa Terezinha.

Especialistas explicam que a rápida expansão está associada à combinação de fatores como altas temperaturas, chuvas recentes e presença de criadouros do mosquito Aedes aegypti.

Recusas a visitas domiciliares dificultam controle da doença

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas equipes de saúde tem sido a recusa de moradores em permitir a entrada de agentes de combate às endemias. Em 2026, já foram registradas 55 recusas, número mais de quatro vezes superior à média histórica de 12 recusas no mesmo período em anos anteriores.

A resistência dificulta a identificação e eliminação de focos do mosquito. Segundo a Secretaria de Saúde, em uma única residência foram encontrados mais de 40 criadouros, evidenciando o impacto direto do ambiente doméstico na propagação da doença.

A secretária municipal de Saúde, Dênia Rodrigues, alertou que o controle depende da colaboração coletiva.

“Receber o agente é fundamental para identificar focos que muitas vezes passam despercebidos e que podem colocar toda a comunidade em risco”, afirmou.

Ações emergenciais incluem fumacê e mutirões

Para conter o avanço da dengue, o município ampliou as ações de campo, incluindo aplicação de inseticida por meio do chamado fumacê e mutirões de eliminação de criadouros.

Entre as principais medidas adotadas estão:

  • 1.320 imóveis borrifados em bloqueios químicos

  • 2.037 quarteirões trabalhados desde o início das ações

  • 48.500 imóveis alcançados pelas equipes de controle

  • 1.263 focos eliminados

  • recolhimento de 200 pneus, considerados criadouros críticos

As pulverizações ocorrem em horários estratégicos, no início da manhã e no fim da tarde, períodos de maior atividade do mosquito transmissor.

Comitê monitora evolução da epidemia

Diante do avanço da doença, a Prefeitura instalou uma Sala de Situação da Dengue, estrutura que reúne especialistas e equipes técnicas para monitoramento contínuo e definição de estratégias de enfrentamento.

O grupo inclui representantes da vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, controle químico, atenção primária e outros setores envolvidos na resposta à epidemia.

Tocantins enfrenta cenário semelhante ao restante do país

O aumento dos casos em Araguaína acompanha tendência observada em diversas regiões do Brasil, onde condições climáticas favoráveis têm contribuído para a proliferação do mosquito transmissor.

Temperaturas elevadas e períodos de chuva criam condições ideais para a reprodução do Aedes aegypti, especialmente em ambientes urbanos com acúmulo de água parada.

Participação da população é decisiva

Autoridades sanitárias destacam que o controle da dengue depende diretamente da eliminação de criadouros domésticos, principal ambiente de reprodução do mosquito.

Medidas simples podem reduzir significativamente o risco de transmissão, como:

  • eliminar recipientes com água parada

  • limpar calhas e caixas d’água

  • evitar acúmulo de lixo e entulhos

  • permitir a entrada de agentes de saúde

A Secretaria Municipal de Saúde mantém canais para denúncias e orientação à população, como telefone e atendimento via WhatsApp.

O crescimento acelerado dos casos coloca Araguaína em estado de alerta e reforça a necessidade de medidas coordenadas entre poder público e população para conter a expansão da doença.

Notícias relacionadas