Exclusivo ao Diário Tocantinense: Após resultados do Enamed, Alexandre Padilha endurece discurso sobre Mais Médicos e cobra rigor na formação no Tocantins
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou com exclusividade ao Diário Tocantinense que os resultados do Enamed reforçam a necessidade de rigor absoluto na formação médica no Brasil, especialmente em estados como o Tocantins, que ampliaram a oferta de cursos nos últimos anos.
Segundo ele, o Programa Mais Médicos, criado em 2013 no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra em uma nova fase baseada em avaliação contínua, controle rigoroso na abertura de cursos e expansão estruturada da residência médica. “O país precisa formar melhor. Não basta aumentar vagas. É preciso garantir qualidade, hospital de ensino e residência”, declarou.
No Tocantins, cinco instituições ofertam curso de medicina, com classificações oficiais divulgadas nos últimos ciclos avaliativos do MEC, que variam de 1 a 5.
A Universidade Federal do Tocantins obteve Conceito de Curso 4 no Enade e CPC mais recentes, considerado desempenho bom e acima da média nacional.
A Universidade Estadual do Tocantins também alcançou Conceito 4 no curso de medicina em Palmas, classificação que indica qualidade satisfatória e estrutura adequada segundo os parâmetros federais.
A Universidade de Gurupi registrou Conceito 3, classificação considerada regular. Em ciclos anteriores, a instituição sofreu rebaixamento em indicadores acadêmicos, permanecendo dentro do limite mínimo satisfatório exigido pelo MEC.
O Centro Universitário Tocantinense Presidente Antônio Carlos obteve Conceito 3, também enquadrado como regular, dentro do padrão mínimo permitido.
A Faculdade de Ciências Médicas Afya Palmas alcançou Conceito 4 nas últimas avaliações oficiais, classificação considerada boa no ranking nacional.
Pela escala do MEC, Conceito 1 e 2 são considerados insatisfatórios e podem resultar em sanções como suspensão de vestibulares, redução de vagas e visitas de supervisão presencial. Conceito 3 é regular, enquanto Conceitos 4 e 5 indicam desempenho elevado ou de excelência.
Padilha afirmou que, entre 2018 e 2022, o país autorizou cerca de 23 mil novas vagas de medicina, muitas concentradas em grandes centros urbanos, o que ampliou a oferta sem necessariamente garantir expansão proporcional de residência médica. “Aumentar médicos sem garantir formação completa gera distorções”, pontuou.
O Ministério da Saúde afirma que o Enamed passa a dialogar diretamente com o Enare, vinculando desempenho na graduação ao acesso à residência médica. O governo também destacou que houve retomada no financiamento federal da residência: foram 150 vagas em 2021, nenhuma em 2022 e mais de 2,4 mil vagas financiadas pela União em 2025.
O ministro, que acompanha o presidente Lula em agendas internacionais na Índia, Coreia do Sul e outros países, afirmou que o Brasil busca alinhar expansão com padrão internacional de qualidade. Em países como Canadá, a residência é obrigatória. Em modelos como Reino Unido e Austrália, médicos sem residência atuam sob supervisão formal.
No Tocantins, onde há concentração de médicos em Palmas e Araguaína e déficit em municípios do interior, o endurecimento regulatório pode impactar projetos de expansão, como a intenção da Universidade de Gurupi de ampliar atuação para Colinas do Tocantins.
Segundo o Ministério da Saúde, a nova fase do Mais Médicos une regulação, avaliação e residência médica como pilares estratégicos. “Formar melhor é garantir o direito constitucional à saúde”, concluiu Padilha.