Caminhada do Silêncio em São Paulo marca nova edição em 2026 e reforça debate sobre memória e violência do Estado
Ato público reúne familiares de vítimas, entidades civis e defensores de direitos humanos em percurso simbólico entre o antigo DOI-Codi e o Parque Ibirapuera
A cidade de São Paulo sediará, no dia 29 de março de 2026, a 6ª edição da Caminhada do Silêncio pelas Vítimas de Violência do Estado, mobilização que reúne familiares, organizações da sociedade civil e defensores de direitos humanos em um ato público voltado à preservação da memória histórica e à defesa de justiça e reparação. A concentração está prevista para as 16h, em frente ao antigo prédio do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi, na Rua Tutóia, na Vila Mariana.
O percurso seguirá até o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos, localizado no Parque Ibirapuera, ponto simbólico que representa o reconhecimento das vítimas da repressão estatal no Brasil. O início da caminhada está previsto para as 17h, com encerramento próximo ao Portão 10 do parque.
O evento ocorre em um contexto de renovação do debate público sobre memória, justiça e responsabilização histórica no país. O DOI-Codi, ponto inicial da caminhada, foi um dos principais centros de repressão durante o regime militar brasileiro, entre 1964 e 1985, período em que órgãos de segurança do Estado atuaram na perseguição a opositores políticos.
Dados da Comissão Nacional da Verdade indicam que ao menos 434 pessoas foram mortas ou desapareceram por motivos políticos durante a ditadura militar no Brasil. O relatório final da comissão, divulgado em 2014, também identificou centenas de casos de tortura, prisões arbitrárias e violações sistemáticas de direitos humanos.
A Caminhada do Silêncio busca ampliar o reconhecimento público desses episódios e reforçar o compromisso institucional com a preservação da memória histórica. O ato reúne familiares de vítimas tanto do período ditatorial quanto de casos contemporâneos de violência estatal, estabelecendo uma conexão entre passado e presente no debate sobre direitos humanos no país.
O evento é organizado pelo Movimento Vozes do Silêncio, com participação do Núcleo de Preservação da Memória Política e do Instituto Vladimir Herzog, entidade criada após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog em 1975, nas dependências do DOI-Codi, caso que se tornou um dos marcos da luta pela redemocratização brasileira.
A Caminhada do Silêncio integra oficialmente o calendário da cidade de São Paulo, conforme estabelecido pela Lei nº 17.886, de autoria do deputado estadual Antonio Donato. A inclusão institucional reforça o reconhecimento do ato como parte das políticas de preservação da memória histórica e de promoção da cidadania.
Especialistas em direitos humanos afirmam que eventos desse tipo possuem papel relevante na construção de políticas públicas voltadas à reparação histórica e à prevenção de novas violações. Experiências internacionais, como as políticas de memória adotadas na Argentina, Alemanha e África do Sul, indicam que iniciativas públicas de reconhecimento histórico contribuem para fortalecer instituições democráticas e promover cultura de direitos humanos.
A mobilização também ocorre em um momento de renovação do debate sobre o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais e na responsabilização por violações históricas. A participação de organizações civis, entidades acadêmicas e familiares de vítimas amplia o alcance do evento e reforça sua dimensão social e política.
A expectativa dos organizadores é reunir centenas de participantes na edição de 2026, consolidando a Caminhada do Silêncio como uma das principais manifestações públicas voltadas à preservação da memória histórica e à defesa dos direitos humanos no Brasil.