Tocantins aparece cinco vezes em arquivos do caso Epstein e motivo está ligado a alerta internacional de saúde, não a investigação criminal

Tocantins aparece cinco vezes em arquivos do caso Epstein e motivo está ligado a alerta internacional de saúde, não a investigação criminal
Jeffrey Epstein aparece nesta imagem divulgada pelos democratas do Comitê de Supervisão da Câmara em dezembro. Democratas do Comitê de Supervisão da Câmara/Reuters
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 26 de fevereiro de 2026 19

Os arquivos internacionais ligados ao caso do financista norte-americano Jeffrey Epstein mencionam o Estado do Tocantins cinco vezes dentro de documentos anexados ao material judicial divulgado nos Estados Unidos. A análise do conteúdo mostra que as citações não tratam de investigações criminais, nomes políticos ou movimentações financeiras, mas sim de registros técnicos ligados à saúde internacional e protocolos de viagem.

Nos documentos, o Tocantins aparece especificamente em relatórios médicos e formulários internacionais de orientação sanitária, utilizados para controle de deslocamento de passageiros entre países.

Entre as informações presentes nos arquivos estão:

• Listagem de regiões do Brasil consideradas área de risco para febre amarela segundo autoridades sanitárias internacionais
• Recomendações obrigatórias de vacinação contra febre amarela para viajantes provenientes ou que tenham passado pelo Tocantins
• Orientação de apresentação do Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) em aeroportos internacionais
• Protocolos médicos utilizados por companhias aéreas e autoridades migratórias para autorização de embarque
• Referência geográfica ao Tocantins dentro de mapas epidemiológicos globais anexados a documentos de circulação internacional

O infectologista brasileiro Dr. Julio Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ouvido pelo Diário Tocantinense, explica que esse tipo de documento é comum em bases internacionais. “Relatórios sanitários são utilizados mundialmente para controle epidemiológico. A presença de um estado brasileiro nesses registros não possui qualquer relação com investigações criminais”, afirmou.

O sanitarista Dr. Gonzalo Vecina Neto, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Anvisa, destaca que documentos judiciais internacionais frequentemente incorporam anexos técnicos diversos. “São materiais administrativos usados para segurança em viagens internacionais. Eles acabam integrando grandes arquivos processuais mesmo sem ligação direta com o objeto criminal”, explicou ao Diário Tocantinense.

No campo jurídico, o professor de Direito Internacional da Universidade de Brasília (UnB), Dr. Valerio Mazzuoli, reforça que os chamados Epstein Files reúnem milhões de páginas com conteúdos complementares. “Muitos anexos dizem respeito a logística, saúde e circulação internacional de pessoas. Isso não significa envolvimento institucional do local citado”, pontuou.

Não há, nos documentos divulgados, qualquer menção a autoridades do Tocantins, agentes públicos, empresários locais ou governos estaduais brasileiros. A citação ocorre exclusivamente dentro de protocolos internacionais de saúde pública relacionados à prevenção epidemiológica.

Dessa forma, o nome do Tocantins aparece nos arquivos do caso Epstein apenas como referência sanitária internacional vinculada ao controle de vacinação em viagens, sem qualquer conexão com o escândalo criminal investigado pelas autoridades norte-americanas.

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