DE OLHO NA POLÍTICA: articulações de Dorinha, Gomes, Kátia e aliados redesenham disputa de 2026 no Tocantins
O cenário político do Tocantins entrou em uma nova fase de reorganização, marcada por encontros estratégicos, reaproximações históricas e movimentos silenciosos que reposicionam lideranças e redesenham o tabuleiro eleitoral para 2026. Nos bastidores, reuniões, conversas reservadas e gestos públicos revelam uma disputa que já começou, ainda que oficialmente distante do calendário eleitoral.
A senadora Dorinha Seabra Rezende intensificou sua agenda institucional e prepara uma reunião considerada estratégica com o governador Wanderlei Barbosa. O encontro ocorre em um momento decisivo, após sua consolidação como nome competitivo para liderar um projeto majoritário no estado. O diálogo entre os dois é interpretado como um movimento de alto impacto político, com potencial para definir convergências administrativas e, ao mesmo tempo, estabelecer os limites de alianças futuras.
Dorinha reúne capital político relevante. Eleita senadora em 2022 com mais de 395 mil votos, construiu trajetória baseada em articulação institucional, especialmente nas áreas de educação e políticas públicas. Sua movimentação atual sinaliza a construção gradual de uma base mais ampla, com interlocução tanto no Executivo estadual quanto no Congresso Nacional.
Eduardo Gomes amplia presença e reforça posição estratégica

O senador Eduardo Gomes também intensificou sua atuação política, mantendo presença constante entre Brasília e o Tocantins. Com perfil de articulador e histórico de influência em decisões estratégicas, Gomes preserva posição central na estrutura política estadual.
Sua atuação no Congresso, aliada à interlocução com prefeitos e lideranças regionais, sustenta sua relevância em qualquer composição futura. No Tocantins, onde o peso das alianças municipais é decisivo, a capacidade de articulação federativa é um dos principais ativos políticos.
Historicamente, nomes com trânsito consolidado em Brasília têm papel determinante nas disputas estaduais. O controle de recursos, emendas e projetos federais amplia a capacidade de influência e fortalece bases eleitorais.
Reaproximação entre Eduardo Siqueira Campos e Kátia Abreu reacende rearranjos

Outro movimento que chamou atenção foi a reaproximação entre o ex-prefeito de Palmas Eduardo Siqueira Campos e a ex-senadora Kátia Abreu. Ambos possuem trajetórias políticas consolidadas e histórico de protagonismo no estado.
Kátia Abreu, que exerceu mandato no Senado por 16 anos e ocupou o Ministério da Agricultura entre 2015 e 2016, mantém influência relevante nos bastidores políticos e empresariais. Já Eduardo Siqueira Campos carrega um capital simbólico associado ao legado do ex-governador Siqueira Campos, figura central na criação e consolidação institucional do Tocantins.
A reaproximação entre os dois é interpretada como um possível sinal de reorganização do centro político, tradicionalmente decisivo nas disputas estaduais. Esse campo intermediário, que não se alinha rigidamente a extremos ideológicos, costuma funcionar como eixo de governabilidade e construção de maiorias.
Assembleia Legislativa também entra no radar com possíveis mudanças partidárias

Na Assembleia Legislativa, o deputado Lucas Campelo aparece no centro de especulações sobre uma possível mudança partidária, com eventual migração para o Podemos. Alterações desse tipo, embora aparentemente pontuais, podem provocar efeito cascata na reorganização de blocos parlamentares.
Mudanças partidárias influenciam diretamente a composição de forças, acesso a recursos e estrutura eleitoral, especialmente em anos que antecedem eleições majoritárias.
A ex-deputada e ex-secretária estadual Cláudia Lelis também permanece no radar político. Com trajetória técnica consolidada e experiência administrativa, é considerada uma liderança com potencial de expansão, especialmente caso consiga ampliar sua presença no interior, onde se concentram mais de 60% do eleitorado tocantinense.
Eduardo do Dertins e Amélio Cayres ampliam interlocução política

O deputado Eduardo do Dertins tem ampliado interlocução com diferentes grupos políticos e voltou a ser citado com frequência em análises sobre rearranjos governistas. Sua experiência parlamentar e histórico de articulação o colocam novamente como figura relevante no cenário estadual.
Já o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, mantém peso institucional significativo. Sua posição no comando do Legislativo estadual garante visibilidade e influência direta nas decisões políticas e administrativas.
No Tocantins, o controle ou influência sobre a Assembleia Legislativa historicamente exerce papel estratégico na governabilidade e na construção de candidaturas majoritárias.
Tensão nos bastidores envolve cargos e nomeações

Paralelamente às articulações públicas, cresce a tensão envolvendo nomes ligados à estrutura administrativa estadual. Relatos indicam que Fábio Vaz e Carlos Felinto têm sido alvo de cobranças relacionadas a cargos prometidos e ainda não oficializados no Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins).
A disputa por espaços administrativos é parte estrutural da dinâmica política brasileira e influencia diretamente a formação de alianças. O controle de cargos estratégicos permite ampliar influência regional e consolidar bases eleitorais.
Disputa de 2026 começa antes do calendário oficial
Embora as eleições estaduais ocorram apenas em outubro de 2026, o processo político já entrou em fase de construção. No Brasil, a formação de candidaturas majoritárias começa com antecedência, envolvendo articulações institucionais, alianças regionais e consolidação de bases.
No Tocantins, estado com pouco mais de 1,1 milhão de eleitores, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o peso das alianças pessoais, regionais e institucionais é determinante.
Cada reunião, aproximação ou silêncio estratégico passa a integrar o processo de construção do próximo ciclo político.
O tabuleiro está em movimento. E, no Tocantins, o jogo de 2026 já começou.