Vereadora propõe audiência pública sobre possível desapropriação no Jardim Progresso em Colinas do Tocantins

Vereadora propõe audiência pública sobre possível desapropriação no Jardim Progresso em Colinas do Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de março de 2026 4

A Câmara Municipal de Colinas do Tocantins deve discutir nos próximos dias a situação de moradores do setor Jardim Progresso, após a apresentação de um pedido de audiência pública para debater a possibilidade de desapropriação de imóveis na região. A iniciativa foi apresentada pela vereadora Naiara Miranda, que defende a ampliação do diálogo entre o poder público, especialistas e as famílias que vivem no local.

Segundo a parlamentar, a audiência busca esclarecer quais são os limites legais para desapropriações urbanas, além de avaliar quais alternativas existem para garantir segurança jurídica aos moradores que residem na área.

“O objetivo é trazer transparência ao processo e ouvir todos os envolvidos, principalmente as famílias que vivem no Jardim Progresso há anos”, afirmou a vereadora.

A discussão ganhou relevância no município diante da preocupação de moradores com a possibilidade de perda das residências e com a necessidade de entender quais direitos podem ser reivindicados em situações semelhantes.

Debate envolve direito urbanístico e regularização fundiária

Especialistas em direito urbanístico apontam que processos de desapropriação no Brasil são regulados principalmente pelo Decreto-Lei nº 3.365/1941, que estabelece as regras para desapropriações por interesse público, além de dispositivos constitucionais relacionados à função social da propriedade.

Pela legislação brasileira, o poder público pode desapropriar imóveis quando existe interesse público, necessidade pública ou utilidade pública, desde que haja indenização justa e prévia aos proprietários.

No entanto, quando se trata de áreas ocupadas por moradores há muitos anos, entram em discussão outros instrumentos jurídicos previstos na legislação urbana, como:

regularização fundiária urbana
direito à moradia
usucapião urbano
programas de titulação de propriedade

Esses instrumentos foram fortalecidos principalmente após a criação do Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001), que estabelece diretrizes para a política urbana no Brasil e incentiva a regularização de assentamentos consolidados.

Situação do Jardim Progresso preocupa moradores

Moradores do setor Jardim Progresso afirmam que muitas famílias vivem no local há anos e investiram recursos próprios na construção de suas casas. A possibilidade de desapropriação gerou apreensão entre os residentes, que buscam informações sobre quais caminhos legais podem seguir para defender o direito à moradia.

A líder comunitária Paula Cred, representante da associação de moradores do setor, afirma que a comunidade pretende acompanhar o debate e buscar esclarecimentos sobre a situação da área. “A nossa preocupação é entender exatamente o que está acontecendo e quais são os direitos das famílias que vivem aqui”, afirmou.

Câmara deve ouvir moradores e especialistas

A proposta de audiência pública pretende reunir representantes do poder público, moradores, especialistas em direito urbanístico e lideranças comunitárias para discutir possíveis soluções.

A vereadora Elma, que também acompanha o tema na Câmara, destacou que o debate é importante para garantir transparência e evitar conflitos sociais.

Segundo parlamentares, o encontro deve abordar temas como:direitos dos moradores em processos de desapropriação possibilidades de regularização fundiária
responsabilidades do município em áreas ocupadas indenização e reassentamento de famílias

O que diz a legislação sobre desapropriações

Juristas explicam que a desapropriação é um instrumento previsto na Constituição Federal, mas deve seguir critérios legais rigorosos.

Entre os principais pontos exigidos pela legislação estão:

comprovação de interesse público ou utilidade pública, processo administrativo ou judicial,  indenização justa ao proprietário, possibilidade de contestação judicial

Nos casos em que a área apresenta ocupação consolidada por famílias de baixa renda, especialistas apontam que políticas de regularização fundiária podem ser consideradas antes de medidas de remoção.

A expectativa é que a audiência pública seja marcada nas próximas semanas e sirva como espaço de esclarecimento para moradores e autoridades.

O debate pode contribuir para definir quais caminhos jurídicos e administrativos serão adotados em relação à área do Jardim Progresso.

Enquanto isso, moradores e representantes da comunidade seguem mobilizados para acompanhar o processo e buscar soluções que garantam segurança jurídica e respeito ao direito à moradia no município.

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