Conheça 13 brasileiras que brilharam nas passarelas da Semana de Moda de Paris

Conheça 13 brasileiras que brilharam nas passarelas da Semana de Moda de Paris
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 12 de março de 2026 20

A temporada internacional de moda Prêt-à-porter Feminino Inverno 2026/2027 chegou ao fim em Paris nesta terça-feira, 10 de março, consolidando uma presença brasileira expressiva nas passarelas mais disputadas do circuito global. No encerramento da chamada Paris Fashion Week, um grupo de modelos brasileiras chamou atenção ao desfilar para algumas das maisons mais influentes da indústria, como Chanel, Louis Vuitton, Dior, Givenchy, Loewe, Celine, McQueen e Elie Saab. A programação oficial da Federação da Alta-Costura e da Moda da França indicou que a temporada feminina de prêt-à-porter ocorreu entre 2 e 10 de março de 2026, reunindo 68 desfiles e 31 apresentações.

Mais do que presença numérica, o que se viu nesta edição foi uma combinação de estreias internacionais, retornos de modelos já consolidadas e a manutenção de um movimento que vem se intensificando: o Brasil segue exportando rostos para o alto escalão da moda global, com nomes vindos de diferentes regiões do país e trajetórias que atravessam realidades sociais, origens periféricas, interiorização da moda e ascensão via agências nacionais.

A seguir, o Diário Tocantinense reúne 13 brasileiras que se destacaram na Semana de Moda de Paris, com base no levantamento divulgado sobre a temporada.

Brasil amplia presença em Paris e confirma força nas passarelas internacionais

A temporada parisiense encerrou o chamado “mês da moda”, depois das semanas de Nova York, Londres e Milão, e manteve o status de etapa mais simbólica do calendário global. Paris concentrou, nesta edição, grifes de peso e momentos estratégicos da indústria, como os desfiles de Chanel, Louis Vuitton, Miu Miu, Dior, Balenciaga, Loewe e McQueen, reforçando o peso comercial e cultural do evento.

Nesse ambiente de alta visibilidade, a presença brasileira não apareceu como exceção. Ao contrário: o país voltou a ser representado por modelos com perfis diversos, de estreantes em contratos de exclusividade a profissionais já consolidadas em rankings internacionais.

O recorte desta temporada mostra também um dado importante para o mercado: as brasileiras não ficaram restritas a uma única estética ou nicho de casting. Houve espaço para nomes ligados ao luxo clássico, à moda autoral, ao experimentalismo contemporâneo e às grandes maisons de tradição.

As 13 brasileiras que brilharam na Semana de Moda de Paris

1. Amira Pinheiro

A maranhense Amira Pinheiro, nascida em São Luís, desfilou para Issey Miyake e Philipp Plein em Paris. Aos 23 anos, a modelo já construiu um currículo robusto no mercado internacional, com trabalhos para marcas como Balmain, Tom Ford, Tiffany e Max Mara.

Sua trajetória chama atenção também pela origem fora do circuito tradicional da moda: antes da projeção internacional, Amira trabalhou como recepcionista e vendedora de chips telefônicos. No Brasil, é representada pela Thinkers Modelse já alcançou a marca de 22 desfiles em uma única edição da São Paulo Fashion Week.

2. Carliane Paixão

Natural de Belém, Carliane Paixão desfilou para Elie Saab nesta temporada em Paris. Aos 28 anos, a paraense já acumula passagens por marcas como Chanel, Bottega Veneta, Givenchy e Vivienne Westwood.

Revelada pelo concurso Beleza na Comunidade, Carliane é representada pela JOY Management no Brasil e chegou a ser apontada como aposta pelo Models.com, uma das plataformas mais influentes do mercado internacional de moda.

3. Eduarda Muehlmann

Com apenas 19 anos, a catarinense Eduarda Muehlmann, de São Bento do Sul, consolidou mais uma temporada forte. Em Paris, desfilou para Givenchy, Rick Owens e Gabriela Hearst. Antes disso, em Milão, também passou pela Maison Margiela.

Representada pela WAY Model, Eduarda estreou na moda internacional no início de 2025 e, desde então, ampliou rapidamente sua presença em passarelas de prestígio, incluindo Valentino, Alexander McQueen, Lacoste, Givenchy, Maison Margiela e Vetements.

4. Gabriela Nied

A gaúcha Gabriela Nied, nascida em Lajeado, foi um dos nomes mais presentes da temporada. Somente na última semana, desfilou para Louis Vuitton, Dior, Celine, Lanvin e Loewe, além de fechar o desfile da Lacoste.

Aos 20 anos, Gabriela reúne um currículo amplo, com passagens por Balmain, Jason Wu, Missoni, Carolina Herrera, Marc Jacobs e outras marcas de projeção global. Antes da moda, sua base era a dança, especialmente o street dance, prática que começou aos 10 anos.

5. Gabriely Dobbins

De origem Kaxinawá, a acreana Gabriely Dobbins, nascida em Sena Madureira, apareceu como um dos rostos que mais simbolizam renovação no casting brasileiro. Em Paris, desfilou para Lacoste e Isabel Marant. Antes, em Milão, passou por Emporio Armani, Etro e Sportmax.

Aos 18 anos, a modelo fez sua estreia internacional em 2025, quando foi escolhida sob exclusividade pela Chloé. Antes da carreira na moda, chegou a cursar Farmácia e também atuou como maquiadora.

6. Isabel Alves

A baiana Isabel Alves, de Ibipitanga, fez sua estreia internacional em grande estilo ao desfilar para a Loewe.

Aos 19 anos, a modelo desponta como uma neotop observada pelo mercado. Antes do debut, compartilhou publicamente a trajetória de superação até chegar ao circuito internacional, movimento que reforça a narrativa de diversidade regional e social que vem marcando parte da nova geração de brasileiras na moda.

7. Julia Barucci

Natural de Lins (SP), Julia Barucci, de 22 anos, teve uma das agendas mais intensas entre as brasileiras. Em Paris, desfilou para McQueen, Lanvin, Mugler, Carven e Dries Van Noten. Na semana anterior, em Milão, já havia passado por Fendi, Marni, Maison Margiela, Moschino, Simone Rocha e Blumarine.

A modelo se consolidou como uma das apostas da WAY Model e já soma passagens por grifes como Valentino e Dior, ampliando sua recorrência nas passarelas internacionais.

8. Julia Morais

A carioca Julia Morais, de 20 anos, fez sua estreia internacional diretamente em um dos espaços mais cobiçados da indústria: a Chanel.

O debut em regime de exclusividade pela maison francesa colocou a brasileira no radar do mercado já na primeira coleção internacional, movimento que costuma funcionar como um selo de prestígio e de potencial de carreira de longo prazo.

9. Larissa Moraes

A baiana Larissa Moraes, nascida em Salvador, reforçou sua ascensão recente com uma temporada robusta. Somente em Paris, desfilou para Louis Vuitton, Chloé, Balmain, Lacoste, Rabanne e Ann Demeulemeester.

Aos 19 anos, Larissa já soma passagens por Valentino, Jean Paul Gaultier, Dior, Missoni, Miu Miu, Balenciaga e outras casas de prestígio. O volume de grifes no currículo indica uma curva de crescimento rápida dentro do mercado de luxo.

10. Marcele Dal Cortivo

A gaúcha Marcele Dal Cortivo, de Marau (RS), representa o grupo das brasileiras já consolidadas. Aos 32 anos, desfilou para a McQueen nesta edição de Paris.

Seu histórico inclui trabalhos para Stella McCartney, Louis Vuitton, Marc Jacobs, Celine, Maison Margiela, Giorgio Armani, Chalayan e The Row, entre outras. No Brasil, é representada pela JOY Management.

11. Mariane Calazan

A mineira Mariane Calazan, de Belo Horizonte, voltou a ocupar espaço de destaque na Chanel. Após estrear na maison no desfile Métiers d’Art, em dezembro, e participar da alta-costura em janeiro, a brasileira retornou à passarela da marca pela terceira apresentação consecutiva.

Aos 30 anos, Mariane tem trajetória consolidada. Descoberta por um olheiro em um shopping, em 2011, tornou-se presença frequente em passarelas nacionais e internacionais e já figurou entre as recordistas de desfiles da São Paulo Fashion Week.

12. Victoria Blecher

A carioca Victoria Blecher, de 19 anos, também integra a nova geração em expansão. Ela desfilou para a Celine, grife pela qual já havia estreado internacionalmente em julho de 2025 e para a qual também estrelou campanha global.

Além da Celine, Victoria já passou por passarelas disputadas como Chanel e Jacquemus, consolidando-se como nome em construção dentro do mercado europeu.

13. Waleska Gorczevski

Encerrando a lista, a catarinense Waleska Gorczevski, de Florianópolis, apareceu em três passarelas de peso: Givenchy, Carven e The Row.

Aos 28 anos, Waleska é um dos nomes mais experientes do grupo. Já trabalhou para marcas como Prada, Chanel e Marc Jacobs, além de acumular posições de destaque em rankings do setor. Recentemente, foi anunciada como única brasileira em nova campanha global da Chanel, reforçando seu status internacional.

O que a presença brasileira revela sobre o mercado de moda

O desempenho das brasileiras em Paris não pode ser lido apenas como curiosidade de bastidor. Ele indica, de forma mais estrutural, três movimentos relevantes da indústria:

1. Interiorização do scouting

Boa parte dos nomes listados vem de cidades fora dos eixos tradicionais da moda brasileira. Há modelos do Maranhão, Pará, Acre, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo, o que mostra um processo de descoberta de talentos cada vez mais descentralizado.

2. Fortalecimento de agências brasileiras no circuito global

Agências como WAY Model, JOY Management e Thinkers Models aparecem de forma recorrente entre as representantes das modelos citadas, indicando capacidade de inserção internacional e negociação com mercados de luxo.

3. Diversidade de perfis no casting

A presença de modelos estreantes, veteranas, nomes de origem indígena e trajetórias fora do padrão clássico reforça que o mercado de luxo segue, ainda que de forma desigual, ampliando repertórios de imagem e narrativas de marca.

Paris segue como vitrine máxima da moda global

Embora Milão, Londres e Nova York sejam etapas estratégicas do calendário, Paris mantém um lugar singular. A capital francesa concentra parte das maisons com maior peso simbólico e comercial da moda, e desfilar ali costuma representar mais do que visibilidade: é um selo de legitimidade dentro do circuito de luxo.

Nesta temporada, a Federação da Alta-Costura e da Moda da França registrou 68 desfiles e 31 apresentações no calendário oficial feminino de prêt-à-porter Inverno 2026/2027, o que ajuda a dimensionar o tamanho da vitrine em que essas brasileiras apareceram.

Em um mercado onde um único casting pode redefinir contratos, campanhas e valor de imagem, a presença brasileira em marcas como Chanel, Louis Vuitton, Dior, Givenchy e Loewe representa não apenas reconhecimento estético, mas também capital simbólico e econômico.

Ao fim da temporada parisiense, o saldo para o Brasil é de visibilidade, consolidação e renovação. Entre estreias em casas históricas, exclusividades cobiçadas e retornos de nomes já conhecidos, as 13 brasileiras listadas mostram que o país continua ocupando espaço relevante na engrenagem da moda internacional.

Mais do que uma vitrine de beleza, a passarela de Paris segue sendo um termômetro de mercado. E, nesta edição, ela confirmou que o Brasil continua sendo fornecedor de talento, imagem e presença para o topo da indústria.

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