Na Quinta do Agro, Gustavo Duprat diz que mercado pecuário do Tocantins resiste, mas incertezas já pressionam preço do boi gordo
Analista da Scot Consultoria aponta firmeza nas cotações no Tocantins, com boi gordo a R$ 325 por arroba, mas alerta para riscos com Oriente Médio, exportações, diesel e possível pressão baixista nas próximas negociações
O mercado pecuário do Tocantins atravessa um momento de firmeza relativa, mas já sente os efeitos de um ambiente de maior cautela no Brasil e no exterior. A avaliação foi apresentada pelo engenheiro agrônomo e analista de mercado da Scot Consultoria, Gustavo Duprat, durante participação na Quinta do Agro do Diário Tocantinense, ao comentar o cenário da bovinocultura no estado.
Segundo Duprat, o Tocantins tem mostrado comportamento um pouco mais sustentado do que outras praças pecuárias do país, mesmo diante de um contexto de incerteza que já alcança a cadeia da carne bovina. Entre os fatores de preocupação, ele destacou o conflito no Oriente Médio, os possíveis reflexos sobre a demanda por carne bovina para exportação, a exportação de gado vivo e o risco de aumento em custos importantes da agropecuária, como o diesel.
Na comparação semanal entre o dia 10 de março de 2026 e o mesmo dia da semana anterior, o boi gordo no Tocantins foi cotado a R$ 325,00 por arroba, em valores brutos e a prazo. O movimento representou alta de 0,9% na região sul do estado e estabilidade na região norte, sinalizando que, apesar do cenário nacional mais sensível, o mercado tocantinense ainda encontra alguma sustentação.
No caso do boi China, a cotação estadual foi de R$ 330,00 por arroba, com avanço de 1,2% na mesma base de comparação. Já entre as fêmeas, a vaca gorda foi cotada a R$ 300,00 por arroba na região sul e a R$ 306,00 por arroba na região norte, com altas de 1,7% e 1,3%, respectivamente.
Entre as novilhas, os preços também registraram valorização. Na região sul, a cotação foi de R$ 307,00 por arroba, enquanto na região norte chegou a R$ 308,00 por arroba. As altas foram de 0,7% e 1%, respectivamente, reforçando a percepção de um mercado ainda sustentado pela oferta não tão ampla de animais terminados.
Ao analisar a participação do Tocantins nas exportações, Gustavo Duprat afirmou que o estado tem dependência um pouco menor da exportação direta de carne bovina quando comparado a outras unidades da federação. Entre janeiro e fevereiro de 2026, o Tocantins respondeu por cerca de 3,8% de tudo o que o Brasil exportou no período, totalizando 17,85 mil toneladas.
Para o analista, esse peso menor das exportações diretas, somado à oferta ainda restrita de bovinos, ajudou a manter as cotações mais firmes nas últimas semanas. Ainda assim, ele ponderou que o ambiente já começou a dar sinais de mudança e que o viés daqui para frente tende a ser mais baixista.
A leitura do mercado é de que as incertezas podem abrir espaço para negociações abaixo da referência, principalmente diante da maior entrega de bovinos pela ponta vendedora e do receio de novas quedas nas cotações. Esse movimento é acompanhado com atenção pelo setor, que tenta equilibrar demanda, oferta e custos de produção em um cenário ainda instável.
Por outro lado, as condições de pastagem seguem como fator importante de sustentação no campo. Com chuvas ainda favorecendo o desempenho das áreas de pasto, muitos pecuaristas mantêm capacidade de retenção dos animais dentro das propriedades, o que reduz a necessidade de venda imediata e ajuda a segurar parte da pressão sobre os preços.
A análise apresentada por Gustavo Duprat mostra que o Tocantins segue em posição de relativa resiliência dentro do mercado pecuário brasileiro, mas já começa a conviver com sinais mais claros de cautela. A combinação entre cenário internacional incerto, custos sob ameaça de alta, ritmo de exportação e comportamento da oferta deve continuar definindo os próximos passos da arroba no estado.