Régua diferente: o estranho rigor quando a política tem rosto de mulher

Régua diferente: o estranho rigor quando a política tem rosto de mulher
Relatora da proposta no Senado, Dorinha Seabra defendeu o reconhecimento dos professores da educação infantil como magistério, medida que altera o enquadramento legal de mais de 1,3 milhão de docentes no país.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 13 de março de 2026 13

Por Dorinha Seabra

A política tocantinense tem dessas coisas curiosas. Certos assuntos parecem ganhar um peso quase filosófico quando passam pelo nome da senadora Professora Dorinha. Assinou a CPMI do Banco Master? Pronto. O tema vira praticamente um vestibular permanente: a pergunta aparece, reaparece, ganha eco, volta em comentários, rodas de conversa e redes sociais.
O assunto parece ter virado um enigma regional que, aparentemente, só ela teria obrigação de explicar. E sim, ela assinou.

Curiosamente, ninguém parece muito interessado em saber a opinião de outros pré-candidatos ao governo ou mesmo de parlamentares que também disputam cargos importantes. Estranho, não?

A mesma lógica se repete em outros episódios. Quando surgem discussões sobre CPIs envolvendo ministros como Dias Toffoli ou Alexandre de Moraes, novamente o olhar crítico encontra um endereço bem específico. A cobrança aparece, firme e determinada. Mas basta ampliar um pouco o enquadramento da câmera para perceber um detalhe curioso: outros senadores tocantinenses, como Eduardo Gomes ou Irajá, que também ocupam cadeiras no Senado, parecem viver em uma espécie de zona climática diferente. Lá, a pressão atmosférica política é bem mais tranquila. Nenhum interrogatório coletivo, nenhuma cobrança insistente, nenhum tribunal improvisado nas redes.

Talvez seja apenas uma dessas coincidências que acontecem com frequência surpreendente quando mulheres ocupam posições de destaque na política. Quando o protagonismo feminino cresce, cresce também um tipo muito peculiar de vigilância seletiva. A régua muda, o volume da cobrança aumenta e certos episódios passam a ser tratados como prova definitiva de caráter político. Enquanto isso, para muitos homens da mesma arena, o silêncio é confortável e a cobrança parece opcional.

No fim das contas, o debate não revela tanto sobre as CPIs ou sobre decisões parlamentares. Revela muito mais sobre como ainda funciona o filtro com que parte da política olha para quem ousa disputar o poder sendo mulher.

  • Dorinha é senadora da Republica pelo Tocantins

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