Milão-Cortina 2026: Brasil faz melhor resultado da história no revezamento do cross-country e fecha Paralimpíada de Inverno com seis atletas nos 20 km

Milão-Cortina 2026: Brasil faz melhor resultado da história no revezamento do cross-country e fecha Paralimpíada de Inverno com seis atletas nos 20 km
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 17 de março de 2026 8

Equipe brasileira registra melhor resultado da história no revezamento misto do esqui cross-country paralímpico e encerra os Jogos de Inverno com presença recorde no último dia de provas

O Brasil alcançou neste sábado (14) um resultado histórico no esqui cross-country dos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. A equipe nacional terminou na sétima colocação no revezamento misto, disputado no Tesero Cross-Country Stadium, em Val di Fiemme, nas Dolomitas italianas, e registrou a melhor campanha do país na história da prova.

O trio formado por Cristian Ribera, Wellington da Silva e Aline Rocha completou o percurso em 27min00s5, superando o desempenho de edições anteriores e consolidando a evolução brasileira em uma das modalidades mais exigentes do programa paralímpico de inverno.

A vitória ficou com os Estados Unidos, que fecharam a prova em 23min24s2. A Ucrânia ficou com a medalha de prata, ao concluir em 23min36s7, enquanto a China levou o bronze, com o tempo de 23min56s5.

O resultado brasileiro foi comemorado pela delegação como um marco técnico e simbólico. Durante anos, o revezamento foi uma prova em que o país apenas buscava completar o percurso, sem brigar por posições intermediárias. Em Milão-Cortina 2026, no entanto, a equipe mostrou outro nível de competitividade.

Aline Rocha, atleta de Pinhão (PR), destacou a transformação da equipe e o peso do desempenho conquistado nas Dolomitas.

“A prova do revezamento sempre foi a última dos Jogos. Antes, a gente fazia meio de brincadeira, sempre chegava em último. Com o Wellington no standing, as coisas melhoraram, e a gente conseguiu o melhor resultado do Brasil”, afirmou a atleta.

Wellington da Silva, responsável pelo trecho da categoria standing, também valorizou o resultado e o espírito coletivo da prova. Segundo ele, apesar do desgaste físico intenso, o revezamento tem um significado especial para a equipe brasileira.

“Hoje não senti tanto a respiração, foi mais dor física, principalmente nas pernas. Gostei da prova. Fiz uma boa primeira volta; na segunda, cansei bastante. É muito bom fazer uma prova em conjunto. Sempre treino com o Cristian e com a Aline. A gente é muito unido. É uma prova especial”, disse.

A campanha do Brasil no revezamento ganhou ainda mais relevância porque ocorre em uma edição histórica para o país. Em Milão-Cortina 2026, o Brasil conquistou sua primeira medalha em Jogos Paralímpicos de Inverno, com a prata de Cristian Ribera na prova de sprint do esqui cross-country, disputada na terça-feira (10).

Após o revezamento, Cristian já projetou o último desafio da delegação brasileira no cross-country: a prova de 20 km, realizada no domingo (15), encerrando a programação da modalidade.

“Já estudamos os tempos dos dez melhores para podermos chegar firmes e fortes nas primeiras colocações. O esporte é individual, mas tem uma equipe enorme trabalhando e é por isso que a gente está evoluindo”, afirmou.

O último dia das disputas do esqui cross-country contou com seis brasileiros na pista do Tesero Cross Country, em mais um sinal da ampliação da presença nacional nos esportes de neve. Além de Cristian Ribera, Aline Rocha e Wellington da Silva, também representaram o país os paulistas Guilherme Rocha e Elena Sena, além do paraibano Robelson Lula.

A expectativa para a prova de 20 km era alta, especialmente por conta do histórico recente de dois dos principais nomes da equipe. Aline Rocha foi medalhista de bronze nesta distância no Mundial de Östersund, na Suécia, em 2023. Já Cristian Ribera também subiu ao pódio nos 20 km do Mundial de 2025, em Toblach, na Itália, cidade localizada a cerca de 130 quilômetros de Tesero, palco das provas desta edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno.

A presença de seis atletas no último dia do cross-country reforçou o crescimento do Brasil em uma modalidade que, até poucos anos atrás, ainda tinha participação limitada no cenário internacional. Em um país sem tradição em esportes de neve, a delegação brasileira deixou Milão-Cortina 2026 com uma campanha que já pode ser classificada como a mais consistente da história paralímpica de inverno.

Outro ponto destacado pela delegação é o impacto de programas de incentivo e formação. Os atletas Wellington da Silva, Aline Rocha, Cristian Ribera e Elena Sena integram o Time São Paulo, parceria entre o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que atualmente beneficia 157 atletas.

O programa tem sido apontado como uma das bases para a consolidação do país em provas internacionais, ao oferecer suporte técnico, preparação física e estrutura de desenvolvimento para atletas de alto rendimento.

Além das disputas no esqui cross-country, a participação brasileira em Milão-Cortina 2026 também passou por Cortina d’Ampezzo, sede das competições de snowboard. No local, os brasileiros André Barbieri e Vitória Machadoparticiparam, na sexta-feira (13), da prova do banked slalom.

A cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos de Inverno foi realizada justamente em Cortina d’Ampezzo, fechando uma edição que marcou uma mudança de patamar para o Brasil no esporte paralímpico de inverno.

O sétimo lugar no revezamento não rendeu medalha, mas consolidou uma mensagem importante: o país deixou de ser apenas participante e passou a construir presença competitiva real. Em Milão-Cortina 2026, o Brasil não apenas entrou na neve. Entrou, competiu e fez história.

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