Banco Master: mensagens citam Moraes, Toffoli e Irajá, expõem “futura esposa” de Vorcaro e ampliam cerco sobre investigados
Com Daniel Vorcaro mantido preso e novas frentes abertas no Congresso, o caso ganha peso político e institucional ao envolver ministros do STF, o senador tocantinense Irajá Abreu, a mulher de Alexandre de Moraes e nomes do círculo pessoal do ex-controlador do Banco Master.
A crise do Banco Master entrou em sua fase mais delicada. Daniel Vorcaro segue preso por decisão da Segunda Turma do Supremo, após a maioria do colegiado manter a prisão preventiva no âmbito da Operação Compliance Zero. Em paralelo, a CPI do Crime Organizado aprovou nesta quarta-feira, 18 de março, novos requerimentos para aprofundar a apuração sobre beneficiários finais de fundos ligados ao banco e também convocou Martha Graeff, ex-noiva do empresário.
O núcleo mais explosivo do caso continua sendo o conteúdo extraído do celular de Vorcaro. Relatórios tornados públicos descrevem uma estrutura chamada “A Turma”, usada, segundo a investigação, para monitorar, pressionar e intimidar pessoas vistas como ameaça aos interesses do grupo. Entre as mensagens já reveladas aparecem referências a agressão contra jornalista, intimidação de ex-funcionários e monitoramento de alvos, além da atuação de um braço operacional associado ao apelido “Sicário”. A defesa dos investigados nega irregularidades, mas esse material passou a sustentar uma parte central da nova ofensiva judicial.
É nesse ponto que o Tocantins entra no caso. Uma das mensagens mais sensíveis, enviada por Vorcaro no dia da primeira prisão dele, em 17 de novembro de 2025, traz a frase “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Reportagens sobre o acervo analisado indicam que a imagem dessa mensagem apareceu em pastas ligadas ao contato do senador Irajá Abreu, do Tocantins, e também a Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes. Irajá negou qualquer contato e disse que jamais recebeu mensagem de Vorcaro. Moraes também negou ser o destinatário. Viviane Barci, por sua vez, afirmou que não recebeu as mensagens, embora seu escritório já tenha mantido contrato de consultoria com o Banco Master. Assim, o nome de um senador tocantinense passou a figurar entre os pontos de maior repercussão política do escândalo, ainda que ele rejeite qualquer vínculo com o conteúdo apreendido.
Dias Toffoli aparece em outra frente sensível. O ministro deixou a relatoria do caso em fevereiro, depois que referências ao seu nome surgiram no material analisado pela Polícia Federal e de que vieram a público transações ligadas ao resort Tayayá, empreendimento associado à empresa familiar Maridt. Toffoli reconheceu participação societária no negócio, mas negou ter recebido dinheiro de Vorcaro ou do Banco Master e também negou relação pessoal com o empresário. Com a saída de Toffoli, a relatoria foi redistribuída a André Mendonça, que passou a conduzir a fase mais dura da investigação.
No campo pessoal, outro elemento chamou atenção no material apreendido: o contato de uma modelo russa, Maryia Lubinova, aparecia salvo no celular de Vorcaro como “My Future Wife”. Ela se manifestou publicamente para dizer que a relação era de natureza pessoal e que não teve qualquer participação em negócios ou assuntos financeiros ligados ao ex-banqueiro. Em outra trilha, Martha Graeff, ex-noiva de Vorcaro, virou alvo de convocação no Senado e também já declarou, por meio de defesa, que não esteve envolvida em qualquer ilicitude. A presença dessas mulheres no noticiário mostra como o conteúdo do aparelho de Vorcaro extrapolou a esfera financeira e passou a expor também a vida privada do empresário, embora isso, por si só, não configure crime.
O retrato que emerge até aqui é o de um caso que deixou de ser apenas uma investigação sobre fraudes bancárias. O escândalo do Banco Master hoje alcança o STF, o Congresso, o Banco Central, personagens do meio político e nomes com ligação ao Tocantins. Ainda assim, é importante separar indício de conclusão: as mensagens e anotações apreendidas aumentaram a pressão sobre os citados, mas as apurações seguem em andamento, e as negativas apresentadas por ministros, parlamentares e demais mencionados continuam fazendo parte central da disputa sobre o que de fato houve nos bastidores do caso. O espaço está aberto para comentarem o assunto.