Eleições 2026 já mexem no poder no TO: Colinas e Dianópolis terão troca de prefeito nesta semana

Eleições 2026 já mexem no poder no TO: Colinas e Dianópolis terão troca de prefeito nesta semana
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 30 de março de 2026 10

O calendário eleitoral de 2026 ainda está no início, mas os efeitos práticos da disputa já começam a redesenhar o poder no Tocantins. Em uma semana que promete forte repercussão nos bastidores, duas prefeituras estratégicas do estado terão mudança no comando: Colinas do Tocantins, no Norte, e Dianópolis, no Sudeste. As duas trocas têm o mesmo motor político: a corrida por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa.

A movimentação não é apenas administrativa. Ela antecipa o que lideranças estaduais já vinham tratando reservadamente como uma nova fase da pré-campanha: a saída de nomes com mandato executivo para a montagem de chapas proporcionais competitivas, com impacto direto sobre alianças regionais, bases eleitorais e distribuição de poder nos municípios.

Em Dianópolis, o prefeito José Salomão (PT) deve deixar oficialmente o cargo na próxima terça-feira, 31 de março, para disputar uma vaga de deputado federal nas eleições de 2026. A intenção já havia sido anunciada publicamente pelo próprio gestor ainda em fevereiro, durante a abertura dos trabalhos legislativos do município, quando confirmou que encerraria o ciclo na prefeitura para entrar de vez no projeto eleitoral.

Já em Colinas do Tocantins, o prefeito Kasarin também confirmou que renunciará ao mandato nesta semana para entrar na disputa por uma cadeira de deputado estadual, em um movimento que reforça o peso eleitoral do município no tabuleiro do Norte do estado. A informação foi colocada publicamente nesta segunda-feira e passou a circular com força nos bastidores como uma das mudanças mais simbólicas da reta final de desincompatibilizações e rearranjos políticos do primeiro semestre. No entanto, segundo bastidores ele reluta em fazer ato público e de mudança de faixa para o seu vice o Zé Nagru.

A coincidência de datas e a dimensão política dos dois municípios fazem da semana um marco antecipado da eleição de 2026 no Tocantins. Colinas é uma praça de influência histórica no Norte, com peso na articulação regional e impacto sobre alianças municipais. Dianópolis, por sua vez, é um dos polos mais relevantes do Sudeste tocantinense, com capacidade de irradiar influência política sobre uma região estratégica para montagem de nominatas e sustentação de candidaturas majoritárias no médio prazo.

Nos bastidores, a leitura predominante é de que essas saídas mostram que a eleição proporcional de 2026 já começou de forma concreta no estado. Prefeitos que construíram capital político local e visibilidade administrativa passaram a ser vistos como ativos eleitorais valiosos para partidos que precisam fortalecer chapas com nomes competitivos, especialmente em um cenário de disputa cada vez mais pulverizada e dependente de voto regionalizado.

O caso de José Salomão chama atenção por envolver um prefeito de partido nacionalmente estruturado, com inserção em debates mais amplos do campo progressista, e que agora tenta converter a vitrine municipal em musculatura para uma candidatura federal. A antecipação da renúncia em março, com anúncio feito semanas antes, permitiu ao grupo preparar a transição e ao mesmo tempo sinalizar ao mercado político que a candidatura deixou de ser especulação para virar projeto formal.

Em Colinas, a renúncia de Kasarin tem leitura semelhante, mas com um recorte ainda mais sensível para o xadrez local: o município vive tensão política recente entre Executivo e Legislativo, com episódios públicos de desgaste e cobrança de vereadores, o que torna a troca de comando um fato com potencial de reacomodar forças internas e redefinir o ambiente administrativo às vésperas da intensificação eleitoral.

O pano de fundo é um só: 2026 já invadiu 2025 institucionalmente. Ainda que o calendário oficial das convenções esteja distante, a fase de preparação de candidaturas, migração de lideranças, desincompatibilizações e formação de blocos regionais entrou em aceleração. A própria cena tocantinense já registra, nesta mesma semana, outras movimentações de bastidor envolvendo nomes do Palácio, lideranças proporcionais e reacomodações partidárias, em um ambiente de crescente instabilidade e disputa por espaço.

Na prática, a troca simultânea em duas cidades estratégicas reforça um sinal que o meio político já entendeu: a eleição do ano que vem começou antes do calendário, dentro das prefeituras.

Para o eleitor, a mudança pode parecer apenas uma substituição administrativa. Para os grupos políticos, porém, trata-se de algo muito maior: é a abertura formal de uma nova etapa de disputa por território, voto e influência. Quem controla bases fortes agora, larga na frente quando o jogo entrar na fase pública.

E no Tocantins, nesta semana, o poder começa a mudar de mãos antes mesmo de a campanha começar.

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