Palmas entra em modo eleitoral: Soró e Amastha deixam secretarias, Eduardo revê o cenário e movimentação alcança Débora Guedes

Palmas entra em modo eleitoral: Soró e Amastha deixam secretarias, Eduardo revê o cenário e movimentação alcança Débora Guedes
Crédito: Montagem
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 2 de abril de 2026 4

A Prefeitura de Palmas abriu abril com um gesto que ultrapassa a rotina administrativa e entra diretamente no campo eleitoral. Em atos publicados no Diário Oficial do Município, Sérgio Vieira Marques, o Soró, deixou, a pedido, a Secretaria Municipal Extraordinária de Relações Institucionais, enquanto Carlos Enrique Franco Amastha foi exonerado, também a pedido, da Secretaria Municipal Extraordinária do MATOPIBA. Nos dois casos, os efeitos foram fixados para 3 de abril de 2026, exatamente no limite do calendário que passou a pressionar agentes públicos interessados em disputar as eleições deste ano.

O peso das exonerações não está apenas nos cargos, mas no momento. O Tribunal Superior Eleitoral informou que, nas Eleições 2026, há hipóteses em que a desincompatibilização precisa ocorrer a partir de 4 de abril, dentro da contagem dos seis meses anteriores ao primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Quando dois auxiliares com densidade política deixam o núcleo da gestão justamente nessa reta, a leitura natural deixa de ser burocrática e passa a ser eleitoral.

No caso de Soró, a exoneração tem um efeito político ainda mais expressivo porque contrasta com a fala anterior do prefeito Eduardo Siqueira Campos. Em 23 de março, Eduardo afirmou que Soró não seria candidato a deputado estadual em 2026. Agora, com a saída formalizada às vésperas da desincompatibilização, a avaliação nos bastidores muda de tom: mesmo que o projeto inicial não fosse uma disputa à Assembleia, o afastamento devolve liberdade política a um nome histórico do grupo e recoloca Soró no centro das especulações sobre o desenho eleitoral da capital.

Soró chegou à nova função após a reforma administrativa da gestão. Em outubro de 2025, a Prefeitura de Palmas informou que a antiga estrutura da Secretaria de Governo seria substituída pela Secretaria Extraordinária de Relações Institucionais, sob o comando dele. Ou seja: sua saída agora não fecha apenas um ciclo pessoal, mas desmonta uma peça criada pelo próprio governo para reorganizar a interlocução política da administração.

A exoneração de Carlos Amastha também produz reflexo imediato e relevante. Em dezembro de 2025, a Prefeitura anunciou a criação da Secretaria Extraordinária do MATOPIBA e informou que a pasta seria comandada pelo vereador Carlos Amastha, com a missão de posicionar Palmas como polo estratégico da região. Com a saída dele agora, além do simbolismo político do gesto, há consequência institucional direta: Amastha retorna à Câmara de Palmas, e o suplente Sargento Júnior Brasão deixa a vaga que vinha ocupando.

Outro ponto que amplia o alcance político da movimentação é que, até aqui, não houve detalhamento público dos substitutos definitivos para as duas secretarias. Isso reforça a percepção de que o centro do fato não está na troca administrativa em si, mas no reposicionamento dos personagens. Em ano eleitoral, a ausência de reposição imediata costuma falar tanto quanto a própria exoneração.

No mesmo ambiente de rearranjo, cresce a leitura de que Débora Guedes passou a ter mais espaço para avançar em seu projeto político dentro do novo desenho da capital. Nos bastidores, circula a informação de que ela teria recebido sinal verde político de Eduardo Siqueira Campos. Publicamente, porém, o dado documentado até aqui é que uma eventual saída do Podemos dependeria de autorização formal da legenda comandada por Eduardo, já que interlocutores ouvidos em março apontaram que não havia janela automática para vereadores eleitos em 2024 trocarem de partido sem esse aval.

Na prática, o que se vê em Palmas é a transição da gestão para o modo eleitoral. A saída de Soró e Amastha sinaliza que o primeiro escalão começou a ser ajustado sob a lógica de 2026. E quando o movimento envolve figuras com peso político, proximidade com o núcleo do prefeito e influência real na capital, o recado é claro: a disputa deixou de ser hipótese e passou a organizar decisões concretas dentro da máquina municipal.

As exonerações de Soró e Carlos Amastha mexem com a estrutura da Prefeitura de Palmas, mas o principal efeito é político. Eduardo Siqueira havia dito que Soró não seria candidato a deputado estadual, mas a saída no limite da desincompatibilização devolve protagonismo ao aliado e muda a leitura do cenário. Ao mesmo tempo, a nova acomodação amplia o espaço de figuras como Débora Guedes no jogo que começa a ganhar forma. Em Palmas, 2026 já não está mais no campo da previsão. Já entrou, de vez, na prática do poder.

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