Wanderlei Barbosa confirma Agrotins 2026 após reunião com empresários e promete incentivo para expositores
A menos de 40 dias da abertura da maior vitrine do agronegócio da Região Norte, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, confirmou nesta quarta-feira (8) a realização da Agrotins 2026 após uma reunião com empresários do setor agropecuário, em Palmas. O encontro, realizado no Palácio Araguaia, teve um recado político e econômico claro: a feira está mantida entre 12 e 16 de maio e o governo decidiu abrir espaço para ajustes que reduzam a resistência dos expositores em um ano de custos mais pressionados. Entre os pontos discutidos, o próprio governador anunciou uma bonificação ligada aos custos de participação no espaço da feira, cujos detalhes ainda serão divulgados.
Mais do que confirmar uma agenda já prevista no calendário do agro, a reunião expôs um movimento de contenção e alinhamento. O governo chamou à mesa empresas e entidades do setor justamente para ouvir demandas, discutir ajustes e evitar ruídos às vésperas da 26ª Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins, considerada pelo próprio Estado a maior do segmento na Região Norte. O encontro contou também com a presença do secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, e reforçou que a gestão decidiu atuar diretamente para preservar a adesão dos expositores em uma edição que será observada de perto pelo mercado, por entidades representativas e pelo ambiente político.
Na prática, o gesto mais relevante foi a sinalização de alívio financeiro para quem expõe. Durante a reunião, Wanderlei Barbosa garantiu a concessão de uma bonificação relacionada aos custos de participação dos expositores, como forma de estimular a presença do setor produtivo na edição deste ano. O anúncio é relevante porque toca justamente no ponto mais sensível para empresas de máquinas, implementos, insumos e entidades setoriais: o custo de entrada em uma feira que cresceu em estrutura, visibilidade e escala, mas que também exige investimentos maiores por parte dos participantes. O governo ainda não detalhou o formato da bonificação, mas a simples sinalização já funciona como resposta política a um desconforto que vinha sendo comentado nos bastidores.
O secretário Fred Sodré reforçou, após o encontro, que o governo buscou construir a edição de 2026 em diálogo com o setor produtivo e confirmou oficialmente o cronograma do evento. Segundo ele, a feira está mantida para o período de 12 a 16 de maio, no Parque Agrotecnológico Engenheiro Agrônomo Mauro Mendanha, em Palmas. A fala consolida o que o Estado já vinha sinalizando desde março, quando abriu cadastro de expositores, lançou editais complementares e iniciou a fase mais visível de preparação do parque.
A reunião também serviu para mostrar que os principais atores do agro local seguem dentro do jogo. O empresário Lauro Roberto, da Amagril – Máquinas e Implementos Agrícolas, avaliou o encontro como produtivo e confirmou presença da empresa na edição de 2026. A diretora financeira da Aprosoja, Flávia Caroline Germendorff, também afirmou que a entidade estará na feira, destacando que os expositores puderam apresentar seus pontos de vista em um cenário desafiador. Na mesma linha, o presidente do Sistema Faet/Senar, Paulo Carneiro, reforçou que a federação seguirá investindo no evento. O peso dessas confirmações vai além do protocolo: elas funcionam como selo de sustentação política e econômica para uma edição que precisava sair da zona de especulação e entrar definitivamente no campo da execução.
A manutenção da feira, neste momento, tem valor simbólico e estratégico. A Agrotins não é apenas um grande evento de exposição. Ela opera como vitrine de tecnologia, ambiente de negócios, espaço de articulação institucional e palco de demonstração de força do agronegócio tocantinense. Em um estado onde o campo é eixo de arrecadação, de influência e de narrativa de desenvolvimento, manter a feira robusta significa também preservar um dos principais instrumentos de conexão entre governo, setor produtivo, instituições financeiras, fornecedores, cooperativas e público especializado.
Os preparativos, aliás, já vinham sendo acelerados pelo Estado. Dois dias antes da reunião com os empresários, o governo havia divulgado que intensificou a estruturação das vitrines tecnológicas no parque, com foco em inovação, novas culturas agrícolas e montagem das estruturas que vão receber máquinas, animais, auditórios, galpões e áreas de capacitação. Antes disso, em março, a gestão já havia anunciado que, a 60 dias do evento, havia iniciado serviços de roçagem, limpeza e organização do espaço. Ou seja: a reunião desta quarta não serviu para “decidir se haveria feira”, mas para consolidar politicamente uma edição que já estava sendo montada — e que precisava de alinhamento com os expositores para não perder tração.
A dimensão da feira ajuda a explicar a sensibilidade do momento. Segundo o governo, a edição de 2026 ocupará uma área de 700 mil metros quadrados, reunindo expositores, órgãos públicos, instituições, vitrines de grãos e insumos, máquinas de grande porte, animais e o pavilhão da agricultura familiar, entre outras estruturas. O porte do evento amplia seu impacto econômico, mas também eleva o custo logístico e operacional. É justamente por isso que a discussão sobre incentivos aos expositores ganha peso real: não se trata apenas de um agrado político, mas de uma medida que pode influenciar diretamente o nível de adesão e a densidade comercial da feira.
No plano político, a confirmação pública da Agrotins 2026 também tem leitura clara. Em um ano pré-eleitoral, manter o principal evento do agro fortalecido interessa ao Palácio Araguaia não apenas pela economia, mas pela imagem de governabilidade, interlocução com o setor produtivo e capacidade de resposta. O agro no Tocantins é, ao mesmo tempo, base econômica e território de influência institucional. Toda movimentação em torno da Agrotins, portanto, transcende a agenda técnica e se projeta como sinalização de comando político.
No fim das contas, a reunião desta quarta-feira serviu para uma dupla operação: conter ruídos e reafirmar protagonismo. O governo ouviu o setor, prometeu incentivo, confirmou o calendário e colocou a mensagem na rua antes que a incerteza ganhasse corpo. O resultado é que a Agrotins 2026 sai do campo da expectativa e entra, oficialmente, no campo da execução — com cronograma mantido, obras em andamento e pressão para entregar uma edição maior, mais cheia e mais simbólica para o agronegócio tocantinense.