De Olho na Política: R$ 56 milhões viram estopim, BRB entra no radar, Araguaína avança e o Tocantins já respira 2026
A política tocantinense saiu do modo de observação e entrou, de vez, em fase de atrito aberto. O impasse em torno dos R$ 56 milhões do Fundo Amazônia/BNDES acendeu um confronto público entre o Palácio Araguaia e deputados estaduais, expôs rachaduras na base, recolocou articuladores em cena e mostrou que, em ano pré-eleitoral, nenhum movimento é apenas técnico. Ao mesmo tempo, a prisão do ex-presidente do BRB respinga no Tocantins, o aeroporto de Araguaína entra em nova fase com a GRU Airport, e bastidores já apontam mudanças no governo e rearranjos silenciosos em regiões estratégicas do estado.
Wanderlei aponta travamento, Jorge rebate, Olyntho responde e crise dos R$ 56 milhões expõe racha na Aleto
O impasse sobre a autorização legislativa para viabilizar os R$ 56 milhões do Fundo Amazônia/BNDES deixou de ser apenas um entrave administrativo e virou confronto político direto. O governo passou a atribuir a paralisação do projeto aos deputados Jorge Frederico e Olyntho Neto, afirmando que a resistência dos dois impediu o avanço da matéria e obrigou o Estado a pedir prorrogação de prazo ao BNDES.

Em reação, Jorge Frederico enviou nota ao Diário Tocantinense negando qualquer tentativa de travar a proposta. Disse que as informações levadas ao governador estariam “totalmente equivocadas” e disparou: “Quem levou essa informação a ele merece um puxão de orelha.” Segundo Jorge, a matéria sequer chegou à comissão que preside, o que inviabilizaria, regimentalmente, sua distribuição ou análise. O parlamentar ainda sustentou que “a coisa pública tem que ser tratada com responsabilidade e as informações precisam ser fiéis a quem nos assiste”.

Na mesma linha, Olyntho Neto afirmou que também não houve omissão de sua parte. Sustentou que não existiu avanço porque não houve reunião da comissão por falta de quórum, mesmo com a presença dele no dia e horário regimentais. Disse ainda que o papel institucional foi cumprido, que o registro está disponível no canal oficial da Assembleia e que até a sessão plenária teria deixado de ocorrer por ausência de presença mínima para deliberação.
Pano de fundo eleitoral e a mão de Marcello Lelis no tabuleiro

Por trás do impasse, a leitura de bastidor é que o episódio já está sendo lido sob lógica eleitoral. O Palácio acelerou articulações para evitar o prejuízo político e administrativo da perda dos recursos, e nesse movimento o nome de Marcello Lelis reapareceu como peça relevante de interlocução e engenharia política para destravar o ambiente. O próprio Diário Tocantinense já apontou esse bastidor ao mostrar o governo em mobilização máxima e Lelis ganhando centralidade no processo. No entanto, a passagem de Lelis pela Casa de Lelis não foi bem quista, como falamos abaixo e em off deputados disseram que embora estar na pasta da Semarh o papel dele não é de articulação e precisaria de alguém que fosse ser interlocutor do governo. Eles disseram em off que não querem cargos mais respeito e sim alguém altura com cunho não eleitoreiro.
A prisão do ex-presidente do BRB e a pergunta inevitável: como fica o banco no Tocantins?

A prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, por suspeitas ligadas ao caso Banco Master, repercutiu nacionalmente e ganhou desdobramento imediato no Tocantins. A razão é simples: o banco tem operação relevante no estado e vínculo com a folha de pagamento dos servidores, além de presença institucional construída nos últimos anos. A investigação aponta suspeitas graves de corrupção, lavagem e operações irregulares envolvendo o antigo comando do banco.
No Tocantins, publicações recentes destacam que o BRB opera a folha estadual e que, apesar do impacto político e da crise reputacional, o risco imediato de colapso na folha é tratado como baixo. Ainda assim, o caso acende alerta e amplia o desgaste de uma instituição que vinha expandindo espaço no estado.
Governo deve mexer no primeiro escalão e o Diário Oficial já dá sinais

Embora ainda sem anúncio formal de grande reforma, o ambiente interno do governo é de rearrumação. Movimentações recentes no Diário Oficial do Estado — com nomeações, redistribuições e atos tornados insubsistentes — reforçam a percepção de ajustes em curso, possivelmente como preparação para mudanças mais amplas no primeiro escalão. Cargos serão mexidos do primeiro ao último escalão, segundo fontes.
Aeroporto de Araguaína começa nova fase com GRU Airport e o norte ganha ativo estratégico

A concessão do aeroporto de Araguaína ao consórcio da GRU Airport foi oficializada, com início previsto em 1º de maio e previsão de R$ 55,5 milhões em investimentos após a fase de diagnóstico e transição operacional. A medida integra o programa federal de fortalecimento da aviação regional e reforça o papel de Araguaína como polo logístico e econômico do norte tocantinense.
Na oposição, o que se ouviu foi desconforto: o ambiente na Aleto passou imagem ruim

Deputados de oposição que preferiram não comentar oficialmente o embate admitiram, reservadamente, que a cena recente na Aleto foi vista como deselegante. O incômodo não foi apenas com o conteúdo da crise, mas também com a forma, o ambiente e a percepção de desorganização institucional num momento em que o estado discute recursos relevantes e pautas sensíveis. Ele teria ido a Casa de Camiseta e fora do rito de terno a Casa de Leis e foi visto como ato impensado e irresponsável. O espaço está aberto para comentar o assunto. Outro Ponto que elesfederam sem querer aparecer foi o fato do Secretário Marcelo Lelis ter ido a Assembleia impor mesmo não estando legalmente imbuído de representar o governo no Caso das Relações Institucionais ouSecretária de Governo ou Casa Civil assim como o presidente do Naturatins, Cledson.

O espaço está aberto para ele e Cledson comentarem o assunto.
Governo Federal ainda ignora a mídia do Norte, e o Tocantins sente isso no caixa e na visibilidade

No Norte do país, permanece forte a percepção de que a comunicação federal ainda não enxerga os veículos regionais como parte central da estratégia de presença institucional. No caso do Tocantins, isso significa menos investimento publicitário, menos valorização editorial e menos inserção de portais que têm capilaridade real na formação de opinião local.
Dulce Miranda precisa olhar para o Norte se quiser manter capilaridade política

Dulce Miranda continua sendo nome lembrado, com densidade simbólica e peso próprio, mas o tempo político exige presença onde o estado pulsa com mais força. O Norte do Tocantins, especialmente o eixo de Araguaína e entorno, segue como território decisivo para quem pretende manter relevância política real e não apenas memória de capital eleitoral.
Fábio Vaz perde lideranças em Colinas e Alfredo Júnior pode herdar parte desse espaço

Nos bastidores de Colinas, o comentário que ganha musculatura é o de que Fábio Vaz perdeu parte de sua rede de sustentação local. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de que Alfredo Júnior pode ser um dos beneficiários do esvaziamento, inclusive com capacidade de atrair lideranças que antes orbitavam o grupo de Sandoval.
No fundo, todos esses movimentos contam a mesma história: o Tocantins já não vive mais um tempo de administração isolada da política. O estado entrou num ciclo em que projeto travado, banco sob suspeita, aeroporto concedido, articulador em ascensão, líder regional em baixa e nome tradicional em risco de esvaziamento fazem parte de um mesmo processo. O de um tabuleiro que já está sendo montado para 2026 — e no qual ninguém quer ficar do lado errado quando a eleição deixar de ser bastidor e virar disputa aberta.