Irã pede diplomacia com EUA, mas impasse no Estreito de Ormuz mantém petróleo em alta e pressiona combustíveis no Brasil
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, defendeu nesta segunda-feira o uso de “todos os caminhos racionais e diplomáticos” para reduzir as tensões com os Estados Unidos, afirmando que “a guerra não interessa a ninguém”. No entanto, o cessar-fogo temporário entre os dois países, que expira nesta semana, segue frágil, com acusações mútuas de violações e o Estreito de Ormuz novamente no centro da crise.
Em declaração à agência estatal IRNA, Pezeshkian disse que, “apesar de resistir às ameaças”, o Irã deve explorar todas as vias diplomáticas. Ao mesmo tempo, ele acusou Washington de manter um bloqueio naval aos portos iranianos, o que, segundo Teerã, representa uma violação clara do acordo e “trai a diplomacia”. Os Estados Unidos, por sua vez, acusam o Irã de atacar navios no Estreito de Ormuz.
O cessar-fogo, mediado pelo Paquistão e anunciado em 8 de abril com duração inicial de duas semanas, está prestes a vencer (por volta de 21-22 de abril). Negociações para prorrogação ou um acordo mais duradouro envolvem também a Turquia, mas avançam com dificuldade. O principal ponto de atrito continua sendo o Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito mundial.
Petróleo dispara com o risco de nova escalada
O temor de interrupção prolongada no transporte de óleo fez o preço do petróleo voltar a subir fortemente nas últimas horas. O Brent, referência internacional, registrou alta de mais de 5% a 7% em um único dia, aproximando-se novamente de US$ 95 por barril (com picos anteriores acima de US$ 100 em momentos de maior tensão). O WTI (referência americana) também subiu na mesma proporção.
Essa volatilidade acontece após um “abre e fecha” recente no estreito: na semana passada, o anúncio de reabertura havia feito o Brent despencar quase 9-10%, mas as novas incertezas revertem o movimento.
Impacto direto nas bombas do Tocantins
No Brasil, a alta do barril já se reflete nos postos. Em Palmas (TO), a gasolina comum ultrapassou a marca de R$ 7,00 por litro em vários estabelecimentos, chegando a R$ 7,09 a R$ 7,19 dependendo da forma de pagamento (dinheiro/Pix ou cartão). O diesel S10 também acumula altas expressivas desde o início do conflito, com relatos de valores acima de R$ 7,00 em algumas regiões do interior do estado.
O Sindiposto-TO atribui os reajustes à pressão do mercado internacional e à dependência de importações e refinarias privadas. A Petrobras tem tentado amortecer parte do choque ao evitar repasses imediatos, mas analistas alertam que, se o Brent se sustentar acima de US$ 90-95 por mais tempo, novos aumentos nas bombas são inevitáveis.
Especialistas lembram que o diesel mais caro encarece o frete rodoviário e, consequentemente, os preços de alimentos, insumos agrícolas e produtos industrializados — impacto que chega rápido ao bolso do tocantinense e do brasileiro.
O que vem pela frente?
Enquanto Pezeshkian abre espaço para o diálogo, o Irã também demonstra desconfiança histórica em relação aos Estados Unidos e condiciona avanços ao fim do bloqueio naval. Fontes diplomáticas indicam que uma nova rodada de conversas indiretas pode ocorrer nos próximos dias, com mediação paquistanesa, mas o risco de retomada das hostilidades ainda é concreto.
Para o mercado de combustíveis no Tocantins, a orientação é acompanhar de perto os próximos anúncios: qualquer prorrogação do cessar-fogo pode aliviar a pressão, enquanto uma nova escalada tende a piorar o cenário nas bombas.