Menopausa sem hormônios exige avaliação individual e alternativas seguras

A menopausa marca uma fase de mudanças fisiológicas importantes e, embora a reposição hormonal seja uma opção para muitas mulheres, nem sempre ela é indicada. A decisão depende de avaliação médica individualizada, considerando idade, tempo desde a última menstruação, intensidade dos sintomas e histórico de saúde.
De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, o início da terapia hormonal em mulheres com 60 anos ou mais, ou após mais de dez anos da menopausa, pode elevar o risco de eventos cardiovasculares, como acidente vascular cerebral (AVC), além de tromboembolismo e outras complicações. Por isso, o uso deve ser criterioso e baseado em evidências clínicas.
Além da idade, fatores como histórico de câncer de mama, doenças hepáticas, problemas cardiovasculares e predisposição a trombose também entram na análise. Nesses casos, a reposição hormonal pode ser contraindicada, exigindo outras abordagens para controle dos sintomas.
Entre os principais desconfortos relatados estão ondas de calor, alterações de humor, insônia, redução da libido e ressecamento vaginal. Quando os hormônios não são uma opção, especialistas indicam estratégias que envolvem mudanças no estilo de vida e terapias não hormonais.
A prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e controle do estresse são medidas associadas à melhora da qualidade de vida. Além disso, medicamentos específicos não hormonais podem ser utilizados para reduzir sintomas vasomotores, como os fogachos.
Para a especialista em saúde feminina Erica Lima, o acompanhamento contínuo faz diferença no manejo da menopausa. “A mulher precisa entender que existem caminhos seguros além da reposição hormonal. O tratamento deve ser personalizado e focado no bem-estar global, não apenas nos sintomas isolados”, afirma.
Outras alternativas incluem terapias locais, como hidratantes e lubrificantes vaginais, além de abordagens integrativas que podem auxiliar no equilíbrio emocional e na qualidade do sono.
O consenso entre especialistas é que não existe uma solução única. A condução adequada depende de diagnóstico preciso e de um plano terapêutico adaptado à realidade de cada paciente.