Emprego formal cresce no Tocantins, mas agro recua e revela desequilíbrio regional

Emprego formal cresce no Tocantins, mas agro recua e revela desequilíbrio regional
Carteira de trabalho simboliza segurança e direitos para novos contratados, refletindo o crescimento do emprego formal em Tocantins e no Brasil.
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 5 de maio de 2026 1

O mercado de trabalho no Tocantins apresentou saldo positivo em março de 2026, com a geração de 626 vagas formais, segundo dados do Novo Caged. O resultado acompanha o movimento nacional, que registrou a criação de 228,2 mil postos no mesmo período, mas expõe um ponto de atenção: o crescimento está concentrado em setores urbanos, enquanto a agropecuária recua e pressiona economias locais mais dependentes do campo.

No recorte estadual, o setor de serviços liderou a abertura de vagas, com 363 postos, seguido pela construção civil, com 258. Indústria e comércio também tiveram desempenho positivo, embora com menor intensidade. A agropecuária, por outro lado, registrou saldo negativo de 91 vagas, movimento associado à sazonalidade de culturas como soja e à desmobilização de atividades agrícolas no período.

A concentração do crescimento em atividades urbanas reflete uma tendência observada em todo o país. No Brasil, o setor de serviços respondeu por mais de 152 mil novas vagas em março, impulsionado por áreas como educação, saúde e atividades administrativas. Já a agropecuária teve retração nacional de mais de 18 mil postos, reforçando o caráter cíclico do setor.

Entre os municípios tocantinenses, Araguaína liderou a geração de empregos, com 207 vagas, seguida por Lagoa da Confusão (129). A capital Palmas registrou saldo de 44 postos, evidenciando uma dinâmica mais pulverizada no estado, com cidades médias puxando o crescimento.

O perfil das contratações também revela padrões estruturais. Jovens de 18 a 24 anos responderam pela maior parte das vagas, com 655 postos ocupados. Trabalhadores com ensino médio completo lideraram o preenchimento das vagas, com 614 admissões.

No cenário nacional, o desempenho de março consolida uma trajetória de expansão: o país acumula mais de 613 mil vagas formais no primeiro trimestre e 1,21 milhão nos últimos 12 meses. Ainda assim, o crescimento ocorre com leve pressão sobre salários, cujo valor médio de admissão caiu 0,7% em relação a fevereiro, ficando em R$ 2.350,83.

A leitura estrutural indica um mercado de trabalho em expansão, mas com assimetrias. Enquanto setores urbanos avançam de forma consistente, a agropecuária mantém volatilidade e impacta regiões mais dependentes do campo. Para estados como o Tocantins, essa diferença tende a ampliar desigualdades regionais e exige políticas que equilibrem crescimento urbano e sustentabilidade do setor rural.

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