Hantavírus preocupa por atingir o pulmão e ter alta letalidade; saiba o que especialistas dizem sobre a doença
O hantavírus voltou ao centro das atenções sanitárias após novos casos registrados nas Américas reacenderem alertas sobre a doença, conhecida pelo alto potencial de agravamento pulmonar e pela taxa elevada de mortalidade em quadros graves. Embora especialistas descartem risco imediato de pandemia, médicos reforçam que o vírus pode evoluir rapidamente e provocar insuficiência respiratória severa.
Transmitido principalmente por partículas presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres, o hantavírus costuma infectar humanos em ambientes rurais, galpões fechados, áreas de mata e locais com infestação de ratos silvestres. A infecção ocorre quando a pessoa inala partículas contaminadas suspensas no ar durante limpeza ou movimentação de materiais armazenados.
Segundo especialistas, o maior temor está relacionado à Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus, forma mais grave da doença identificada nas Américas. O quadro pode começar com sintomas semelhantes aos de uma gripe comum, mas evoluir rapidamente para comprometimento pulmonar intenso.
Quais são os sintomas
Os sintomas iniciais incluem:
- febre alta;
- dores musculares;
- fadiga intensa;
- dor de cabeça;
- náuseas;
- dor abdominal.
Após alguns dias, parte dos pacientes pode desenvolver:
- falta de ar;
- acúmulo de líquido nos pulmões;
- queda de pressão;
- insuficiência respiratória aguda.
Em casos graves, a evolução pode ocorrer em poucas horas. Estudos internacionais apontam taxas de letalidade que variam entre 30% e 40% na síndrome pulmonar causada pelo vírus nas Américas. Existe transmissão entre pessoas?
Especialistas afirmam que esse é um dos pontos que diferencia o hantavírus de doenças como Covid-19 ou influenza. A transmissão entre humanos é considerada rara e limitada a algumas variantes específicas identificadas na América do Sul, especialmente na Argentina e no Chile.
A maior parte dos casos continua associada ao contato ambiental com secreções de roedores contaminados.
Por que o vírus voltou a preocupar
O alerta internacional aumentou após autoridades sanitárias registrarem crescimento de casos em algumas regiões rurais e reforçarem preocupação com mudanças ambientais, desmatamento e expansão humana sobre áreas silvestres.
Pesquisadores apontam que alterações climáticas e mudanças no habitat dos roedores podem aumentar o contato entre humanos e animais transmissores.
Além disso, médicos destacam que o diagnóstico costuma ser difícil nos primeiros dias, porque os sintomas se confundem com dengue, gripe, leptospirose e outras doenças infecciosas.
Como prevenir
Autoridades sanitárias recomendam:
- evitar contato com fezes e urina de roedores;
- manter ambientes ventilados antes de limpar locais fechados;
- usar máscara e luvas durante limpeza de depósitos, celeiros e galpões;
- armazenar alimentos corretamente;
- controlar infestação de ratos em áreas rurais e urbanas.
Especialistas ressaltam que, apesar da alta gravidade clínica, o hantavírus possui baixo potencial epidêmico justamente porque sua transmissão não ocorre de forma sustentada entre pessoas na maior parte das variantes conhecidas. (cdc.gov)