OMS faz alerta global sobre surto de Ebola; entenda os riscos e por que o mundo voltou a ligar o sinal vermelho

OMS faz alerta global sobre surto de Ebola; entenda os riscos e por que o mundo voltou a ligar o sinal vermelho
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 18 de maio de 2026 1

A Organização Mundial da Saúde, Organização Mundial da Saúde, declarou emergência de saúde pública de importância internacional após o avanço de um novo surto de Ebola na República Democrática do Congo e em Uganda. O alerta foi emitido depois da confirmação da circulação da variante Bundibugyo, considerada uma das cepas mais difíceis de controlar por não possuir vacina ou tratamento específico aprovado até o momento.

Segundo dados divulgados pela OMS, até 16 de maio, já haviam sido registrados ao menos oito casos confirmados em laboratório, 246 casos suspeitos e cerca de 80 mortes suspeitas associadas ao vírus na província de Ituri, no leste congolês. Uganda também confirmou mortes e transmissões ligadas ao surto.

O que mais preocupa autoridades sanitárias internacionais é o fato de o vírus já ter alcançado áreas urbanas e regiões de intensa circulação populacional. A OMS classificou o risco regional como alto devido à movimentação de pessoas entre cidades mineradoras, zonas de conflito armado e fronteiras africanas.

O que é a variante Bundibugyo

O Ebola possui diferentes variantes conhecidas. A mais comum em surtos recentes foi a cepa Zaire, para a qual já existem vacinas experimentais e protocolos mais estruturados de resposta.

No caso atual, porém, o vírus identificado pertence à variante Bundibugyo, descoberta inicialmente em Uganda, em 2007. A cepa possui alta taxa de mortalidade e menor histórico científico, o que dificulta a resposta rápida dos sistemas de saúde.

Autoridades internacionais afirmam que ainda existem incertezas sobre a dimensão real da epidemia. Investigações preliminares apontam que o vírus pode ter circulado durante semanas antes da identificação oficial do surto.

Quais são os sintomas do Ebola

O Ebola é uma febre hemorrágica viral altamente infecciosa. Os sintomas iniciais costumam incluir:

  • febre alta;
  • dores musculares;
  • fadiga intensa;
  • dor de cabeça;
  • vômitos;
  • diarreia;
  • dores abdominais.

Nos casos graves, o paciente pode desenvolver hemorragias internas e externas, falência múltipla de órgãos e choque sistêmico.

A transmissão ocorre principalmente por contato direto com fluidos corporais contaminados, como sangue, suor, saliva e secreções. Rituais funerários tradicionais também costumam aumentar o risco de disseminação do vírus.

Existe risco de pandemia?

A OMS afirmou que o atual cenário ainda não configura pandemia global, mas classificou a situação como emergência internacional devido ao potencial de disseminação entre países africanos e ao risco de exportação de casos por viagens internacionais.

Especialistas lembram que o Ebola possui transmissão mais difícil do que doenças respiratórias, como Covid-19, porque exige contato direto com fluidos contaminados. Ainda assim, surtos urbanos representam risco elevado para sistemas de saúde frágeis.

O Centro Africano de Controle de Doenças e a OMS passaram a enviar equipes emergenciais, laboratórios móveis e toneladas de suprimentos médicos para a região afetada.

Por que o mundo voltou a se preocupar

A preocupação internacional aumentou por cinco fatores principais:

  1. circulação da variante Bundibugyo sem vacina aprovada;
  2. transmissão em áreas urbanas;
  3. subnotificação de casos;
  4. fronteiras terrestres de alta circulação;
  5. fragilidade sanitária em regiões de conflito armado.

Além disso, relatórios recentes da comunidade científica alertam que surtos infecciosos vêm se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas, deslocamentos populacionais e crises humanitárias.

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