MPTO alerta municípios sobre risco de aumento do trabalho infantil durante a Copa de 2026
Enquanto a Copa do Mundo costuma movimentar bares, comércio informal e grandes aglomerações, órgãos de proteção à infância alertam para um efeito menos visível dos megaeventos esportivos: o aumento da vulnerabilidade de crianças e adolescentes expostos ao trabalho infantil.
Diante desse cenário, o Ministério Público do Estado do Tocantins encaminhou orientações técnicas aos municípios tocantinenses para reforçar ações preventivas e ampliar a fiscalização durante o período da Copa do Mundo de 2026.
A mobilização integra a campanha estadual “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil”, coordenada pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias da Infância, Juventude e Educação (Caopije), e busca fortalecer a atuação conjunta entre prefeituras, conselhos tutelares, assistência social, escolas e forças de proteção à infância.
Segundo o MPTO, períodos de grande circulação econômica costumam aumentar situações de exploração em espaços públicos, especialmente em semáforos, áreas comerciais, bares, feiras e regiões de concentração de torcedores.
O coordenador do Caopije, Sidney Fiori Júnior, afirma que o objetivo é evitar que situações de trabalho infantil sejam naturalizadas durante o aumento temporário da atividade econômica.
“O trabalho infantil muitas vezes aparece disfarçado de ajuda familiar ou atividade informal, mas continua representando violação de direitos e risco ao desenvolvimento de crianças e adolescentes”, destacou.
As orientações encaminhadas aos municípios estabelecem cinco eixos prioritários de atuação: fortalecimento da busca ativa em áreas vulneráveis, campanhas de conscientização, integração entre órgãos públicos, incentivo às denúncias e monitoramento de situações de risco.
O material também recomenda ações práticas, como abordagens educativas em regiões comerciais, campanhas digitais, distribuição de material informativo e iluminação simbólica de prédios públicos na cor vermelha durante o mês de combate ao trabalho infantil.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/IBGE), o Brasil ainda possui mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, principalmente nas áreas de comércio informal, agricultura e serviços. Especialistas alertam que eventos de grande porte podem ampliar temporariamente esse cenário devido ao aumento do consumo de rua e da circulação de dinheiro informal.
Para pesquisadores da área social, o problema vai além da renda.
Crianças submetidas ao trabalho precoce apresentam maior risco de evasão escolar, exposição à violência, desgaste emocional e comprometimento do desenvolvimento físico e intelectual.
No Tocantins, o MPTO afirma que a proposta não é apenas intensificar fiscalização, mas fortalecer a capacidade de identificação precoce de situações de exploração.
A instituição também reforçou que denúncias podem ser feitas ao Conselho Tutelar, ao Ministério Público ou por meio do Disque 100, canal nacional de proteção dos direitos humanos.
Em meio ao clima festivo que costuma acompanhar grandes eventos esportivos, o Ministério Público tenta chamar atenção justamente para aquilo que muitas vezes permanece invisível nas ruas.
O trabalho infantil que cresce silenciosamente enquanto o país assiste aos jogos.