Escala 5×2 exige responsabilidade: empresas não podem pagar sozinhas a conta da mudança
O debate sobre o fim da escala 6×1 e a adoção da escala 5×2 precisa ser feito com equilíbrio, responsabilidade e respeito à realidade de quem gera emprego no Brasil.
A defesa do descanso do trabalhador é legítima. Ninguém questiona a importância da qualidade de vida, da saúde mental e do tempo com a família. O problema é transformar uma pauta social em uma imposição econômica sem considerar o impacto direto sobre empresas, principalmente pequenos negócios.
No Tocantins e em grande parte do Brasil, milhares de empresas funcionam com equipes reduzidas, margens apertadas e alta carga tributária. São mercados, farmácias, padarias, restaurantes, lojas, oficinas e prestadores de serviços que dependem da escala de trabalho para manter as portas abertas, atender a população e preservar empregos.
Reduzir a jornada sem planejamento pode aumentar custos, exigir novas contratações, elevar encargos trabalhistas e pressionar ainda mais quem já enfrenta dificuldades para sobreviver. Para uma grande empresa, a adaptação pode ser possível. Para o pequeno empresário, pode significar demitir, reduzir horário de funcionamento ou até fechar as portas.
O Brasil não pode tratar empresa como inimiga do trabalhador. Sem empresa forte, não há emprego. Sem emprego, não há renda. Sem renda, não há consumo, arrecadação ou desenvolvimento.
A mudança na escala de trabalho só deve avançar com regras claras, transição gradual e medidas de compensação para o setor produtivo. Redução de encargos, incentivos fiscais, crédito facilitado e apoio específico às micro e pequenas empresas precisam estar no centro da discussão.
O trabalhador merece descanso. Mas o empresário também merece segurança para continuar empregando.
O país não pode escolher entre trabalhador e empresa. Precisa proteger os dois. A economia só avança quando quem trabalha é valorizado e quem emprega tem condições reais de continuar gerando oportunidades.