Tarifaço de Trump acende alerta no Brasil, mas exceções aliviam agro e indústria

Tarifaço de Trump acende alerta no Brasil, mas exceções aliviam agro e indústria
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 3 de junho de 2026 0

Proposta dos Estados Unidos prevê taxa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, mas deixa de fora itens estratégicos como carne, café, aeronaves, energia e terras-raras

O novo tarifaço proposto pelo governo Donald Trump contra produtos brasileiros acendeu alerta no mercado, no governo federal e em setores exportadores, mas a lista de exceções reduziu o risco de um choque imediato sobre parte do agronegócio e da indústria. A medida, ainda em fase de consulta pública nos Estados Unidos, prevê uma tarifa adicional de 25% sobre uma parcela das importações vindas do Brasil.

O ponto central é que a proposta não atinge todos os produtos brasileiros. Ficaram fora da lista itens de forte peso comercial, como carne bovina, café, aeronaves, peças do setor aéreo, energia, metais e terras-raras. A exclusão desses produtos ajudou a conter uma reação mais forte do mercado, já que parte importante da pauta brasileira para os Estados Unidos permanece protegida.

Ainda assim, o sinal político preocupa. A investigação foi conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, instrumento usado por Washington para responder a práticas consideradas prejudiciais ao comércio dos EUA. O governo Trump alega problemas em áreas como comércio digital, propriedade intelectual e questões ambientais.

Impacto seletivo

A tarifa pode atingir principalmente segmentos da indústria de transformação, máquinas, equipamentos, madeira e outros produtos com menor proteção na lista de exceções. Para esses setores, uma taxa adicional de 25% pode reduzir competitividade, encarecer vendas externas e favorecer concorrentes de outros países no mercado norte-americano.

O Brasil, porém, entra nessa disputa com uma vantagem: os Estados Unidos têm superávit comercial com o país. Isso enfraquece a narrativa de que o Brasil seria responsável por um desequilíbrio comercial contra Washington e dá ao governo Lula argumento para tratar a medida como decisão política, não apenas econômica.

No Tocantins, o impacto direto tende a ser limitado no curto prazo, justamente porque a carne bovina ficou fora da proposta inicial de tarifa. Mesmo assim, o estado acompanha o tema com atenção. A economia tocantinense tem forte ligação com o agronegócio, produção rural, frigoríficos, grãos e exportações. Qualquer mudança no comércio internacional pode afetar preços, contratos, logística e decisões de compra da indústria.

Recado diplomático

A proposta também entra na disputa de narrativa entre Brasil e Estados Unidos. Lula reagiu afirmando que o Brasil buscará outros mercados caso enfrente barreiras comerciais. A China, principal parceira comercial brasileira, aparece como alternativa estratégica, especialmente para commodities agrícolas e proteína animal.

Para o agro, a mensagem é dupla. De um lado, as exceções aliviam produtos centrais, como carne e café. De outro, a instabilidade reforça a necessidade de diversificar destinos e reduzir dependência de um único mercado.

A decisão final ainda dependerá do processo de consulta nos Estados Unidos. Até lá, o tarifaço funciona como pressão comercial e diplomática. Mesmo sem atingir diretamente os produtos mais sensíveis do agro brasileiro, a proposta mostra que a relação entre Brasília e Washington entrou em uma fase de maior atrito, com efeitos que podem chegar aos estados exportadores, inclusive ao Tocantins.

LEGENDA:
Proposta de tarifa dos Estados Unidos contra produtos brasileiros preocupa exportadores, mas exceções para carne, café, aeronaves e minerais reduzem impacto imediato sobre setores estratégicos.

CRÉDITO:
Reprodução

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