Feira mais cara desafia orçamento das famílias no Tocantins

Feira mais cara desafia orçamento das famílias no Tocantins
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 8 de junho de 2026 0

Abobrinha, arroz, feijão, pepino e melão registram variações e ampliam pressão sobre o bolso dos consumidores

A ida à feira ou ao supermercado deixou de ser uma simples rotina doméstica para se transformar em um exercício de cálculo para milhares de famílias tocantinenses. Produtos básicos presentes diariamente na mesa dos brasileiros voltaram a registrar oscilações de preços nas últimas semanas, obrigando consumidores a substituir itens, reduzir quantidades ou pesquisar mais antes de comprar.

Levantamento com base nas cotações das unidades da Ceasa Tocantins em Palmas, Gurupi e Paraíso do Tocantins mostra que produtos como abobrinha, pepino e melão apresentaram variações significativas entre o atacado e as gôndolas dos supermercados. O Painel de Cotações Agropecuárias do Governo do Tocantins permite acompanhar essas diferenças e oferece um retrato atualizado do comportamento do mercado agrícola estadual.

A diferença entre o preço pago pelos comerciantes e o valor encontrado pelo consumidor final continua sendo um dos principais fatores de impacto no orçamento doméstico. Em alguns casos, o produto sai do atacado por menos da metade do preço encontrado nas prateleiras.

Na última semana, a abobrinha apresentou preço médio de atacado equivalente a cerca de R$ 3,50 a R$ 5 por quilo, dependendo da qualidade e da região de comercialização. Já nos supermercados, o produto foi encontrado por valores entre R$ 6 e R$ 9 o quilo.

O pepino seguiu comportamento semelhante. Nas centrais de abastecimento, a cotação média ficou próxima de R$ 2,50 a R$ 4 por quilo, enquanto em estabelecimentos varejistas os preços ultrapassaram R$ 7 em alguns bairros de Palmas e Araguaína.

O melão, tradicionalmente beneficiado pela produção do Nordeste, apresentou maior estabilidade, mas ainda assim chegou às prateleiras com preços entre R$ 5 e R$ 8 por quilo, dependendo da variedade e da origem.

Arroz e feijão seguem como termômetro da inflação

Se frutas e hortaliças sofrem influência direta do clima e da oferta, arroz e feijão continuam sendo os principais indicadores percebidos pelas famílias quando o assunto é custo de vida.

O arroz tipo 1, pacote de cinco quilos, tem sido encontrado entre R$ 23 e R$ 30 em supermercados tocantinenses. Já o feijão carioca varia entre R$ 8 e R$ 12 o quilo, dependendo da marca e do município. Em algumas regiões do estado, consumidores relatam que o valor do feijão praticamente dobrou quando comparado aos períodos de maior safra observados nos últimos anos.

A pressão sobre esses produtos reflete fatores nacionais, como custos de transporte, armazenagem, combustíveis e condições climáticas nas regiões produtoras.

Famílias mudam hábitos de compra

A aposentada Maria das Graças, de 67 anos, afirma que passou a visitar mais de um estabelecimento antes de fechar a compra da semana.

“Antes eu fazia tudo em um lugar só. Hoje preciso pesquisar porque qualquer diferença de cinquenta centavos vira dinheiro no final do mês”, relata.

Situação semelhante é observada entre trabalhadores que recebem até dois salários mínimos. Muitos passaram a substituir produtos frescos por opções da estação ou reduzir a frequência das compras.

Economistas apontam que alimentos continuam sendo um dos itens com maior peso no orçamento das famílias de renda mais baixa. Enquanto gastos com lazer ou bens duráveis podem ser adiados, a alimentação permanece como despesa obrigatória.

O que esperar das próximas semanas

A expectativa do mercado é de relativa estabilidade para arroz e feijão durante o início do segundo semestre. Já frutas e hortaliças permanecem mais suscetíveis a oscilações provocadas por clima, logística e oferta regional.

Para especialistas, a principal estratégia do consumidor continua sendo a pesquisa de preços e a substituição de produtos quando houver grandes disparidades de valor.

Num cenário em que cada real faz diferença, acompanhar a evolução dos preços deixou de ser apenas uma preocupação dos produtores e comerciantes. Tornou-se uma necessidade para quem tenta equilibrar as contas sem abrir mão da alimentação básica.

 

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