Passagens aéreas devem ficar mais caras nos próximos meses e afetar rotas do Tocantins
Alta do combustível, crise internacional e atraso na entrega de aeronaves pressionam custos das companhias e podem chegar ao bolso dos passageiros
Viajar de avião pode ficar mais caro nos próximos meses. O alerta foi feito por líderes da aviação mundial reunidos no Rio de Janeiro durante a Assembleia Geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), principal entidade do setor. O aumento do preço do combustível de aviação, os impactos da crise geopolítica no Oriente Médio e os atrasos na entrega de aeronaves por fabricantes como Boeing e Airbus estão pressionando os custos das companhias aéreas em todo o mundo. A tendência é que parte dessa conta seja repassada aos consumidores.
A preocupação afeta diretamente passageiros do Tocantins, especialmente aqueles que dependem dos aeroportos de Palmas e Araguaína para conexões com Brasília, Goiânia e São Paulo. Como o estado possui oferta limitada de voos e pouca concorrência em algumas rotas, aumentos de custos costumam chegar mais rapidamente ao preço final das passagens.
A IATA reduziu quase pela metade sua previsão de lucro para a aviação global em 2026. A estimativa caiu de US$ 41 bilhões para US$ 23 bilhões em razão do aumento dos custos operacionais. Apenas a conta mundial de combustível deve saltar de US$ 252 bilhões para cerca de US$ 350 bilhões neste ano, tornando o querosene de aviação novamente o principal fator de pressão sobre as empresas.
Combustível lidera pressão
Executivos do setor afirmam que o conflito envolvendo o Irã elevou os preços internacionais da energia e obrigou companhias a rever rotas e operações. Algumas empresas já anunciaram cortes de capacidade e reajustes tarifários para compensar os custos adicionais. No Brasil, a LATAM informou que as passagens já registram aumentos entre 20% e 30% em determinadas rotas devido à alta do combustível.
Além do combustível, outro problema afeta o setor: a falta de aviões novos. Segundo a IATA, o déficit acumulado de entregas já supera 5,3 mil aeronaves no mundo. As fabricantes enfrentam dificuldades de produção, enquanto problemas em motores e cadeias de suprimentos atrasam a renovação das frotas. Como consequência, as empresas mantêm aeronaves mais antigas em operação, aumentando gastos com manutenção e consumo de combustível.
Impacto no Tocantins
Para passageiros tocantinenses, o cenário pode representar passagens mais caras justamente em rotas consideradas essenciais para negócios, saúde e turismo. Trechos como Palmas-Brasília, Palmas-Goiânia e Palmas-São Paulo tendem a sentir os efeitos caso as companhias reduzam a oferta de assentos para equilibrar custos.
Agentes de viagem relatam que muitos consumidores já antecipam compras para evitar reajustes. A estratégia pode ganhar força caso a alta do petróleo continue pressionando o setor durante o segundo semestre.
Especialistas avaliam que os preços devem permanecer elevados ao longo de 2026. Em períodos de alta demanda, como férias escolares, feriados prolongados e festas de fim de ano, os aumentos podem ser ainda mais perceptíveis.
O que esperar dos preços
Analistas do mercado aéreo projetam que, mantido o atual cenário internacional, as tarifas domésticas brasileiras poderão registrar reajustes médios entre 10% e 25% até o fim do ano, variando conforme a rota e a antecedência da compra. Em mercados regionais com menor concorrência, como parte das operações que atendem o Tocantins, os aumentos podem ser superiores à média nacional.
Enquanto isso, companhias aéreas e passageiros acompanham com atenção os desdobramentos da crise global. A expectativa do setor é que a estabilização dos preços do combustível e a normalização das entregas de aeronaves ajudem a reduzir a pressão sobre as tarifas. Até lá, o consenso entre especialistas é um só: viajar de avião dificilmente ficará mais barato nos próximos meses.