Histórico de super El Niño coloca Brasil em alerta para seca, calor extremo e chuvas intensas

Histórico de super El Niño coloca Brasil em alerta para seca, calor extremo e chuvas intensas
Fernanda CappellessoPor Fernanda Cappellesso 9 de junho de 2026 0

A possibilidade de formação de um novo episódio de El Niño nos próximos meses reacendeu o alerta de meteorologistas e especialistas em gestão de riscos climáticos. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, tem histórico de provocar eventos extremos em diferentes regiões do Brasil, incluindo secas prolongadas, ondas de calor, enchentes e prejuízos à produção agropecuária.

Entre os episódios mais intensos registrados nas últimas décadas estão os eventos de 1992/93, 1994/95, 1997/98, 2015/16 e 2023/24. Em comum, eles deixaram marcas importantes na economia, no abastecimento hídrico e na rotina de milhões de brasileiros.

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico ficam mais quentes do que a média histórica. Essa alteração modifica a circulação atmosférica global, afetando a formação de nuvens, o deslocamento das massas de ar e a distribuição das chuvas em várias partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam variar conforme a região. No Sul, geralmente há aumento das precipitações, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e cheias de rios. Já no Norte e em parte do Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, favorecendo períodos de estiagem e aumento das queimadas.

Impactos vão além da previsão do tempo

As consequências do fenômeno atingem diversos setores da economia. Na agricultura, a irregularidade das chuvas pode comprometer lavouras de soja, milho, arroz e feijão, além de afetar a pecuária por causa da redução da disponibilidade de pastagens.

O setor elétrico também acompanha o fenômeno com atenção. Em anos de seca intensa, reservatórios de hidrelétricas podem registrar redução dos níveis de armazenamento, pressionando o sistema energético nacional e elevando a necessidade de acionamento de usinas termelétricas.

Outro ponto de preocupação é o aumento do risco de incêndios florestais. Durante episódios recentes de El Niño, estados da Amazônia, Cerrado e Pantanal registraram crescimento expressivo nos focos de queimadas, favorecidos pela combinação entre calor intenso, baixa umidade e escassez de chuvas.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes e intensos nas últimas décadas, ampliando os desafios para a defesa civil e para o planejamento urbano.

Especialistas destacam que a ocorrência do El Niño não significa que todas as regiões serão afetadas da mesma forma, mas reforçam a necessidade de monitoramento constante das condições climáticas. O acompanhamento permite que governos, produtores rurais e setores estratégicos adotem medidas preventivas para reduzir prejuízos e aumentar a capacidade de resposta diante de eventos extremos.

Com o histórico recente de recordes de temperatura e desastres climáticos no Brasil, a evolução das condições do Oceano Pacífico seguirá sendo observada de perto pelos centros meteorológicos nacionais e internacionais ao longo dos próximos meses.

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