Pesquisa exclusiva ao Diário Tocantinense acende alerta no Brasil e no Tocantins: morar junto não garante mais felicidade, aponta YouGov
Levantamento enviado com exclusividade ao Diário Tocantinense pela YouGov mostra que pessoas casadas relatam mais felicidade, segurança financeira e satisfação com a vida do que casais que moram juntos sem oficializar a união.
Uma pesquisa da YouGov, enviada com exclusividade ao Diário Tocantinense, acendeu um debate importante sobre relacionamentos no Brasil e também no Tocantins: morar junto não significa, necessariamente, mais bem-estar, felicidade ou segurança financeira. Segundo o levantamento, pessoas que vivem em união sem casamento apresentam indicadores mais próximos dos namorados do que dos casados.
O estudo analisou adultos da Geração Z, Millennials e Geração X em quatro situações afetivas: solteiros, namorando, morando juntos e casados. A pesquisa avaliou pontos como felicidade, segurança financeira, satisfação com o padrão de vida, confiança no futuro, carreira, viagens, frequência a restaurantes e percepção sobre o casamento.
De acordo com a YouGov, os casados aparecem de forma mais favorável em praticamente todos os indicadores analisados. Já os que moram juntos sem casar não alcançam os mesmos níveis de bem-estar registrados entre pessoas que oficializaram a união.
No Brasil, onde muitos casais optam por morar juntos antes do casamento como forma de dividir despesas, testar a convivência ou adiar a formalização da relação, os dados chamam atenção. No Tocantins, especialmente em cidades onde a vida familiar, a estabilidade financeira e os vínculos comunitários ainda têm grande peso social, o levantamento também provoca reflexão sobre as novas formas de relacionamento.
Em relação à felicidade, a diferença é expressiva. Entre os Millennials casados, 75,2% afirmam se sentir felizes com a vida. Entre os que moram juntos, o índice cai para 62,3%, ficando mais próximo dos que apenas namoram, com 65,5%.
Na Geração X, o cenário se repete: 76% dos casados dizem se sentir felizes, contra 60,9% dos que coabitam e 66,4% dos que namoram. Já entre a Geração Z, 73,3% dos casados relatam felicidade, enquanto o percentual entre os que moram juntos é de 65,2%, praticamente empatado com os namorados, que somam 64,9%.
A segurança financeira também aparece como um dos pontos de maior diferença. Segundo a YouGov, adultos casados registram índices entre 50,8% e 53,4% quando perguntados se se consideram financeiramente seguros. Entre os que moram juntos, os percentuais ficam entre 34% e 40%.
Na Geração X, 50,8% dos casados se dizem financeiramente seguros, contra 34% dos que moram juntos. Entre os Millennials, o índice é de 51,9% entre casados e 40% entre coabitantes. Na Geração Z, 53,4% dos casados se consideram financeiramente seguros, diante de 36,3% dos que vivem juntos sem casamento.
Outro ponto analisado foi a satisfação com o padrão de vida. A pesquisa mostra que os casados também lideram nas três gerações: 51,6% na Geração X, 50,5% entre Millennials e 50,5% na Geração Z. Entre os coabitantes, os percentuais caem para 36,3%, 36,6% e 32,9%, respectivamente.
O levantamento também observou a confiança no futuro. Entre os Millennials, coabitantes e solteiros aparecem empatados em 53,4%, atrás dos namorados, com 57,9%, e dos casados, com 67,7%. Na Geração X, 54,5% dos que moram juntos dizem se sentir confiantes e animados com o futuro, abaixo dos solteiros, dos namorados e dos casados.
O comportamento de consumo e lazer também reforça a diferença. Entre a Geração Z, 73,8% dos casados viajaram a lazer ao menos uma vez no último ano, contra 61% dos que moram juntos. Em viagens internacionais, 42% dos casados da Geração Z fizeram ao menos uma viagem ao exterior nos últimos 12 meses, contra 29,8% dos coabitantes.
Na frequência a restaurantes, a diferença também aparece. Entre a Geração Z, 31,1% dos casados jantam fora ao menos uma vez por semana, quase o dobro dos coabitantes, que somam 16,8%. Entre Millennials, 31,4% dos casados jantam fora semanalmente, contra 22% dos que moram juntos.
Apesar dos números, a própria YouGov pondera que os dados não apontam que morar junto seja uma experiência negativa. A leitura da empresa é que a coabitação não apresenta, nos indicadores avaliados, os mesmos resultados associados ao casamento.
“Os dados não sugerem que morar junto seja, por si só, uma experiência negativa, mas indicam que a coabitação não apresenta os mesmos resultados associados ao casamento nos indicadores analisados”, afirmou David Eastman, diretor geral da YouGov para América Latina.
Segundo ele, em temas como bem-estar, segurança financeira e satisfação com a vida, quem mora junto sem casar aparece mais próximo de quem está namorando do que de quem oficializou a união.
O estudo também mostra que parte dos coabitantes mantém uma relação ambivalente com o casamento. Entre Millennials que moram juntos, 27,1% concordam que o casamento é uma instituição ultrapassada e 39,9% dizem que casamentos são um desperdício de dinheiro.
Ao mesmo tempo, há quem ainda veja o casamento como próximo passo. Entre os que moram juntos na Geração Z, 19,9% afirmam que pretendem se casar ou ficar noivos nos próximos 12 meses. Entre Millennials coabitantes, o índice é de 12,2%. Na Geração X, apenas 5,2% dizem ter esse plano para o próximo ano.
A pesquisa exclusiva ao Diário Tocantinense reforça uma discussão cada vez mais presente nas famílias brasileiras e tocantinenses: a diferença entre dividir uma casa e construir uma união formalizada. Em tempos de mudanças nos relacionamentos, aumento do custo de vida e novas visões sobre família, os dados mostram que o casamento ainda aparece associado a índices mais altos de estabilidade, satisfação e confiança no futuro.
Segundo a YouGov, o levantamento não encerra o debate, mas aponta uma tendência clara: morar junto pode ser uma etapa comum da vida afetiva moderna, mas, nos indicadores analisados, não se traduz automaticamente em maior bem-estar quando comparado ao casamento.