Editorial: Na matemática, o zero vem antes do um: Dorinha colocou o Hospital de Araguaína no topo das prioridades
A política tem dessas coisas: uma frase dita em meio a uma agenda pública pode ser retirada do contexto, ganhar contornos de ataque e virar combustível para disputa eleitoral. Foi o que aconteceu com a senadora Professora Dorinha ao falar sobre o Hospital Geral de Araguaína e dizer que a obra é “prioridade zero”.
A expressão, usada no vocabulário administrativo e também facilmente compreendida pela lógica da matemática, não significa abandono, descaso ou ausência de importância. Pelo contrário. Se o zero vem antes do um, uma prioridade zero é aquilo que vem antes de todas as outras prioridades. É o ponto mais urgente da fila. É o que precisa ser tratado com atenção imediata, acima até da chamada prioridade número um.
No caso do Hospital Geral de Araguaína, a fala de Dorinha precisa ser entendida dentro desse contexto. A conclusão da unidade é uma cobrança antiga da população da região norte do Tocantins. Trata-se de uma obra esperada há anos, com impacto direto no atendimento de milhares de pessoas, não apenas de Araguaína, mas de dezenas de municípios que dependem da cidade como referência em saúde.
O que a oposição tenta fazer é simples: pegar uma expressão, transformar em frase de efeito e vender à população a ideia de que Dorinha teria diminuído a importância da saúde em Araguaína. Não foi isso que ela disse. O sentido da fala foi justamente o contrário: colocar o hospital no topo das prioridades políticas e administrativas.
É evidente que a oposição tem o direito de criticar. A democracia permite e exige fiscalização. Também é legítimo cobrar a conclusão de uma obra que se arrasta há tanto tempo. O problema começa quando a crítica deixa de discutir o fato principal e passa a apostar na desconstrução da imagem pública de uma liderança.
Dorinha não começou ontem. Sua trajetória no Tocantins passa pela educação, pela gestão pública, pelo diálogo com professores e pela construção de projetos que marcaram o Estado. Basta lembrar o Salão do Livro, uma das maiores vitrines culturais já realizadas no Tocantins, que teve a participação direta de Dorinha ainda no período em que ela comandava a Secretaria Estadual da Educação e Cultura.
E é justamente aí que começa o mote mais forte da senadora: Dorinha não é apenas uma pré-candidata que aparece bem em pesquisa. Ela é uma liderança que construiu nome, base e reconhecimento a partir da escola, da leitura, da sala de aula, da formação de professores, da defesa dos municípios e da presença constante nos debates sobre educação pública.
Desde o Salão do Livro, Dorinha ajudou a consolidar uma imagem ligada ao conhecimento. O evento não era apenas uma feira de livros. Era uma afirmação cultural do Tocantins. Era o Estado dizendo que educação, literatura, professores, estudantes e cultura também eram prioridades de governo. E Dorinha esteve no centro dessa construção.
Por isso, quando a oposição tenta reduzir Dorinha a uma frase sobre “prioridade zero”, ignora de propósito uma trajetória inteira. Ignora a secretária de Educação. Ignora a professora. Ignora a parlamentar que chegou à Câmara Federal. Ignora a senadora eleita com votação expressiva. Ignora a liderança que, gostem ou não os adversários, virou referência nacional quando o assunto é educação.
Dorinha carrega um mote que fala com vários públicos ao mesmo tempo. Para os professores, ela representa alguém que conhece o chão da escola. Para os prefeitos, representa alguém que entende a importância das emendas, das obras e do municipalismo. Para os servidores, representa uma liderança técnica, de diálogo e previsibilidade. Para o eleitor comum, precisa traduzir tudo isso em uma mensagem simples: cuidar das pessoas começa por educação, saúde e gestão que funcione.
Esse é o ponto que a pré-campanha de Dorinha precisa compreender com profundidade. Não basta dizer que ela lidera pesquisa. Não basta dizer que ela tem apoio de prefeitos. Não basta dizer que ela tem grupo. O que precisa ser dito, repetido e defendido é o porquê. E o porquê está na história dela.
As pesquisas registradas mostram que Dorinha aparece em posição favorável na disputa pelo governo do Tocantins. Levantamento Real Time Big Data, registrado no TSE sob o número TO-05379/2026, aponta a senadora liderando cenários estimulados de primeiro turno e também vencendo simulações de segundo turno. Em um dos cenários, ela aparece com 33%, seguida por Vicentinho Júnior, com 23%, Laurez Moreira, com 17%, e Kátia Abreu, com 12%. Em outro cenário, sem Kátia, Dorinha aparece com 35%, Vicentinho com 25% e Laurez com 22%.
Esses números mostram duas coisas. A primeira é que Dorinha entra na disputa com vantagem. A segunda é que a disputa está viva, porque Vicentinho e Laurez também têm mote, base e discurso. E é exatamente por isso que Dorinha precisa transformar liderança em movimento político organizado.
Vicentinho Júnior tenta ocupar o espaço da oposição mais direta, com discurso de enfrentamento, crítica ao Palácio e presença constante nas agendas municipais. Seu mote é o da renovação combativa, do deputado que percorre o Tocantins, bate no governo e tenta se apresentar como alternativa fora do grupo dominante.
Laurez Moreira trabalha outro caminho. Como vice-governador, carrega a experiência de gestão, a lembrança de Gurupi e a tentativa de se apresentar como nome equilibrado, municipalista e agregador. Seu mote é o da experiência administrativa e da construção silenciosa, buscando crescer sem necessariamente radicalizar o discurso.
Kátia Abreu, quando colocada no cenário, entra com um capital próprio, conhecido pelo eleitor tocantinense. Seu mote é o da força política, da experiência nacional, da coragem de enfrentamento e da memória de quem já disputou grandes batalhas no Tocantins.
Ataídes Oliveira tenta falar com o eleitor que busca discurso liberal, crítica à velha política e gestão empresarial. Witer Fonseca, pelo PSOL, representa uma candidatura mais ideológica, voltada ao campo da esquerda programática, dos movimentos sociais e das pautas populares.
Dorinha, por sua vez, precisa ter clareza de que seu mote não pode ser apenas “a candidata do Palácio”. Se for reduzida a isso, a oposição terá terreno para tentar colá-la apenas aos problemas do governo. O mote de Dorinha precisa ser maior: a professora que conhece o Tocantins, que começou na educação, que entregou projetos, que chegou ao Senado com quase 400 mil votos, que conversa com prefeitos, que entende os municípios e que agora se apresenta para governar com técnica, sensibilidade e força política.
Em 2022, Dorinha foi eleita senadora com 395.408 votos. Esse número não é detalhe. É patrimônio eleitoral. É base real. É sinal de capilaridade. É voto espalhado pelo Tocantins. Mas voto passado não garante eleição futura. Ele apenas mostra que há um caminho aberto. Para transformar esse caminho em vitória, é preciso organização, narrativa e aliados.
É aí que entra o movimento dos cerca de 70 suplentes que, segundo articulações políticas, declararam apoio à senadora. Esse apoio não deve ser tratado como número decorativo. Suplente não é figurante. Suplente é voto. Suplente é bairro. Suplente é comunidade. Suplente é liderança que ficou por pouco, mas manteve base, família política, grupo de WhatsApp, igreja, associação, povoado, distrito e influência local.
Em uma eleição estadual, 70 suplentes podem representar muito mais do que uma foto em reunião. Podem representar milhares de votos pulverizados em todas as regiões. São homens e mulheres que disputaram eleição, pediram voto, andaram em ruas, conversaram com famílias, ouviram demandas e sabem onde o eleitor está. Quando esse grupo se movimenta junto, ele vira rede.
E Dorinha precisa exatamente disso: rede.
Rede no Palácio, para não ser isolada nos bastidores. Rede nos municípios, para não depender apenas de prefeitos. Rede entre vereadores, para chegar ao eleitor da ponta. Rede entre suplentes, para falar com quem tem voto real, mesmo sem mandato. Rede entre professores, para reacender a memória da educação. Rede entre candidatos a deputado estadual e federal, para defender sua história em cada palanque. Rede entre comunicadores, para impedir que uma frase recortada vire verdade política.
A eleição de 2026 não será vencida apenas com pesquisa. Será vencida com estrutura, discurso e defesa. A oposição já entendeu que Dorinha é competitiva. Por isso tenta desconstruir sua imagem antes que a pré-campanha ganhe ainda mais corpo. O ataque à fala sobre o Hospital de Araguaína não é apenas sobre saúde. É sobre narrativa eleitoral. É uma tentativa de dizer que ela não prioriza aquilo que, na verdade, ela classificou como prioridade máxima.
Também é preciso reconhecer que a saúde pública exige respostas concretas. A população não quer apenas explicação semântica. Quer hospital funcionando, atendimento digno, médico na ponta, leito disponível e obra entregue. Por isso, a defesa da fala de Dorinha não elimina a cobrança sobre o governo estadual. Pelo contrário: reforça que a conclusão do hospital precisa sair do discurso e se transformar em realidade.
Se o Hospital Geral de Araguaína é prioridade zero, então precisa ser tratado como urgência absoluta. E essa é uma cobrança que também fortalece Dorinha, porque quem diz que algo é prioridade máxima assume compromisso público com a entrega. A frase, portanto, precisa virar bandeira: o hospital não pode esperar.
Mas o debate não pode parar no hospital. Dorinha precisa colocar seu mote maior na rua. Precisa dizer que educação não é passado em sua vida, é identidade. Que professores não são lembrados apenas em campanha, são parte da sua caminhada. Que municipalismo não é discurso bonito, é emenda, obra, recurso e presença nos 139 municípios. Que gestão pública não é improviso, é planejamento, equipe e decisão.
E precisa de aliados para isso.
Aliados no Palácio, porque nenhum projeto majoritário se sustenta se a própria estrutura de poder não fala a mesma língua. Dorinha precisa de defensores dentro do governo, de gente que entenda sua pré-candidatura como projeto real, não como discurso de ocasião. Precisa de articulação, presença e proteção política nos momentos de crise.
Aliados candidatos, porque deputado estadual e federal não podem querer apenas a foto ao lado dela. Quem for caminhar com Dorinha precisa defender Dorinha. Precisa explicar a fala da prioridade zero. Precisa falar do Salão do Livro. Precisa lembrar os votos de 2022. Precisa mostrar as pesquisas. Precisa rebater ataques. Precisa carregar o mote da professora que virou senadora e agora quer governar o Tocantins.
Aliados suplentes, porque a política real mora muitas vezes fora do mandato. O suplente conhece a ponta, sabe onde perdeu por pouco, sabe onde tem força, sabe onde pode crescer. Um grupo de 70 suplentes, se for organizado, pode ser uma tropa eleitoral importante. Mas precisa ser tratado com respeito, com escuta e com função política. Não basta reunir. Tem que ativar.
Aliados professores, porque esse é o coração simbólico de Dorinha. Nenhum adversário consegue tirar dela essa origem. O professorado pode ser uma das maiores defesas morais da senadora, desde que seja ouvido, respeitado e chamado para dentro do projeto.
Aliados prefeitos e vereadores, porque eleição estadual é território. Quem não tem palanque local forte vira refém de onda. E Dorinha, por liderar pesquisas, será alvo de todos os lados. Quanto mais crescer, mais será atacada. Por isso precisa de um time que não apenas diga “estamos juntos”, mas que sustente a defesa nos municípios.
O momento exige clareza. Dorinha não pode permitir que adversários escolham qual será sua imagem. A oposição quer pintá-la como candidata do sistema, distante do povo e responsável por problemas que não são apenas dela. O trabalho de seus aliados deve ser outro: apresentar Dorinha como a professora que conhece o Tocantins, a gestora que ajudou a organizar políticas de educação, a parlamentar que trouxe recursos, a senadora que tem voto e a pré-candidata que pode unir experiência com entrega.
No fim das contas, a pergunta correta não é se “prioridade zero” significa descaso. A pergunta correta é: o Hospital Geral de Araguaína será finalmente tratado como prioridade máxima?
E a pergunta política é ainda maior: Dorinha terá ao seu lado um grupo capaz de defender sua história com a mesma força que a oposição tenta desconstruí-la?
Se a resposta for sim, a senadora tem caminho. Tem voto. Tem pesquisa. Tem narrativa. Tem passado na educação. Tem presente no Senado. Tem apoio de prefeitos, vereadores, suplentes e lideranças. Mas tudo isso precisa virar uma coisa só: movimento.
Porque eleição não se vence apenas com nome forte. Vence-se com mote forte, grupo forte e defesa forte.
E o mote de Dorinha é esse: antes de ser candidata, ela foi professora; antes de falar em governo, construiu história na educação; antes de disputar o Palácio, recebeu quase 400 mil votos para o Senado; e, agora, se quiser governar o Tocantins, precisa transformar sua trajetória em mensagem, seus aliados em defensores e suas prioridades em entregas.