Morte de jovem em colisão entre jet ski e barco acende alerta na temporada de praias
A abertura da temporada de praias no Tocantins foi marcada por uma tragédia que reacendeu o debate sobre segurança na navegação. A estudante de fisioterapia Ana Luísa Lemes Lopes, de 19 anos, morreu na noite de sábado (27) após a colisão entre uma moto aquática e uma embarcação do tipo voadeira na Praia de Araguanã, um dos destinos mais movimentados do Rio Araguaia durante as férias de julho.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a vítima estava na voadeira quando foi atingida pelo jet ski. O impacto foi tão forte que Ana Luísa morreu ainda no local. Ela era moradora de Muricilândia, no norte do Estado. A Polícia Militar, a Perícia Oficial, o Instituto Médico Legal (IML) e a Marinha do Brasil foram acionados para atender a ocorrência.
O condutor da moto aquática, identificado pelas iniciais J.M.C., de 47 anos, foi localizado após deixar o local do acidente. Conforme a investigação preliminar, ele apresentava sinais de embriaguez, não possuía habilitação de motonauta e conduzia o jet ski durante o período noturno, prática proibida pelas normas da Marinha do Brasil. Após receber atendimento médico, foi encaminhado à Central de Flagrantes de Araguaína, onde foi autuado em flagrante por homicídio doloso e condução de embarcação a motor sem habilitação.
Regras de navegação entram em foco
O acidente ocorre justamente no período em que dezenas de praias fluviais são abertas no Tocantins e o fluxo de embarcações aumenta significativamente.
Pelas Normas da Autoridade Marítima (NORMAM), motos aquáticas só podem ser conduzidas por pessoas habilitadas, utilizando equipamentos obrigatórios de segurança e respeitando restrições de navegação. Entre elas está a proibição de pilotar jet skis durante a noite, devido à baixa visibilidade e ao elevado risco de colisões.
Outro ponto investigado é a suspeita de embriaguez. De acordo com a Polícia Militar, uma equipe da Marinha esteve no hospital para realizar o teste do etilômetro, mas o suspeito recusou o exame. A recusa não impede a responsabilização quando outros elementos de prova apontam sinais de alteração da capacidade psicomotora.
Temporada amplia fiscalização
Com a chegada das férias escolares, praias como Araguanã, Araguacema, Caseara, Filadélfia, Pedro Afonso e Peixe passam a receber milhares de turistas. Além do impacto econômico para os municípios, o período também exige reforço na fiscalização das atividades náuticas.
As operações realizadas pela Marinha e pelas forças de segurança incluem inspeções em embarcações, verificação da habilitação dos condutores, conferência do uso de coletes salva-vidas e fiscalização do consumo de bebidas alcoólicas.
Especialistas lembram que a combinação entre velocidade, álcool, excesso de passageiros e desrespeito às normas de navegação está entre as principais causas de acidentes envolvendo motos aquáticas no país.
Investigação continua
A Polícia Civil informou que a investigação ficará sob responsabilidade da 23ª Delegacia de Polícia de Araguanã, que deverá ouvir testemunhas, analisar os laudos periciais e concluir as circunstâncias da colisão. Paralelamente, a Marinha do Brasil instaurou procedimento administrativo para apurar possíveis infrações às normas de segurança da navegação.
A morte de Ana Luísa ocorre justamente no início do período de maior movimentação nos rios tocantinenses e reforça um alerta que se repete a cada temporada: o lazer nas praias exige o cumprimento rigoroso das regras de navegação, habilitação dos condutores e responsabilidade no uso das embarcações.