Ceasa x supermercado x verdurão: onde o hortifruti está mais barato no Tocantins?
Tomate em promoção aparece abaixo da referência do atacado, banana tem diferença de centavos e consumidor diz que precisa rodar, comparar e mudar a lista para economizar
Comprar tomate, banana, cebola, batata e laranja no Tocantins virou uma verdadeira caça ao menor preço. Nesta segunda-feira, 6 de julho, a comparação entre a referência atacadista da Ceasa/TO e valores anunciados no varejo mostra que não existe mais uma resposta simples para a pergunta sobre onde o hortifruti está mais barato.
Em alguns produtos, a Ceasa continua levando vantagem.
Em outros, as promoções dos supermercados conseguem colocar o preço final ao consumidor abaixo até mesmo da referência mais recente do atacado.
O tomate é o exemplo que mais chama atenção.
Na referência mais recente da Ceasa/TO, em Palmas, o tomate apareceu cotado a R$ 6,75 o quilo. Já em oferta disponível nesta segunda-feira no Campelo Via Lago, em Araguaína, o tomate longa vida foi anunciado a R$ 5,89 o quilo.
Na comparação direta, o consumidor encontra no supermercado um preço R$ 0,86 menor por quilo.
É justamente aí que entra o peso das promoções.
Embora a Ceasa seja referência para o mercado atacadista, supermercados podem reduzir temporariamente a margem de determinados produtos, negociar grandes volumes ou utilizar o hortifruti como atrativo para levar clientes até a loja.
Na banana prata, a disputa está praticamente empatada.
A referência da Ceasa ficou em R$ 5 o quilo. Em Araguaína, a banana prata apareceu nesta segunda-feira por R$ 4,95 o quilo em oferta online.
São apenas cinco centavos de diferença.
Em Colinas do Tocantins, um supermercado com venda online também anunciava a banana prata em promoção por R$ 4,49, mostrando que o consumidor pode encontrar valores ainda mais baixos dependendo da cidade, do estabelecimento e do dia escolhido para fazer a feira.
A cebola apresenta outro cenário.
Na Ceasa, a referência mais recente foi de R$ 5,60 o quilo.
No varejo online consultado em Araguaína, a cebola nacional apareceu em promoção na faixa de R$ 5,97 o quilo. Em Colinas, o preço encontrado em supermercado chegou a R$ 6,99.
Nesse caso, a referência do atacado segue menor.
A diferença aumenta quando o consumidor olha para a batata.
Na Ceasa/TO, a batata foi cotada a R$ 6 o quilo.
Em oferta online disponível nesta segunda-feira em Araguaína, a batata inglesa apareceu a R$ 8,95 o quilo. Em levantamento de preço disponível no varejo de Colinas, o produto também era encontrado na faixa de R$ 7,99 a R$ 9,99, conforme a condição de venda e atualização da plataforma.
Ou seja, neste produto, o preço de origem ainda está bem abaixo daquele que chega ao consumidor final.
A cenoura segue caminho semelhante. A cotação de referência na Ceasa ficou em R$ 7,50 o quilo. No varejo, valores consultados ficaram próximos de R$ 7,95 e R$ 7,99 o quilo. A diferença não é explosiva, mas pesa quando o consumidor soma vários itens na sacola.
Entre as frutas, a laranja pera continua sendo um dos produtos que mais exige comparação. Na Ceasa, o valor de referência ficou em R$ 2,50 o quilo. Em supermercado de Araguaína, a laranja pera a granel estava anunciada a R$ 3,99 o quilo nesta segunda-feira.
É uma diferença de R$ 1,49 por quilo entre a referência atacadista e a oferta do varejo consultado.
A melancia também apareceu com preço competitivo no atacado, cotada a R$ 2,08 o quilo na referência mais recente da Ceasa.
O problema é que o consumidor comum nem sempre consegue reproduzir diretamente a lógica de compra de um comerciante.
O preço da Ceasa funciona como termômetro de origem. No caminho até a prateleira entram transporte, seleção dos produtos, perdas, armazenamento, funcionários, energia, impostos e margem de comercialização. É por isso que comparar simplesmente a Ceasa com a gôndola exige cuidado.
O valor menor no atacado não significa, automaticamente, que toda família conseguirá fazer a compra pelo mesmo preço ou nas mesmas condições. Os verdurões entram justamente nessa disputa como uma alternativa entre o grande supermercado e o atacado.
Em Colinas do Tocantins, estabelecimentos especializados em frutas e verduras seguem apostando em dias específicos de promoção e grande giro dos produtos. O Verdurão Araguaia, por exemplo, anunciou ofertas de segunda-feira nesta semana e mantém uma estratégia comercial baseada em promoções frequentes de hortifruti.
A lista completa com valores individualizados de todos os produtos desta segunda-feira, porém, não estava disponível de forma pública na postagem consultada pela reportagem. Por isso, o Diário Tocantinense não atribui ao estabelecimento preços que não puderam ser confirmados.
Essa ausência de uma tabela única mostra outro desafio para o consumidor.
Para saber realmente onde está mais barato, é necessário comparar no mesmo dia.
O preço visto na sexta-feira pode não ser o mesmo da segunda.
A banana pode entrar em promoção pela manhã e o tomate ser o destaque no dia seguinte.
É justamente essa rotina que consumidores já relatam ao Diário Tocantinense.
Em relato recente, a dona de casa Maria Aparecida afirmou que passou a dividir as compras entre estabelecimentos.
“A gente precisa andar mais, comparar e comprar só o que realmente vai usar”, disse.
O autônomo João Carlos também contou que reduziu a quantidade de alguns produtos quando percebe alta maior no hortifruti.
“Se está caro, leva menos ou troca por outra coisa”, afirmou.
As falas resumem o comportamento de quem tenta proteger o orçamento.
Pelos valores consultados nesta segunda-feira, o tomate longa vida em promoção no supermercado de Araguaína apareceu mais barato que a referência mais recente da Ceasa.
A banana prata ficou praticamente empatada entre o atacado e a promoção do varejo, com vantagem ainda maior em oferta encontrada em Colinas.
Já cebola, batata, cenoura e laranja mostraram como o preço pode subir entre a referência atacadista e a prateleira.
A conta também mostra que nenhum estabelecimento vence em todos os produtos.
Quem compra tudo em um único lugar pode ganhar tempo.
Quem divide a feira entre supermercado, verdurão e dias de promoção pode economizar.
Mas existe um limite.
Gastar combustível, percorrer grandes distâncias ou comprar mais do que a família consome também pode transformar a busca pelo menor preço em prejuízo.
No hortifruti, o desperdício é ainda mais perigoso porque os produtos são perecíveis.
Levar três quilos de tomate porque estava barato e perder metade em casa significa pagar caro do mesmo jeito.
O retrato desta segunda-feira mostra que o tocantinense precisa olhar produto por produto.
Tomate: referência da Ceasa de R$ 6,75/kg; oferta consultada em supermercado de Araguaína a R$ 5,89/kg.
Banana prata: Ceasa a R$ 5/kg; oferta em Araguaína a R$ 4,95/kg e promoção online consultada em Colinas a R$ 4,49.
Cebola: Ceasa a R$ 5,60/kg; oferta consultada em Araguaína na faixa de R$ 5,97/kg e preço online em Colinas a R$ 6,99.
Batata: Ceasa a R$ 6/kg; oferta consultada em Araguaína a R$ 8,95/kg.
Cenoura: Ceasa a R$ 7,50/kg; varejo consultado na faixa de R$ 7,95 a R$ 7,99/kg.
Laranja pera: Ceasa a R$ 2,50/kg; supermercado consultado em Araguaína a R$ 3,99/kg.
Melancia: referência da Ceasa a R$ 2,08/kg.
A conclusão é simples: nesta segunda-feira, não existe um campeão absoluto do hortifruti no Tocantins. A Ceasa mantém preços menores em diferentes produtos. O supermercado consegue virar o jogo quando lança promoção. E os verdurões entram na briga com giro rápido e dias específicos de oferta.
Para o consumidor, sobra uma regra antiga que voltou a valer mais do que nunca: antes de encher a sacola, é preciso pesquisar.