Irajá articula aliança com PT, mas Laurez diz que ficou fora das conversas e crise cresce no Tocantins
Uma articulação política liderada pelo senador Irajá Abreu para fortalecer a aliança entre o PSD e o PT no Tocantins acabou provocando desgaste dentro do próprio grupo. O motivo foi a reação do vice-governador Laurez Moreira, que afirmou não ter participado das negociações e declarou que sequer foi informado sobre as tratativas.
A crise ganhou força após Irajá anunciar, em coletiva realizada em Palmas, a pré-candidatura de Ivanete Lima ao Senado e apresentar uma nova composição política para as eleições de 2026. Horas depois, Laurez disse que desconhecia o evento e criticou publicamente a condução das negociações.
Segundo o vice-governador, havia um entendimento anterior entre PSD e PT para que Irajá disputasse a reeleição ao Senado e o ex-deputado Paulo Mourão ocupasse a segunda vaga da chapa. Para Laurez, o lançamento de outro nome pelo próprio PSD contraria esse acordo.
“Não fiquei sabendo do evento”, afirmou Laurez à imprensa.
Em seguida, endureceu o tom:
“Eu acho absurdo o que ele fez.”
O vice-governador também reafirmou que pretende manter o compromisso firmado com o PT.
“O partido tem compromisso com o PT. Eu sou homem de uma palavra só.”
O episódio expôs divergências internas justamente quando a aliança entre PSD e PT era apontada como um dos principais movimentos da pré-campanha para 2026. Em junho, as duas legendas haviam anunciado um acordo para apoiar a pré-candidatura de Laurez ao governo, com Irajá buscando a reeleição ao Senado e Paulo Mourão como segundo nome da chapa.
Nos bastidores, lideranças políticas avaliam que o desencontro pode dificultar a construção da frente de oposição ao grupo do governador Wanderlei Barbosa, já que a divergência ocorreu de forma pública e envolveu diretamente os principais nomes do PSD no estado. Até o momento, Irajá sustenta que a decisão foi construída em diálogo com a direção nacional do partido e recebeu aval do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.