Paciente desconfia de óculos escuros e ginecologista é preso suspeito de filmar exame em Salvador

Paciente desconfia de óculos escuros e ginecologista é preso suspeito de filmar exame em Salvador
Crédito: G1/BA
Ricardo Fernandes AlmeidaPor Ricardo Fernandes Almeida 13 de julho de 2026 0

Um médico ginecologista foi preso em flagrante, na sexta-feira, 10, suspeito de filmar uma paciente sem autorização durante um exame realizado em uma clínica particular no bairro Vila Laura, em Salvador, na Bahia.

Segundo as informações divulgadas pela Polícia Militar, o profissional utilizava óculos escuros equipados com uma câmera durante o atendimento. A paciente estranhou o acessório e passou a desconfiar de que poderia estar sendo gravada.

Diante da situação, a mulher pegou o próprio celular e começou a registrar a consulta. Em seguida, questionou o médico sobre os óculos. Conforme o relato apresentado à polícia, o ginecologista teria demonstrado nervosismo após ser confrontado.

A Polícia Militar foi acionada, mas, quando os agentes chegaram à unidade de saúde, receberam a informação de que o médico já havia deixado o local.

As equipes iniciaram as buscas e localizaram o veículo do suspeito na Avenida Heitor Dias. O automóvel foi interceptado e o ginecologista abordado pelos policiais.

Durante a abordagem, o médico admitiu que havia realizado as gravações. Ele alegou, no entanto, que as imagens seriam utilizadas para fins de pesquisa.

O profissional entregou aos agentes os óculos equipados com a câmera e o telefone celular no qual os vídeos estariam armazenados. Os equipamentos foram apreendidos e deverão passar por análise durante a investigação.

A vítima e o suspeito foram encaminhados à Casa da Mulher Brasileira, onde a ocorrência foi registrada. A unidade oferece atendimento integrado e especializado às mulheres em situação de violência.

A investigação também deverá apurar se outras pacientes foram gravadas sem consentimento. Há suspeita de que o ginecologista utilizava os óculos com câmera desde abril de 2026, mas ainda não foi confirmado se o equipamento foi usado em todos os atendimentos realizados durante esse período.

Também não há, até o momento, informação oficial sobre a quantidade de vídeos encontrados no telefone celular ou sobre o número de mulheres que podem ter sido filmadas.

O Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia informou que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e determinou a abertura de uma sindicância de ofício para apurar a conduta do profissional.

Segundo o Cremeb, o procedimento tramitará sob sigilo, conforme estabelece o Código de Processo Ético-Profissional, garantindo o direito à defesa e ao contraditório.

O conselho explicou ainda que possíveis sanções somente serão divulgadas publicamente caso a sindicância resulte na abertura de um Processo Ético-Profissional e exista uma decisão definitiva.

A Polícia Civil deverá investigar as circunstâncias das gravações, verificar o conteúdo armazenado nos aparelhos e identificar se existem outras possíveis vítimas.

O caso causou repercussão pela suspeita de violação da intimidade da paciente em um ambiente no qual deveria existir confiança, privacidade e segurança. As investigações continuam para esclarecer há quanto tempo o equipamento era utilizado, qual seria a destinação das imagens e se os arquivos foram compartilhados com outras pessoas.

Notícias relacionadas